Grupo teatral Não Foi por Falta de Opção encena obra inédita de Mario Vargas Llosa

Quais são as máscaras que usamos no nosso cotidiano para viver, amar e sobreviver? Em Tia Julia e o Escrevinhador, que é uma adaptação da obra de mesmo nome de Mario Vargas Llosa (Prêmio Nobel de Literatura), os personagens nos trazem esses questionamentos em situações turbulentas e hilariantes.

Quando um jovem de 18 anos se apaixona por uma mulher com o dobro de sua idade e vive o drama pessoal entre o seu ofício e sua arte, o caldo para uma boa comédia situacional está preparado. Esses dramas são ambientados na capital peruana, Lima, na década de 1950. Mas bem que poderiam ser nos dias de hoje, já que a carga de preconceito velado e estereótipos pouco mudou.

Vamos à história…

Mário é um jovem aluno com ambições literárias que se apaixona e vive um romance com sua tia Julia. O personagem é uma autobiografia de Llosa que se casou aos 19 anos, com Julia Urquidi, irmã da mulher de seu tio materno e que tinha o dobro de sua idade. Para a dramaturga, Caridad Svitch, Mário representa uma espécie de leveza, ou talvez a imaturidade da juventude.

Julia é uma mulher forte, apaixonada, inteligente, sensual e à frente do seu tempo. “Ela é uma força da natureza, um espírito poderoso, uma musa inspiradora. Mas, no final do dia, uma mulher radiante que segue o que o seu coração e a sua mente dizem, enquanto reestrutura sua vida”, diz Caridad.

Em paralelo a trama romântica, Mário conhece Pedro Camacho, um excêntrico autor de radionovelas cujos enredos mirabolantes fascinam os peruanos. É o protótipo do “gênio louco” e se torna mentor do jovem. Ele se enfurece contra uma sociedade do espetáculo, que quer que a arte sirva simplesmente para um propósito comercial. Sobrecarregado, começa a confundir enredos e personagens criando histórias hilariantes e absurdas. Para Caridad, Camacho é o palhaço triste da obra e uma figura mescla elementos de Quixote e Sancho Pança.

A peça também homenageia as comédias clássicas “screwball”, de Ernest Lubitsch”, e as comédias românticas e complexas dirigidas por George Cukor e Howard Hawks.

Tia Julia e o Escrevinhador nos ensina a saborear a ironia e zombar do belo e escandaloso drama da própria vida e das histórias que vivem em nossa imaginação quando nos encontramos no escuro para entender as nossas vidas.

O grupo Não Foi por Falta de Opção

E não foi mesmo por falta de opção que eles escolheram este nome. O coletivo reúne oito jovens atores, todos formados pela CAL (Casa de Artes de Laranjeiras), e que compartilham o mesmo sonho: fazer teatro sem as amarras. “Entendemos a importância da parte comercial e da crítica, mas prezamos pela liberdade criativa e por isso nos permitimos experimentar. E está dando certo. Nosso último espetáculo teve casa lotada todas as noites”, diz Gonzalo Martinez Cortez, diretor de produção, falando sobre o espetáculo “A Grande Ressaca”, em cartaz no ano passado na Cidade das Artes.

Além de “A Grande Ressaca”, de Matéi Visniec com direção de Fernando Philbert, o grupo ainda tem no currículo Cuidado com as Velhinhas Carentes e Solitárias, com texto e direção dos mesmos autores.

Integrantes: Arthur Portella, Fernanda Teixeira, Gabi Soledade, Gonzalo Martinez Cortez, Lucas Gonjú, Marcelo Ferreira, Otavio Tardelli e Relise Adami.

Tia Julia e o Escrevinhador

Onde: Teatro Serrador (Rua Senador Dantas, 13 – Centro)
Quando: 05 a 28 de abril, de quinta a sábado, às 19h30
Ingresso: R$ 40 | R$ 20 (meia e lista amiga)
Classificação: livre

 

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Ficha técnica
Texto: Mario Vargas Llosa
Adaptação: Caridad Svich
Tradução: Gonzalo Martinez Cortez
Direção: Ritcheli Santana
Assistência de Direção: Julya Avila
Elenco: Arthur Portella, Fernanda Teixeira, Flavio Moraes, Gabi Soledade, Gonzalo Martinez Cortez, Lucas Gonjú, Marcelo Ferreira, Otavio Tardelli e Relise Adami
Ator stand-in: Marco Palito
Iluminação: Anderson Ratto
Cenografia: Alice Cruz
Assistente de Cenografia: Monique Pimentel

Figurino: Maria Duarte
Preparação Corporal e Direção de Movimento: Laura de Castro
Projeto Gráfico: Volio
Direção de Produção: Gonzalo Martinez Cortez
Assistente de Produção: Fernanda Teixeira E Otavio Tardelli

Assessoria de Imprensa: Tangram Marketing (Tatiane Franco e Jairo Sanguiné)

Trilha Original: Diogo Matos

Equipe Teatro Serrador: Selim Harari (Diretor Executivo), Sandra Causin (Diretora Adm/Financeira), Abraão Mafra (Diretor Institucional), Zé Auro Travassos (Coordenador Geral),
Gabriel Leal (Assistente Administrativo), Raysa Monteiro (Assistente de Mídias), Cézar Salles (Cenotécnico).

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