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dezembro 15, 2018
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“Grande Templo – Visitas Teatralizadas”

No domingo, dia 30 de setembro, Grande Templo Israelita abre suas portas em visita teatralizada e mostra relação entre  judeus e negros na Praça Onze

No próximo domingo, dia 30 de setembro, às 11h, acontece uma visita teatralizada e aberta ao público, ao “Grande Templo Israelita”, construção remanescente da expressiva comunidade judaica que vivia na região da Praça Onze no início do século XX. Conduzida por atores cantores, fala sobre os percursos da imigração no Rio de Janeiro e usa o templo como cenário para contar parte da história do Centro do Rio e a relação dos judeus com as populações que já viviam na região, particularmente a maior de todas, formada pelos negros. O projeto conta com o patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS. Inaugurado em 1932 na rua Tenente Possolo e com sua entrada principal na Rua Henrique Valadares, próximo à praça da Cruz Vermelha, o prédio do Grande Templo é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan).

Esta será a primeira visita aberta ao público. Desde o início de setembro, grupos de alunos de diferentes escolas já puderam conhecer o espaço e as histórias das primeiras décadas do século XX. As visitas abertas acontecem nos últimos domingos de cada mês, já as demais são sempre às terças e quintas-feiras com prioridade para escolas e grupos e devem ser agendados pelos telefones: 2556-5612 (das 14 às 17h), ou pelo e-mail visitatemplo@gmail.com. O projeto segue até a quinta-feira 29 de novembro.

De prestamistas a fábrica de cerveja – O público conhecerá um pouco da vida urbana do Rio, com suas viagens de bonde e o intenso comércio local, onde “prestamistas” (ambulantes) dividiam espaço com açougues kosher, vendedores de bagels (rosquinhas trançadas salpicadas de gergelim), hospedarias, chapelarias, sapateiros, livrarias, casas de tecido, tipografias, cortiços, casas de cômodos e até fábricas, como a Manufactura de Cerveja Brahma Villiger & Companhia, na Visconde de Sapucahi, entre outros negócios.

Poderá saber um pouco também das tradições judaicas, suas vestes, rezas, comidas, músicas e festas, da crescente presença feminina nos rituais e também do processo de integração à cidade e marcos, como o da criação de cemitérios e sinagogas. A relação com os negros que viviam na região com os quais compartilhavam pobreza e preconceito também é abordada em fatos como a frequente perseguição aos músicos. João da Baiana, por exemplo, teve seu pandeiro apreendido pela polícia e era comum as rodas de batuques serem desmontadas e seus frequentadores presos.

Antes do Grande Templo duas outras sinagogas já haviam sido construídas na região, a Beith Yaakov e a Beth Israel, mas que já estavam pequenas para reunir toda a comunidade judaica.  Uma grande campanha foi lançada para arrecadar recursos destinados a erguer o novo templo. Um concurso organizado pela comunidade judaica em 1928 foi vencido pelo arquiteto italiano não-judeu, Mario Vodret (também responsável pelo Parque Lage). A visita começa pela escada de entrada e circula por diferentes ambientes do templo.

O dia em que a “Tia Ciata” curou o presidente – As duas sinagogas mais antigas foram derrubadas junto com outros cerca de mil imóveis, entre eles o ateliê de Mestre Valentim e quatro igrejas seculares, como a de São Pedro dos Clérigos em estilo barroco – que ficava exatamente no meio do traçado da nova via – e a  Casa de Tia Ciata,  como era conhecida a negra baiana Hilária Baptista de Almeida. Ela, além de percorrer as ruas da região vendendo quitutes, era uma Iya Kekerê, ou seja, a principal auxiliar do pai de santo do candomblé que frequentava.

Um dia, com seus conhecimentos da medicina africana, curou uma ferida na perna do presidente  da República, Venceslau Braz. Essa história, contada na visitação, começa quando  João, marido da Tia Ciata e que trabalhava no gabinete do chefe de polícia do presidente, ofereceu o serviço. O presidente aceitou e foi até a Casa de Ciata que o curou. A partir dali a casa virou um oásis para os negros, que puderam realizar suas rodas de samba no quintal do imóvel de número 117 da extinta rua Visconde de Itauna sem a perseguição da polícia.

Nasce uma avenida, morre um bairro – A demolição dos imóveis ocorreu entre 1941 e 1944 para construção da Avenida Presidente Vargas. O processo envolveu a retirada de parte da população pobre formada por imigrantes e negros, muitos ex-escravizados, que haviam ocupado antigos casarões já deixados para trás pelas elites que haviam se deslocado para bairros como Catete, Botafogo, Laranjeiras e Tijuca.

Foi mais uma etapa na longa história da região, então conhecida como Largo do Rocio e que era um Mangue, pouco habitada. A sorte começa a mudar na primeira metade do século XIX, ainda no Segundo Reinado, quando começa a ter a atenção do governo. Para abastecer a região foi projetado pelo arquiteto francês Grandjean de Montigny um chafariz em pedra, instalado na praça central. O batismo como Praça Onze de Junho só ocorre mais adiante, em uma homenagem à vitória brasileira na batalha do Riachuelo ocorrida neste dia durante a guerra contra o Paraguai em 1865.

O roteiro é de Daniela Chindler, com direção de Augusto Pessoa e pesquisa da antropóloga Juliana Portenoy e da historiadora Adriana Xerez. Em cena os atores Júlia Drummond, Diana Vaisman,  Nano Max e Gabriel Hipollyto, apresentam músicas da tradição judaica.

Serviço:

Evento“Grande Templo – Visita Teatralizada”

Entrada aberta ao público: domingo, 30 de setembro, às 11h | Ingresso: R$1,00

Período de agendamento para grupos: apresentações nas terças e quintas-feiras, às 10h e às 14h – última apresentação na quinta 29 de novembro

Local: Grande Templo Israelita – Rua Tenente Possolo, 8 – Centro

Público: visitas agendadas e gratuitas para escolas e grupos fechados

Inscrições: 2556-5612 (das 14h às 17h), ou pelo e-mail visitatemplo@gmail.com

Faixa etária: maiores de dez anos

Duração: 60min

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