“Gabriel, as Montanhas e o Mundo”

Tomar sopão com “homeless” numa igreja de Londres, participar de rituais xamânicos na Amazônia, ser convidado para assistir a uma missa privada com o Papa no Vaticano, regar arrozais com camponeses no Vietnã, ser condecorado por uma tribo Massai, ou acompanhar de perto a rotina de um milionário do Burundi, na África.

Aos 28 anos, com uma sucessão de viagens com acontecimentos extraordinários e de pessoas fascinantes no currículo, o economista Gabriel Buchmann era adepto da felicidade do menos, em troca de mais liberdade e tempo. Dispensou o mercado financeiro para desbravar o mundo e tentar entender como aplicar as teorias econômicas para fazer diferença na vida das pessoas.

Suas ideias,seus ideais e princípios acabam de virar livro. Gabriel, as Montanhas e o Mundo (Autografia Editora), da jornalista Alícia Uchôa e de Fátima Chaves de Melo Buchmann, mãe do economista, é um conjunto de “causos” de viagens, histórias e impressões registradas – com destaque para a sua volta ao mundo -, em e-mails e mensagens trocadas com a família, amigos e a namorada. O lançamento com sessão de autógrafos vai ser na segunda, dia 6/11, na Livraria Argumento do Leblon, a partir das 19h.

“Desde que pisei na África dormi e comi na casa de locais, gastando de 2 a 3 dólares por dia e distribui meu orçamento diário entre as pessoas que me hospedaram e alimentaram. Tô muito feliz de estar vivendo grandes aventuras de forma sustentável, transferindo 80% dos meus gastos pra africanos pobres. Aqui, com quase nada você faz a diferença na vida das pessoas.”

Gabriel Buchmann

Nessa odisseia, encarou as montanhas do mundo e da vida de perto. Subiu os pontos mais altos de onde passava e não dispensava um por do sol. Na bagagem, a montanha de Annapurna (Nepal), Kilimanjaro (Tanzânia), Fansipan (Vietnã), Mulanje (Malaui), além do Pico da Neblina (Brasil). Visitou campos de refugiados, tribos, explorou cultura, conheceu gente, em sua máxima essência.

– Carisma, inteligência e cara de pau eram os principais elementos que faziam com que Gabriel abrisse portas que sequer chegam a ser percebidas por um turista comum. Ele era, na verdade, um incrível viajante – ressalta Alícia.

O brasileiro morreu em 2009, enquanto explorava o Monte Mulanje, no Malauí. O acontecimento ganhou os noticiários da época e, além deste livro, sua história recentemente inspirou o filme Gabriel e a Montanha, premiado em Cannes, que retrata sua passagem pela África. Em 2010, o economista viajante foi homenageado com o Prêmio Faz Diferença, em reconhecimento ao trabalho, à dedicação e talento de brasileiros que servem de inspiração para o país e o mundo.

Gabriel, as Montanhas e o Mundo tem esta intenção: inspirar cada vez mais gente a pegar a mochila para descobrir o que existe do lado de fora das grades dos apartamentos, muros das casas, do ar-condicionado dos escritórios e das telas do computador e dos celulares.

– É preciso fazer diferente: ousar, conectar-se com o outro, tirar de cada dia o melhor proveito, comungar com a Natureza, ser intenso e inteiro, resume Fátima.

As autoras reuniram mais de 70 fotos dessas aventuras mundo afora. O livro nem sempre segue uma ordem cronológica, preferiu respeitar os fatos marcantes dentro do contexto de cada destino.  Foram 38 países em 353 dias, passando pela Europa, Ásia e África. Entre eles: França, Inglaterra, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Suíça, Itália, Ucrânia, Rússia, Mongólia, China, Vietnã, Tailândia, Camboja, Laos, Índia, Nepal, Paquistão, Irã, Líbano, Síria, Jordânia, Emirados Árabes, Nairóbi, Quênia, Uganda, Tanzânia, Zâmbia e Malaui.

COM A PALAVRA, GABRIEL BUCHMANN:
“Teve um dia que ultrapassou os limites do surrealismo…Passei a manhã com duas jiboias enroladas no pescoço e brincando com umas najas gigantes com uns locais, depois, à tarde, larguei minha moto e peguei um elefante pra ir pra um cyber café pra escrever meu personal statement pra Stanford descrevendo quão nerd eu sou… Bem, a coexistência desses dois conceitos, elefante e Stanford, numa mesma serena tarde de janeiro até eu achei surreal…”

“Cada dia desde que parti tem sido uma sucessão de acontecimentos extraordinários e de pessoas fascinantes… Ontem, por exemplo, num dia corriqueiro, passei a tarde numa cachoeira de água cor de leite num parque nacional repleto de ursos e tigres com um piloto de caça canadense, um pescador do Alaska e uma médica holandesa…

“Etapa mundo comunista-ortodoxo-budista cumprida, parto pra rodar pelo mundo indiano, depois pelo pouco que me conheço, sei que não conseguirei resistir a ir pro Nepal pra cruzar o Himalaia no auge do inverno, e depois cruzo o mundo árabe – Paquistão, Irã e Síria – pra cair na África, origem dos povos e onde não faço ideia do que me espera… Já me resignei a deixar a costa oeste africana pra uma próxima viagem e farei a rota Cairo-Cape Town com o que estiver pelo caminho antes de voltar pra casa no fim de julho…”

Já caí de cavalo, quando o meu cavalo mongol caiu de cabeça num buraco coberto pela neve, me estabaquei de moto duas vezes e fui assaltado com faca em PnonPhen, mas  cheguei inteiro até aqui – só 20 quilos mais leve do que em abril e 12 do que quando comecei a viagem. No mais, to cheio de energia e disposição e cheio de garra. Pode mandar mais 10 continentes que eu mato no peito e atravesso. Neste momento da minha vida, a estrada é minha casa, e um lar, doce lar. Show de bola são os caminhos do mundo!”

AS AUTORAS

Alícia Uchôa – Jornalista e viajante, pós graduada em Marketing, já atuou em redações como o Jornal O Dia, G1, TV Globo e hoje atua como assessora de imprensa.

Fatima Chaves de Melo Buchmann – Professora de línguas, redatora e amante de viagens e leitura, foi uma das responsáveis por despertar o espírito desbravador no filho, o economista Gabriel Buchmann.

SERVIÇO

GABRIEL, AS MONTANHAS E O MUNDO 
Editora: Autografia
Autora: Alícia Uchôa e Fátima Chaves de Melo Buchmann
Páginas: 260
Formato: 16x 23 cm
Preço: R$ 59,00

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