Fluxorama no CCBB-RJ

A diretora Monique Gardenberg foi convidada por Jô Bilac para dirigir a primeira encenação completa de sua obra Fluxorama, peça que surge de um processo de investigação da dramaturgia performativa. Tomando o ato de pensar como ponto de partida, a narrativa é constituída sob a ótica de personagens que vivenciam situações-limite e tornam-se reféns do fluxo de seus pensamentos e memórias, num curso ininterrupto de consciência.

A encenação toma como alicerce essa poética. A organização gráfica das palavras no papel e a pontuação formam uma espécie de dramaturgia concreta que determina a cadência da fala. O processo de pesquisa iniciou-se em 2009 e o texto tem sido foco de análise em oficinas de dramaturgia ministradas por Jô Bilac em Recife, Petrolina, São Paulo, Acre, Florianópolis, Joinville, Natal, João Pessoa e Campina Grande. Estes estudos geraram reflexões verticais e leituras diversas sobre a mesma obra, pluralizando sentidos, evidenciando o potencial de comunicação do texto.

A primeira parte de Fluxorama estreou em outubro de 2013 na cidade do Rio de Janeiro, em paralelo com Estocolmo, Suécia. Sucesso de público e crítica, o espetáculo foi eleito entre os dez melhores do ano de 2013 e rendeu ao autor uma indicação ao Prêmio APTR 2013 como melhor texto e a sua segunda indicação como Personalidade do Teatro no Prêmio Faz Diferença 2014, pelo O Globo (que elege os profissionais do Brasil que se destacaram em suas áreas), e o convite ao dramaturgo para a feira literária na Suécia, para representar a dramaturgia brasileira.

A segunda parte da pesquisa se deu com a montagem em Londres em 2014, ampliando a linguagem performativa da encenação. A terceira parte foi concluída com a publicação da obra pela universidade de Yale e a montagem em NY em parceria com Wooster Group.

A quarta e ultima parte do desdobramento do projeto tem São Paulo como porto e a parceria da editora Cobogó para a primeira publicação do texto em português.  

Foto: Caio Gallucci
Foto: Caio Gallucci

A montagem de Monique Gardenberg conta com instalação de Daniela Thomas, trilha composta por Philip Glass, figurinos de Cássio Brasil e está dividida em quatro monólogos, quatro histórias distintas que juntas compõem o Fluxorama, que estreou em São Paulo em Julho de 2016.

No primeiro fluxo, AMANDA, interpretada por Deborah Evelyn, o público está diante de uma mulher com uma doença degenerativa misteriosa, que ao acordar se percebe surda e decide manter sigilo quanto ao seu estado. Com o passar das semanas Amanda vai perdendo outros sentidos vitais, redimensionando o tamanho da sua existência e suas escolhas na vida.

No segundo fluxo, LUIZ GUILHERME, interpretado por Luiz Henrique Nogueira, estamos diante de um acidente de carro: um homem numa estrada deserta, preso entre as ferragens do seu carro, tenta manter a consciência enquanto espera o resgate.  Através de suas lembranças mais recentes, se apega a pequenas e grandes questões que tangem sua vida, como o seu relacionamento, os bens que adquiriu, as contas a serem pagas, um balancete sem saldo final.  

No terceiro, VALQUÍRIA, vivida por Marjorie Estiano, acompanhamos uma mulher que cruza o ano correndo pela primeira vez uma maratona, a São Silvestre da São Paulo.  Ao tentar superar os limites do seu corpo, seus pensamentos surgem como flashes desconexos a medida em seu desafio se transforma numa luta pela própria auto-estima.

O espetáculo finaliza com MEDUSA, texto ainda inédito, com o ator Emílio de Mello vivendo a tentativa desesperada de uma homem de meditar em meio ao caos urbano.  Ao tentar esvaziar a mente, a busca por um sentido na vida se coloca em seu caminho.

Indo além no interesse em redimensionar o prisma de criação e discussão estética no teatro, Jo Bilac propõe analogias menos segmentadas entre as artes. De um modo geral, Fluxorama tem interesse por gráficos e imagens que escapam do cerco científico, ao prospectarem lugares e espaços impossíveis (dentro e fora da cabeça). Os 4 fluxos se convergem para um único espetáculo, criando amarração entre o subversivo social e a intimidade da mente. Fluxorama se propõe a uma reflexão a respeito do homem contemporâneo e o fluxo da vida, que corre acima de sua existência, o tempo inexorável e os limites físicos (que revelam nossa condição animal perecível) se contrapõe com a capacidade do homem de se angustiar com a grandeza da sua própria existência.

FLUXORAMA

CCBB Rio – Teatro I (175 lugares)
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro
Telefone: (21) 3808.2020 | www.bb.com.br/cultura
Twitter.com/ccbb_rj | facebook.com/ccbb.rj

Quinta a Domingo às 19h
Ingressos: R$ 20
Duração: 80 minutos
Recomendação: 14 anos
Estreou dia 22 de Julho de 2016 em São Paulo

Estreia dia 26 de Janeiro de 2017

Temporada: até 12 de Março

Ficha Técnica:
Texto: Jô Bilac
Direção: Monique Gardenberg
Com: Deborah Evelyn, Emílio de Mello,
Luiz Henrique Nogueira e Marjorie Estiano
Música Original: Philip Glass
Cenário: Daniela Thomas e Felipe Tassara
Figurino: Cassio Brasil
Iluminação: Monique Gardenberg
Coordenação Cenografia: Camila Schmidt
Imagens Projeção: Albino Papa
Assistente de Direção: Mila Portella
Assistente de Direção em Valquíria: Kiko Mascarenhas
Preparação Corporal em Valquíria: Renata Melo
Programação Visual: Vicka Suarez
Fotos: Caio Gallucci
Redes Sociais: Cubo Web (Dani e Luciano Angelotti)
Produtoras: Selma Morente e Célia Forte
Produção local RJ: Ciranda de 3 Trupe Produções / Dadá Maia
Assistente de Produção: Bárbara Santos
Produção: Morente Forte Produções Teatrais

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