Dez anos. Dez longos anos. Esse foi o tempo que Final Fantasy XV demorou para ser desenvolvido. Com mudanças de títulos, plataformas e equipes, foi um jogo que deixou fãs da franquia preocupados, afinal, seu antecessor, Final Fantasy XIII (o XIV é um RPG Online) não foi bem recebido e sofreu duras críticas. Vale lembrar que o game era inicialmente conhecido como “Final Fantasy versus XIII” e seria lançado para Playstation 3, porém decidiram adiar e reformular o jogo, o lançando para Playstation 4 e Xbox One. Todo esse tempo valeu a espera?

A história de FF XV gira em torno da guerra entre duas nações: uma conhecida como Império e a outra como Reino de Lucis. É um mundo mágico, habitado por demônios que circulam a noite e deuses que dormem em diversos cantos do mundo. Aparentemente o império utiliza tais demônios para desenvolver armas Magitek, obviamente possuindo a ambição de dominar o mundo. Apenas uma cidade resiste às investidas da força imperial, através da mágica do Cristal, que é canalizada pelo Rei Regis, pai do protagonista Noctis.

Final Fantasy XV
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O jogo começa com Noctis e seus quatro companheiros Gladiolus, Ignis e Prompto na estrada, empurrando o carro (e também personagem) Regalia. Logo no início da trama o imperador consegue matar o pai do protagonista e dominar praticamente todo o continente, cabendo ao protagonista juntar as armas mágicas e também contar com o auxílio das entidades divinas, para recuperar a força do cristal.

Final Fantasy XV é uma aventura de quatro amigos na estrada, isso é um fato inegável. Contando com um mundo aberto enorme e diversas missões secundárias, você controla Noctis com total liberdade, de carro, a pé ou montado nos clássicos Chocobos. A total liberdade no início da trama dá uma roupagem nova aos jogos da série Final Fantasy, marcados geralmente por tramas lineares que se tornavam livres praticamente no meio/fim. Inclusive essa era a principal crítica à Final Fantasy XIII, que tinha 90% da trama totalmente linear.

Final Fantasy XV
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Os quatro personagens são carismáticos e possuem diálogos bem humorados, personalidades próprias e fazem diversas referências aos jogos da série. Os gráficos são ótimos, especialmente da plataforma Playstation 4, deixando qualquer jogador de boca aberta, tanto pelo tamanho do mundo quanto pelos detalhes das criaturas. A trilha sonora complementa a obra, tendo como destaque o tema principal e a música das batalhas.

Falando em lutas, esse é um dos pontos fortes do jogo; totalmente reformulado, o sistema de batalha é dinâmico e rápido, lembrando um action rpg em alguns momentos. O jogador controla Noctis, deixando os outros três a cargo da CPU. As magias funcionam como itens, sendo equipadas nos slots disponíveis para as armas, que são quatro no total. Cada inimigo possui vulnerabilidade e resistência a determinadas armas e elementos, então é necessário troca-las constantemente durante as batalhas. Outro ponto de destaque é a capacidade de utilizar as armas como teleporte, arremessando-as e logo depois indo atrás; isso dá um ar de estratégia a cada luta, sendo necessário se posicionar para saber os melhores lugares utilizar a técnica.

Final Fantasy XV
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Porém nem tudo são rosas e FF XV peca em alguns aspectos, especialmente nos capítulos finais, que parecem terem sido encaixados às pressas. Embora os personagens principais sejam o foco, percebe-se que muitos outros, inclusive uma das principais, Lunafreya, possuem diálogos pequenos e histórias resumidas. O vilão principal tem uma história interessante, porém mal contada e corrida. Foram prometidas mudanças em relação a isso em atualizações futuras.

A história se torna confusa em alguns pontos, sendo recomendável assistir outras mídias antes de entrar de cabeça naquele mundo. Talvez para os fãs não seja um grande problema, porém para quem nunca jogou, possa representar um empecilho, tendo em vista que o próprio jogo em sua tela de abertura menciona que é um “Final Fantasy para o fãs antigos e os novos”. De qualquer forma, vale a pena assistir o longa animado “Final Fantasy XV: Kingsglaive” e os 5 episódios do anime “Final Fantasy XV: Brotherhood”.

Final Fantasy XV
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Embora possua alguns problemas, FF XV é um ótimo jogo. Parece que a Square Enix ouviu os fãs e conseguiu trazer a fantasia para a nova geração. Se você é fã da série clássica que foi famosa no SNES e no Playstation 1, não espere aquela roupagem, pois é um novo jogo e traz para as telas um mundo aberto lembrando GTA e também quests e outro elementos que lembram Witcher 3. O velho sistema de turnos parece não ser uma tendência atual, e talvez fosse necessário repensá-lo.

Final Fantasy XV é um jogo sobre amizade. Sobre quatro amigos inseparáveis, andando pela estrada e precisando enfrentar diversos desafios, até mesmo entre si. Desde a primeira cena do jogo até a última (que por sinal é lindíssima), fica claro que é uma história sobre fraternidade e dedicação. E nisso, FF XV conseguiu de forma mais que satisfatória. Você verá magias clássicas como Fire, Ice e Thunder, invocações como Bahamut e Ramuh, além de criaturas clássicas da série, porém é apenas um segundo plano perto da história de Noctis, Ignis, Gladiolus e Prompto.

Ficha Técnica:
Ano: 2016
Título: Final Fantasy XV
Produtora: Square Enix
Plataforma(s): Playstation 4, Xbox One, PC (2018).

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Patrick “Rick” Ribeiro – Arquivista nas horas vagas. Viciado em Games, Cinema, Séries de TV e Livros. Escreve sobre games aqui pois acha que são a maior sopa cultural de todas.

  • Lobo

    Patrick, é esse nível de sensibilidade que muitos hardcore gamers não tem mais, infelizmente. Pra mim FFXV foi a experiência mais memorável desse ano, seguida do impactante The Division. Espero que as expansões mantenham ou superem o nível da narrativa! 🙂