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junho 24, 2019
Teatro & Dança

Festival Atos de Fala chega à sua quinta edição com o mote Escapar do Capataz

Modedores - de Marcela Levi e Lucía Russo - foto: Renato Mangolin
Modedores - de Marcela Levi e Lucía Russo - foto: Renato Mangolin

Conectando artistas brasileiros, suíços e alemães o AdF.19 ocupa o Centro Coreográfico, na Tijuca, com performances, palestra-intervenção, exposição e laboratório artístico.

De 28 de maio a 02 de junho o Centro Coreográfico será o ocupado (teatro, estúdio, LOFT, galeria e saguão) pelo  Atos de Fala, festival híbrido que mescla exposição, performances, palestra-intervenção e laboratório artístico apresentados por renomados artistas nacionais e internacionais. Idealizado, dirigido e curado por Felipe Ribeiro e Cristina Becker, a quinta edição do festival traz como mote “Escapar do Capataz”. “O capataz é essa forma mascarada de poder que se institui em várias esferas do nosso país mas também pelo mundo, e que nos remete à pergunta: como escapar de seus tentáculos? Os artistas e obras foram convidados, cada um à sua maneira, a manterem essa pergunta ativa”, destaca o curador Felipe. O Atos de Fala este ano acontece ao redor do laboratório Devorar e ser devorado, que teve início em Zurique, em abril. A ação levou artistas brasileiros ao festival zürich moves! e agora chega a sua etapa final no Rio sacramentando essa importante troca artística entre Brasil e Europa.

Fortaleza 2040, de Andréia Pires, abre a edição AdF.19, no dia 28 de maio, às 20h. A peça, que conta com a colaboração e orientação de Alejandro Ahmed (grupo Cena 11), parte do plano diretor da cidade cearense, para justamente repensar a noção de cidadania, seus valores e símbolos. Fortaleza 2040 integra o que a artista denomina de Constituição Coreográfica Criminosa.

Se Andréia Pires pensa a arte e o crime, Simone Aughterlony se preocupa com a política de polícia que abunda nas práticas neoliberais. A artista radicada na Suíça, apresenta no dia 29 de maio às 19h a palestra-performance “Do desgoverno como forma de administração à permanência estranha: a prática de performance em contextos de contradição”

Carolina Bianchi, que recentemente esteve nos palcos cariocas com o espetáculo Lobo, retorna ao Rio em um solo inédito e comissionado pelos curadores. A artista apresenta no dia 30 de maio às 20h O Lugar da Ferida, uma aula de história irresponsável e libidinosa a partir do estudo da fisionomia de personagens femininas – como Joana D´Arc e a poeta americana Emily Dickinson – que revira nossa chaga colonial e seu legado patriarcal. Neste mesmo dia, às 19h, contamos com I’m gonna need another one, experimento performático de Jen Rosenblit em que a artista se utiliza de diferentes objetos para afirmar o desmoronamento de tudo o que se apresenta sólido, e a cruel persistência dos fragmentos.

No dia 31 de maio duas atrações que estiveram no Festival zürich moves!, na Suíça, ocupam a programação. Às 19h, Victor Oliveira traz a performance Pôr Nu ao AdF, investigando relações de proximidade radical, onde a subjetividade da plateia é confrontada com um corpo nu, em estado de emergência. Às 20h, Wellington Gadelha apresenta Gente de Lá, um solo de dança contemplado pelo Rumos Itaú Cultural e que tem como material dramatúrgico a sobrevivência do corpo preto-urbano-favelado, indo desde as chacinas cotidianas na cidade de Fortaleza até o massacre estrutural da população negra no país. Gente de Lá compõe ainda a plataforma Afrontamento, da qual Gadelha é fundador.

Completando o time de artistas que apresentaram seus trabalhos na Suíça, à ocasião da primeira fase do laboratório, Marcela Levi e Lucía Russo ocupam o fim de semana do festival com a nova formação deMordedores, nos dias 01 e 02 de Junho. A peça que estreou em 2014 é remontada à luz dos enormes ruídos de comunicação atuais e as selvagerias produzidas pela boca.

Compass é a montagem internacional que encerra o festival. A peça de Simone Aughterlony, e das croatas Petra Hrašćanec & Saša Božić, se apoia no nomadismo dos marinheiros para construir sua percepção e poética.

Durante todos os dias do festival, o saguão do Centro Coreográfico abriga a instalação fotográfica de Flávia Naves “Quem Matou Marielle¿\Quem mandou matar Marielle?”. Há mais de um ano, a artista imprime esta frase em stencil em todas as suas roupas vivendo sob o efeito desta pergunta. Agora, a performance entra em um segundo momento, e Naves frequenta pontos turísticos com um totem que traz seu corpo com a pergunta estampada e a cabeça vazada. O objeto, comum em atividades lúdicas, onde pessoas se fotografam em outro corpo, ganha agora qualidades contraditórias. O público de AdF.19 poderá ter acesso às fotografias que registram diferentes momentos da ação.

O encerramento traz ainda uma programação musical especial. Radicado na Suíça, o artista negro Ivy Monteiro apresenta sua performance-mixtape onde exercita o afrofuturismo como uma forma de reverenciar seus antepassados. Intitulada Trinta y Dois Igual a 5, esta performance precede o baile de Voguing encabeçado pela Casa de Cosmos. Esta programação acontece no Centro de Arte Maria Teresa Vieira, localizado na Rua da Carioca, 85 – Centro. A programação completa está no site atosdefala.com.br.

Esta troca entre festivais só se tornou uma realidade graças ao apoio da Pro Helvetia por meio do seu programa Coincidência, da swissnex Brazil e do Goethe-Institut Rio de Janeiro, três instituições que se demonstraram comprometidas não apenas em promover suas artes no Brasil, mas principalmente com o fortalecimento dos laços entre nossos artistas e os artistas radicados na Suíça e na Alemanha. O Festival considera a mudança de abrangência de foco dessas instituições como seminais no desenvolvimento das relações bilaterais entre os países, e de especial responsabilidade neste momento político em que vivemos. “O momento atual força-nos, enquanto festival, a pensar em uma maior internacionalização de nossos artistas. Atos de Fala considera este intuito tão importante quanto a presença de peças estrangeiras em sua programação. Afinal, é missão do festival encontrar maneiras para que a arte brasileira siga persistindo e colocando-nos suas questões”, finaliza a curadora Cristina Becker

Festival Atos de Fala
Atos de Fala é uma plataforma de estudos e arte de performance que desde 2011 tem no formato de festival sua principal realização. Idealizado por Felipe Ribeiro e Cristina Becker, este evento toma seu nome emprestado do termo do linguista John Austin. Através dele percebemos a arte pelo que ela faz agir.

A missão é criar demanda por formatos híbridos, fortalecer o trânsito artístico, e discutir motes de relevância global e local. Nestes oito anos de existência completamos cinco edições com os seguintes motes: AdF.11 – Documentos e Intimidades; AdF.14 – Geografias da Diáspora; AdF.16 –  Volta à Futuridade; AdF.crise – A Besta e o Soberano; e atualmente AdF.19 – Escapar do Capataz. A cada edição o festival amadurece seus propósitos mantendo-se atento aos contextos nos quais está inserido e com os quais consegue estabelecer diálogo. Como a periodicidade indica, o festival acontece a cada 18 meses.

SERVIÇO:
Temporada: 28 de maio a 02 de junho
Local: Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro
Endereço: Rua José Higino, 115 – Tijuca

PROGRAMAÇÃO
www.atosdefala.com.br

28/05 (terça-feira)

Fortaleza 2040 \ Andréia Pires (Teatro Angel Vianna)

Hora: às 20h

Duração: 60 minutos

Ingressos: R$30\R$15

Faixa etária: 14 anos

29/05  (quarta-feira)  

Do desgoverno como forma de administração à permanência estranha: a prática de performance em contextos de contradição\palestra-intervenção Simone Aughterlony.  (Teatro Angel Vianna)

Hora: às 19h

Duração: 90 minutos

Ingressos: entrada gratuita com distribuição de senhas 1h antes

Faixa etária: 16 anos

30/05  (quinta-feira)

I’m Gonna Need Another One (fragmento de monólogo reordenado)\Jen Rosenblit (Estúdio)

Hora: às 19h

Duração: 30 minutos

Ingressos: entrada gratuita com distribuição de senhas 1h antes

Faixa etária: 14 anos

O Lugar da Ferida\Carolina Bianchi y Cara de Cavalo (Teatro Angel Vianna)

Hora: às 20h

Duração: 60 minutos

Ingressos: R$30/R$15

Faixa etária: 18 anos

31/05 (sexta-feira)

Pôr Nu\Victor Oliveira (Galeria)

Hora: às 19h

Duração: 30 minutos

Ingressos: entrada gratuita com distribuição de senhas 1h antes

Faixa etária: 18 anos

Gente de Lá \Wellington Gadelha (Teatro Angel Vianna)

Hora: às 20h

Duração: 50 minutos

Ingressos: R$30/R$15

Faixa etária: 14 anos

01/06 (sábado)

Mordedores \Marcela Levi e Lucía Russo (LOFT)

Hora: 19h

Duração: 50 minutos

Ingressos: R$30/R$15

Faixa etária: 12 anos

Performance + Festa: Trinta Y Dois Igual a 5 – Ivy Monteiro + Baile de Voguing

Local: Centro de Arte Maria Teresa Vieira

Endereço: Rua da Carioca, 85 – Centro

Hora: a partir das 22h

Duração: 35 minutos (performance) – a festa seguirá até as 5h

Ingressos: R$10 com nome na lista amiga / R$15 sem nome na lista

Faixa etária: 18 anos

02/06 (domingo)

Mordedores\ Marcela Levi e Lucía Russo (LOFT)

Hora: às 18h

Duração: 50 minutos

Ingressos: R$30/R$15

Faixa etária: 12 anos

Compass – Simone Aughterlony, Petra Hrašćanec & Saša Božić (Teatro Angel Vianna)

Hora: às 19h

Duração: 60 minutos

Ingressos: R$30/R$15

Faixa etária: 16 anos

**Durante todos os dias de programação

 Quem mandou matar Marielle? – Flávia Naves (saguão do Teatro Angel Vianna)

Exposição fotográfica sobre os desdobramentos da intervenção artística “Quem mandou matar Marielle?”.

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