Ferrugem lança nesta sexta feira o clipe de seu novo single “Minha Namorada”.

Mais um disco, mais um sonho, mais uma realização – nada vem por acaso, e Ferrugem bem sabe disso. Um dos mais luminosos talentos com que o samba carioca brindou seu público nos últimos anos, Jheison Failde de Souza deu as caras na cena com uma voz inconfundível, melodia de sobra e muito alto astral. Quem ouviu sua “Climatizar” (e quem não ouviu?) logo se deixou levar – e ficou querendo bis. Pois chegou a hora: o cantor e compositor volta agora com “Seja o que Deus quiser”, o segundo disco que a rapaziada toda estava esperando.

Com 28 anos de idade, 16 anos de estrada e cinco de carreira firme, além de muita ralação no currículo, o garoto de Campo Grande vive aquela vida de quem compreende os desígnios superiores e não despreza os avisos do cara lá de cima. “Deus abençoou e tocou a gente”, diz Ferrugem, fiel aos seus princípios, sempre agradecido por tudo que recebeu e, claro, e preparado para tudo o que virá. E ele não chega sozinho em “Seja o que Deus quiser”, sua benção em forma de disco: lá estão com ele os amigos de sempre, seguindo a máxima de que em time que está ganhando não se mexe.

André Renato, co-autor de “Ensaboado” e de outras músicas do CD de estreia, deixa sua assinatura (junto com a de Delcio Luiz) agora na animada e esperançosa faixa-título do novo disco (“eu quero viver a vida inteira com você / vamos seguir, na mesma fé na mesma estrada”). E ele está também (com Rhun André) na primeira música de trabalho do álbum, “Eu sou feliz assim”. Sucesso logo de cara, o novo samba de Ferrugem vai na contramão da ostentação e da ilusão das músicas da moda. O cantor encarna o sujeito simples, que deixa tudo – internet celular e pão francês – de lado se puder viver uma grande amor. “Eu não preciso tanta coisa / o nosso amor já faz tão bem pra mim”, canta.

Muito romântico, o sambista preferiu puxar um pouco o freio nas músicas de tiração de onda e de exaltação da sensualidade em “Seja o que Deus quiser”. “O público feminino aumentou muito, antes eu fazia shows para os músicos, para a rapaziada”, justifica-se. O que ele não abriu mão foi de continuar contando histórias reais, acontecidas com a sua pessoa ou não. O doce samba “Você e eu” (de Ferrugem e Alcir Freitas), por exemplo, é sobre sua ex-mulher, mãe da sua filha, Juliana, que morreu em 2015 e a quem o disco é dedicado. Trata-se de uma emocionante ode à esposa que deixou de viver os seus próprios sonhos para viver o do marido. “E agora que eu consegui / tudo o que eu te prometi / vejo o pior acontecer, sem mais nem menos / Deus tirou você de mim, ai que triste fim”, lamenta-se ele, mas sempre vendo o outro lado da moeda: “Eu sei que um dia eu vou te encontrar / e para sempre eu vou te abraçar”. É difícil conter as lágrimas.

Lincoln de Lima, produtor do disco, sócio de Ferrugem e companheiro que estava lá desde a sua primeira música gravada, marca forte presença em “Seja o que Deus quiser” – com a terna “Um casal”, com o samba tradicional “Pelo amor de Deus” (“no jogo eu nunca tive sorte / mas eu me decidi / vou me jogar pra ver qual é”), com “Você é de Deus” (na qual Ferrugem divide os vocais com o astro Suel) e com a gaiata “Eu te homenageava”, samba sobre a imortal prática do cinco-contra-um (“confessei pra você / que era de segunda a sexta escondido no banheiro lá em casa / eu te homenageava”). Ele ainda ajudou o cantor a recuperar “Mar de felicidade” (de André Renato e Felipe Silva), um samba reluzente, que vem a ser a primeira música que o cantor gravou, em 2007, lá no velho estúdio do seu produtor de fé.

Sem preconceito contra qualquer estilo musical – para ele, só existem dois tipos música, a boa e ruim – Ferrugem ataca ainda no novo disco com “Eu juro” (de Diogo Melim, Rodrigo Melim e Gabriel Cantini), um samba romântico que esbarra no sertanejo, com direito a sanfona e tudo mais. Em “Viver para amar” (outra composição do cantor com Alcir Freitas), ele injeta um pouco de soul no partido-alto. E em “Minha namorada”, apresenta a dupla de compositores Cleitinho Persona e Lucas Morato (filho do seu ídolo, o cantor Péricles), que dá ao disco alta dose de romantismo, falando de um amor com espírito adolescente (“põe a sua mão na minha / acho que essa vez é pra valer / já pensou num dia de chuvinha / nós dois dormindo de conchinha?”). O nível de paixão envolvida chega ao ápice com “Pela última vez” (Suel e Alan Lima), uma arrasadora balada de piano sobre um fim de caso que inexoravelmente se aproxima (“deixa o amor sorrir / antes de sermos ex”).

Mas, pra quem não dispensa um samba, samba mesmo, o disco ainda tem bastante o que mostrar, tanto em “Vira casaca” (de Pezinho e Billy SP), em que o cantor versa sobre o inesgotável tema das sogras (“a sua mãe falava esse pagodeiro / sem futuro e sem emprego / como vai lhe sustentar / agora chega sorridente no pagode / ela canta o meu samba até o dia clarear”) quanto em o “Som do tambor” (Tiee, Claudemir e Diney), um partido-alto dos bons. Sambista por vocação e direito, Ferrugem entra com o pé direito em mais um capítulo de sua vida. E seja o que Deus quiser!