Exposições “Do pó ao pó” e “Fa Pianger e Sospirare” no Museu da República

Do pó ao pó - Galeria do Lago
Do pó ao pó - Galeria do Lago

As duas novas exposições que ocupam espaços no Museu da República, até o dia 20 de agosto, guardam em comum o fato de ambas remeterem, de alguma forma, à história do lugar. Em “Do pó ao pó”, o artista Zé Carlos Garcia lança, na Galeria do Lago, um questionamento sobre a importância dos bustos que “povoam” os corredores do museu, com suas montagens de pedras sedimentares que se assemelham a figuras humanas sem identidade. Já o artista visualAlessandro Sartore, propõe, com sua instalação “Fa Pianger e Sospirare”, montada no Coreto, uma volta à sua função regressa. A curadoria é assinada por Isabel Sanson Portella e a abertura acontece no dia 13 de maio, a partir das 16h, com food trucks e bebidinhas do Hostel Contemporâneo.

“DO PÓ AO PÓ”
Morador de Nova Friburgo, o artista Zé Carlos Garcia começou a selecionar pedras que tivessem alguma identificação com os rostos humanos há mais um menos um ano atrás. O resultado deste garimpo pode ser conferido na exposição “Do pó ao pó”, totalizando cerca de 18 peças de pedra que remetem a bustos, na Galeria do Lago.

“Minha ideia é instigar o questionamento sobre os bustos de figuras consideradas importantes, mas que hoje ninguém sabe quem são. Por que devemos louvá-los?”, provoca Zé Carlos Garcia. Uma curiosidade: o Museu da República possui a maior coleção de bustos de todos os presidentes do Brasil na 1ª República.

“O trabalho do Zé Carlos Garcia promove a reflexão sobre diversas questões e simbolismos que acompanham o ser humano desde sempre. Vida e morte, permanência, deterioração, pedra e pó são algumas das instigantes propostas exploradas pelo artista visual, ao retomar sua pesquisa sobre monumentos urbanos, representados por ele como bustos em pedra sedimentar”, afirma a curadora Isabel Sanson Portella.

“FA PIANGER E SOSPIRARE”
Alessandro Sartore foi buscar na sua própria memória a música reproduzida dentro do Coreto onde monta a sua instalação “Fa pianger e sospirare”. O nome da exposição foi tirado de um trecho da canção italiana “Quel Mazzolin Di Fiori”, que Sartore ouvia na casa da família de ascendência italiana quando criança.

“Idealizei a manipulação do espaço de forma que ele voltasse a ter uma função regressiva, já que o público terá que adentrar o coreto para ouvir a música e visualizar a obra composta por luzes que emanam de uma gambiarra dourada, fumaça e uma bailarina de porcelana no centro de um banco. Se para ouvir música o público antigamente se reunia do lado de fora, agora terá que adentrar a construção existente para vivenciar outra forma de arte. Pretendo acionar, ao mesmo tempo, as memórias afetiva, visual e auditiva dos visitantes”, explica Alessandro Sartore.

“Sartore gosta de pensar na manipulação dos espaços como uma equação matemática. Imagina todas as informações agregadas ao seu trabalho como dimensões. São mais do que camadas sobrepostas, são planos cuidadosamente organizados que constroem espaços tridimensionais. Em ‘Fa Pianger e Sospirare’, percebemos claramente os diversos planos com que o artista construiu sua equação. A delicada porcelana, a luz, a fumaça e a música trazem para dentro do espaço o encantamento que antes dele saía”, explica a curadora, Isabel Sanson Portella.

MUSEU DA REPÚBLICA
ENDEREÇO: Rua do Catete, 153, Catete,  Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2127-0334
Abertura de duas novas exposições no museu: 

“Do pó ao pó” – Zé Carlos Garcia constrói “bustos” sem identidade com pedras sedimentares.
Data: 13 de maio a 20 de agosto de 2017
Local: Galeria do Lago
Horário de funcionamento: de terça a sexta das 10h às 12h e das 13h às 17h
sábados, domingos e feriados das 13h às 18h
ENTRADA FRANCA

“Fa pianger e sospirare” – Alessandro Sartore apresenta instalação de porcelana, luz, fumaça e música.
Data: 13 de maio a 20 de agosto de 2017
Local: Coreto do Museu da República
Visitação: de terça a domingo, das 10h às 16h30
ENTRADA FRANCA