Exposição reúne mais de 1.300 brinquedos artesanais do nordeste na Caixa Cultural

Mostra já recebeu mais de 100 mil visitantes e passou por cinco cidades brasileiras. A entrada é franca

Foto: Thiago Sabino
Foto: Thiago Sabino

Depois de passar por Salvador​, Curitiba, São Paulo, Brasília e Fortaleza, onde atraiu mais de 100 mil visitantes, a exposição Brinquedos à Mão – Coleção Sálua Chequer, chega à CAIXA Cultural Rio de Janeiro. O acervo de mais de 1.300 objetos utilizados pela infância de antigamente e ainda muito presentes nas comunidades interioranas do Nordeste brasileiro, reunido pela pesquisadora de cultura popular baiana e curadora Sálua Chequer, ficará aberto à visitação de 18 de dezembro de 2016 a 19 de fevereiro de 2017. O projeto tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e Governo Federal.

O artista visual Zé de Rocha assina a curadoria junto com Sálua, que em fevereiro de 2017 estará no Rio de Janeiro para realizar oficina e visita guiada, respectivamente, nos dias 10 e 11 (sexta-feira e sábado). Além das unidades da CAIXA Cultural nessas cidades, a exposição também foi exibida no Palacete das Artes/Museu Rodin, em Salvador (BA), este ano.

Pouco conhecidos das crianças dos grandes centros urbanos de hoje, os brinquedos foram feitos à mão por artesãos que transformam barro, pedaços de pau e de pano, latas de óleo e caixas de papelão em objetos capazes de despertar emoções e fantasias, estimulando a criatividade e a afetividade.

As crianças que forem à exposição poderão saciar a vontade de brincar no espaço chamado de Cantinho do Brincar, com objetos lúdicos como cinco marias, pula corda, bolinhas de gude e piões, entre outros. “Em cada lugar que passei com a exposição tive a possibilidade de ver reações e depoimentos surpreendentes de adultos e crianças e estou nessa expectativa com relação ao Rio por ser um grande centro cultural, uma outra região, geograficamente falando, e um outro público. Mas criança é criança em qualquer lugar do mundo e o encantamento existe onde ela estiver”, afirma Sálua, que virá pela primeira vez à cidade.

Foto: Thiago Sabino
Foto: Thiago Sabino

A exposição:
As peças que compõem a exposição foram coletadas ao longo dos últimos 30 anos, durante pesquisas de campo de Sálua Chequer, em diversas cidades do interior e nas capitais. Os brinquedos foram adquiridos de artesãos, presenteados por amigos e garimpados em feiras livres de Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Piauí.

Para chegar ao formato final da mostra, os curadores levaram em conta o diálogo entre três olhares: de quem criou o brinquedo, da colecionadora e do espectador que se encanta com o objeto. Em foco, a recuperação da importância e do valor pedagógico dos brinquedos populares como referência para as antigas e as novas gerações.

Expostos em suportes diversos, os brinquedos não são apresentados como peças de museu: convidam ao movimento, representam cenas do cotidiano e utensílios de trabalho, como pequenos moedores de cana-de-açúcar, carro de boi e moinhos de água. Há ainda mobílias de madeira e miniaturas de utensílios domésticos para a tradicional brincadeira de casinha, além de brinquedos mais conhecidos, como pula corda de sisal, peteca e piões, e peças indígenas como barquinhos à vela e boneco de pena e argila.

Alguns brinquedos poderão ser manuseadas por adultos e crianças que visitarem a exposição. Segundo o curador e artista visual Zé de Rocha, o brinquedo popular traz em si o encantamento dos jogos lúdicos. Não são objetos criados para o deleite visual, são vetores que incentivam a interação e a troca. “Um simples pedaço de pano ou madeira tem a capacidade de, numa simples brincadeira, criar mundos e transformar vidas”, diz.

Sálua Chequer (foto: Rodrigo de Oliveira)
Sálua Chequer (foto: Rodrigo de Oliveira)

A colecionadora:
Nascida em Ibirataia, região cacaueira da Bahia, Sálua Chequer é educadora, musicista, pesquisadora e brincante. Desde 1980, atua na área da cultura popular e logo observou a presença marcante dos brinquedos artesanais em feiras livres e mercados populares do interior. Fascinada pelo colorido, pelas formas e pelo entusiasmo dos artesãos, começou a adquirir alguns brinquedos. Mas não bastava tê-los: era preciso saber quem fez, para quem fez e porque fez.

O interesse foi crescendo e Sálua decidiu fazer Mestrado em Arte, Educação e Gestão Cultural, tendo como objeto de pesquisa o Brinquedo Popular, pela Universidad Internacional Menéndez Pelayo (UIMP)/Instituto de Educação Brasil-Espanha (IEBE). A curadora tem Licenciatura em Música pela Universidade Católica de Salvador e Graduação em Eventos pela Universidade Salvador. É também fundadora e diretora artística do grupo musical Camerata Popular do Recôncavo. Desenvolveu e avaliou projetos de cultura popular, além de participar de palestras e oficinas nessa área.

Oficina e visita guiada:
Voltada para educadores, a oficina Resgate de Brincadeiras Tradicionais, Parlendas e Estórias será ministrada pela curadora Sálua Chequer no dia 10 de fevereiro de 2017 (sexta-feira), em duas turmas, pela manhã e à tarde, com 30 vagas cada. A Turma 1 será das 10h às 12h, e a Turma 2 das 15h às 17. As inscrições acontecerão entre 10 e 31 de janeiro, pelo e-mail producao@trevoproducoes.com.br. A produção solicita a contribuição de 1Kg de alimento não perecível para participar da oficina. E a visita guiada será no dia 11 de fevereiro (sábado), às 15h, com entrada gratuita.

Serviço:

Exposição Brinquedos à Mão – Coleção Sálua Chequer
Entrada Franca
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Galeria 3
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô e VLT: Estação Carioca)
Informações: (21) 3980-3815
Abertura: 17 de dezembro de 2016 (sábado), às 17h
Visitação: de 18 de dezembro de 2016 a 19 de fevereiro de 2017
Horário: terça-feira a domingo, das 10h às 21h
Outras informações: https://www.facebook.com/BrinquedosaMao
Classificação etária: Livre
Acesso para pessoas com deficiência