20.6 C
Rio de Janeiro
novembro 20, 2018
Exposição

Exposição ‘Preto Branco’ no Espaço Furnas Cultural

A albina Marcia Maira (Morinha) com sua inseparável prima e melhor amiga - foto: Davy Alexandrisky
A albina Marcia Maira (Morinha) com sua inseparável prima e melhor amiga - foto: Davy Alexandrisky

Comemorando 50 anos de carreira, o fotógrafo Davy Alexandrisky apresenta no Espaço Furnas Cultural a exposição individual “Preto Branco”, resultado de sua imersão no cotidiano do continente Africano e da sua luta pelos direitos da população albina.

‘Preto Branco’ é uma exposição de fotografias com viés humanitário. Comovido com a situação dos albinos e, em especial, dos albinos moradores nas fronteiras de Moçambique e da Tanzânia, o fotógrafo Davy Alexandrisky partiu para a “Terra Mãe” com o propósito de retratar um verdadeiro drama mundial que afeta diariamente a luta pelos direitos humanos. Pelo olhar de suas lentes, optou por mostrar poética e plasticamente o enfrentamento do albino pelo respeito a seu direito inalienável de viver, denunciando adversidades tamanhas.

“Os albinos enfrentam graves problemas sociais e de saúde, consequência da simples impossibilidade fisiológica que seus corpos têm de produzir a melanina. O caráter dessa não faculdade inata, em suas relações, tem como resultado o bullying, o preconceito, a propensão a gravíssimas doenças dermatológicas e oftalmológicas e, o mais alarmante, a ameaça as suas vidas. Preto Branco, exposição cujo nome foi escolhido consensualmente com albinos africanos, é inspirada num verso do poeta moçambicano Daniel Segundo Wate, que diz que somos almas pretas em carne branca. É o desdobramento de um projeto de pesquisa que nasce na intenção de um grito de alerta poético a fim de sensibilizar pessoas dos quatro cantos planeta sobre as realidades em que vivem os albinos, especialmente, da necessidade da mobilização mundial pela defesa dos direitos humanos destes na África. Sabe-se que, neste continente, os albinos são caçados e mutilados para que pedaços de seus corpos sejam utilizados em rituais de feitiçaria, para, supostamente, atender às demandas de curas e prosperidade econômica das pessoas que encomendam esses rituais. Em outras palavras, uma triste realidade!”, nos relata o fotógrafo.

Davy já conta com um acervo de aproximadamente mais de mil fotografias produzidas em 2017, em duas incursões ao continente Africano. Trata-se de um especialista da estética dos cotidianos que, com uma sensibilidade ímpar, vem colhendo o fruto dos seus trabalhos, sendo reconhecido nos últimos anos como uma das referência da fotografia artística no Brasil. E as provas deste título são inúmeras. A exposição é inédita no Brasil e o Itamaraty já vem articulando a possibilidade de levar as obras para o circuito PALOP, os países africanos de língua oficial portuguesa, como Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, além da Tanzânia, a primeira Embaixada fora de Moçambique a solicitar a visita da exposição.

O mergulho no universo da estética dos cotidianos é resultado de uma experiência vivida pelo fotógrafo em 2009/2010, quando, à época, coordenou o programa “Conexões Ponto a Ponto”, uma iniciativa do Ministério da Cultura que visava a troca de experiências a partir de parcerias entre pontos de cultura. Essa parceria, em especial, promoveu o encontro entre o Ponto de Cultura “Me Vê na TV”, coordenado por Davy, com o Ponto de Cultura do Quilombo São José da Serra. Entusiasmado com a novidade vivenciada no ambiente de cultura de matriz africana, Davy inscreveu-se então no edital “Interações Estéticas”, da FUNARTE, com o objetivo de fazer uma residência de três meses visando a troca de linguagens. Contemplado com o prêmio, desenvolveu oficinas de foto e vídeo no Quilombo São José da Serra e partilhou seu olhar de fotógrafo com os moradores da localidade, produzindo mais de mil fotografias que foram incorporadas ao acervo iconográfico da comunidade. Um dos resultados mais expressivos dessa experiência foi a exposição “Quilindo Quilombo”, que também fez passagem nas galerias do Espaço Furnas Cultural no ano passado.

A exposição “Preto Branco” conta com o patrocínio exclusivo de Furnas e Alexandrisky agora se prepara para o lançamento do livro homônimo à exposição, promovido com recursos da nova Lei de Incentivo à Cultura do Município de Niterói. Sem dúvida alguma, um ano de muita comemoração, que deságua na doçura e na luta de um artista com meio século de vida dedicado a duas de suas maiores paixões: a fotografia e o ser humano.

Serviço

Exposição: Preto Branco, por Davy Alexandrisky.
Local: Espaço Furnas Cultural (Rua Real Grandeza, 219 – Botafogo – RJ).
Abertura: dia 25 de outubro, das 19h às 22h.
Visitação: de 26 de outubro até 30 de dezembro; de terça à sexta das 14h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 14h às 19h.
Entrada franca

Posts relacionados

Elefantes no calçadão

Redação

Simone Cadinelli Arte Contemporânea inaugura exposição do artista baiano Tiago Sant’Ana

Redação

Exposição Projeto Identidades – 2ª edição na Galeria Aliança Francesa

Redação

Deixe um comentário