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julho 22, 2019
Exposição

Exposição Limpa Oca é destaque na 13ª edição da Feira Rio Artes Manuais

Instituição que mais coletou resíduos sólidos na Baía de Guanabara mostra a importância da conservação dos manguezais em mostra interativa

 

Com a proposta de mobilizar a população sobre o correto descarte do lixo, visando diminuir seu impacto nos ecossistemas, o mutirão “Limpa Oca” — realizado pelo Projeto UÇÁ com o patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental — está sendo reproduzido em uma exposição interativa e itinerante. Desta vez, a mostra será uma das atrações da 13ª edição da Feira Rio Artes Manuais, de 20 a 24 de março, das 10 às 19h, no Centro de Convenções SulAmérica.

 

Após enfrentar intempéries climáticas, marés, insetos e uma série de outras dificuldades, 105 catadores de caranguejo, pescadores e moradores de comunidades ribeirinhas desenterram o lixo da lama e o transportam de barco até a sede do Núcleo de Gestão Integrada da Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim e Estação Ecológica da Guanabara (NGI – APA/ESEC – ICMBio), nos manguezais do Recôncavo da Guanabara, na Baixada Fluminense. Mais de 22 mil quilos de resíduos foram retirados em sete hectares de manguezais da Baía de Guanabara.

 

Esse processo é reproduzido na exposição Limpa Oca como um alerta lúdico e educativo sobre o aumento de resíduos e a presença de micro e macro plásticos nos mangues cariocas, de fundamental importância para o equilíbrio ambiental e para a manutenção da vida marinha que ainda resiste na Baía.

 

As crianças, por exemplo, serão incentivadas a passar por um emaranhado de elásticos com “lixos” pendurados, simulando a locomoção de organismos marinhos no meio oceânico. O objetivo é estimular nos pequenos a reflexão sobre como deve ser nadar no meio dos resíduos.

 

Na mostra será possível ainda simular como vivem nos mangues os caranguejos-uçás (Ucides Cordatus), um dos símbolos deste ecossistema.

 

Para o presidente da ONG Guardiões do Mar e coordenador nacional do Projeto UÇÁ, Pedro Belga, a participação no evento é uma oportunidade de aumentar o alcance das informações sobre boas práticas ambientais.   “O lixo que impacta os manguezais não causa dano só local. Ele pode ser absorvido, direta ou indiretamente, na cadeia alimentar e chegar ao homem. Ficamos extremamente satisfeitos ao sermos convidados a montar a exposição na Rio Artes Manuais, pois a proposta da Feira está em total sinergia com o  nosso propósito de disseminar informações e boas práticas para a melhoria da qualidade ambiental a nossa volta. Partimos do princípio que cada um pode ser um poluidor ou um agente de mudança em potencial. A escolha vai depender do grau da informação e de como ela é repassada. Na feira, vemos uma enorme possibilidade de ampliar os multiplicadores de boas práticas”, explica ele.

 

“O despejo de lixo e esgoto se torna gravíssimo, por se tratar de uma área de berçário da vida, não só da Baía de Guanabara, mas da costa fluminense. É ali, nessa, que é a maior área de manguezais preservados do Estado do Rio, que  inúmeras espécies habitam ou passam um período de suas vidas (larva, juvenil ou adulto). Os manguezais fornecem ainda segurança alimentar, são filtros biológicos, proteção contra erosão e condições climáticas extremas e ainda tem vital importância socioeconômica, sendo útil, direta e indiretamente para mais de 10 milhões de pessoas que fazem parte da bacia contribuinte da Baía”, complementa Pedro Belga.

 

Com sede em São Gonçalo, o Projeto UÇÁ atua em outros sete municípios: Niterói, Guapimirim, Maricá, Magé e Itaboraí, Cachoeiras de Macacu e Teresópolis, conhecendo de perto os desafios da poluição na Baia da Guanabara. Apenas dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapi-Mirim, o projeto já retirou mais de 22.000 kg de resíduos sólidos em mutirões com as comunidades costeiras – com a parceria dos pescadores da Cooperativa Manguezal Fluminense, Associação de Catadores de Caranguejo e Pescadores de Itambí (ACAPESCA) e a Associação de Catadores de Caranguejo de Magé (ACCAM). Por isso, entre os objetivos da ação, também estão avaliar qualitativa e quantitativamente a chegada desses resíduos à área de proteção permanente, para sensibilizar o olhar e o comportamento da sociedade com relação aos ecossistemas costeiros. “Todos sabem que o lixo além de impactar o meio ambiente é levado por rios, mares lagoas e um dos grandes fatores causadores de enchentes. Na Baía de Guanabara desembocam cerca 55 rios, o trabalho não pode parar”, conclui Pedro.

 

O Projeto UÇÁ 

 
Com o patrocínio da Petrobras – o Projeto UÇÁ já reflorestou, em quatro anos, mais de 182 mil m² de manguezais. Além de ser objeto de artigos, trabalhos de conclusão de curso e quatro dissertações de Mestrado, para o biênio 2018-2020, ele vai atuar na melhoria da qualidade ambiental em oito municípios da região da bacia contribuinte da Baía de Guanabara. Serão feitas ações de manutenção e monitoramento de manguezais, educação ambiental e produção de conhecimento científico de forma sustentável, priorizando os pescadores e catadores e caranguejo. O objetivo é contribuir para o conceito de “Lixo zero” e as práticas corretas de descarte de resíduos sólidos na Baía. Mais informações na página: facebook.com/projetouca/ ou no site: www.projetouca.org.br.

 

Serviço: 


Projeto UÇÁ leva Expo Limpa Oca para a 13ª Rio Artes Manuais

Local: Centro de Convenções SulAmérica (Av. Paulo de Frontin, 1 – Cidade Nova – Centro – Rio de Janeiro)
Período: 20 a 24 de março
Horário:  
10 às 19h
Classificação: 10 anos

Informações sobre a feira e ingressos: http://rioartesmanuais.com.br

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