Escultura Contemporânea no Brasil – Reflexões em dez percursos

Livro de Marcelo Campos mapeia a produção escultórica brasileira a partir dos anos 1950 sob dez critérios temáticos 

Lançamento no Rio (11/4) e em Salvador (19/4)

Um espaço rarefeito na bibliografia da arte brasileira está sendo ocupado com o lançamento do livro bilíngue Escultura Contemporânea no Brasil – Reflexões em dez percursos (Caramurê Publicações), resultado de três anos de pesquisa do professor e curador carioca Marcelo Campos, no próximo dia 11 no Rio (Casa França-Brasil) e dia 19 de abril em Salvador (Palacete das Artes).

Convidado pela editora baiana para destacar, a princípio, um pequeno grupo de escultores, Campos contrapropôs, contorno conceitual mais abrangente. O editor Fernando Oberlaender aceitou o desafio que resultou em uma obra de fôlego, com suas 420 páginas e 300 ilustrações. O patrocínio é da Global Participações em Energia S.A. (GPE), através da Lei de Incentivo à Cultura do MinC.

– Decidi fazer uma pesquisa mais extensa, olhando para artistas e obras canônicas, trabalhos que estabeleceram ou consolidaram mudanças de paradigma. Percebi, nesse levantamento, vertentes conceituais que me chamaram a atenção e optei por essa configuração, explica o autor.

Exposição Saccharum BA, no Museu de Arte Moderna da Bahia, faz parte do projeto multidiciplinar A Rapadura e o Fusca: Cana, Cultura, Sociedade, organizada pelo Goethe-Institut Salvador-Bahia/ICBA. Instalação de Ayrson Heráclito, “Segredos Íntimos”. Foto de Márcio Lima.

Dos 200 artistas listados num primeiro apanhado, Campos selecionou 91 escultores (relacionados abaixo), cujo trabalho se desenvolveu a partir dos anos 1950. Eles estão distribuídos em dez capítulos-conceito, a partir do que o autor chama de “sintoma”: a reunião de “parentescos, células, lugares de encontro, onde a junção das poéticas as torna firmemente históricas”, ele define na introdução do livro.

A organização, portanto, não faz o caminho histórico-evolutivo, de alinhamento meramente temporal; também não segue o critério que reúne artistas e obras em movimentos ou grupos. Campos buscou a ampliação do raio de busca para além dos eixos geográficos tradicionais da produção artística brasileira.

 – Pesou também minha identificação crítica com o trabalho. Não incluí os coletivos, mesmo que produzam objetos. E não enveredei pela instalação, privilegiando a tridimensionalidade; a manufatura, que me interessou bastante no livro, de certa forma, se apresenta como um contraponto à teatralidade da instalação. 

Campos reafirma que não houve intenção de esgotamento da pesquisa ou do olhar enciclopédico. 

Os temas propostos pelo autor são: 
1 – Herança construtiva, geometria revisada 
2 – Corpo, organicidade 
3 –  Atlas, mapas, localizações 
4 – Apropriação conceitual, imagéticas populares 
5 – Eu-objeto, relicários, espólios 
6 – Paisagem, casa e jardim 
7 – Tecnologia, mídias, comunicação 
8 –  Ritual, totemismo, ídolos 
9 –  A infância, o brinquedo
10 – Hibridação, rotinas, alquimias 

Escultura Contemporânea no Brasil – Reflexões em dez percursos: Artistas
Abraham Palatnik (RN) | Afonso Tostes (MG) | Agnaldo dos Santos (BA), Alexandre da Cunha (RJ) | Almandrade (BA) | Amílcar de Castro (MG), Ana Linmemann (RJ) | Ana Maria  Tavares (MG) | Ana Miguel (RJ), Angelo Venosa (SP) | Anna Bella Geiger (RJ) | Anna Maria Maiolino (ITA), Artur Bispo do Rosário (SE) | Ascânio MMM (POR-RJ) | Ayrson Heráclito (BA), Bel Borba (BA) | Brennand (PE) | Brígida Balltar (RJ) | Camille Kachani (LIB), Carmela Gross (SP) | Celeida Tostes (RJ) | Cildo Meireles (RJ), Cristina Salgado (RJ) | David Cury (PI) | Edgard de Souza (SP), Edson da Luz (BA) | Eduardo Coimbra (RJ) | Eduardo Frota (CE), Emanuel Araujo (BA) | Efrain Almeida (CE) | Erika Verzutti (SP), Ernesto Neto (RJ) | Felícia Leirner (POL) | Fernanda Gomes (RJ), Flávio Cerqueira (SP) | Franz Weissman (AUT) | Hélio Oiticica (RJ), Iole de Freitas (MG) | Iran do Espírito Santo (SP) |Ivens Machado (SC), Jac Leirner (SP) | Jarbas Lopes (RJ) | Jorge Barrão  (RJ), José Bechara (RJ) | José Bento (BA) | José Damasceno (RJ), José Rufino (PB) | José Tarcisio (CE) |Juarez Paraíso (BA), Juraci Dórea (BA) | Laerte Ramos (SP) | Laís Myrrha (MG), Leonilson (CE) | Lia Menna Barreto (RJ) | Livia Flores (RJ), Luiz Hermano (CE) | Lygia Clark  (MG) | Lygia Pape (RJ), Márcia X (RJ) | Marcius Galan (EUA) | Marcone Moreira (MA), Marepe (BA) | Maria Martins (MG) | Milton Machado (RJ), Nelson Felix (RJ) | Nuno Ramos (SP) | Otavio Schipper (RJ), Paulo Nenflídio (SP) | Paulo Paes (PA) | Paulo Vivacqua (ES), Ramiro Bernabó (AR) | Raul Mourão (RJ) | Renata Lucas (SP), Renato Bezerra de Mello (PE) | Ricardo Ventura (RJ) | Ricardo Basbaum (RJ), Rodrigo Sassi (SP) | Rogério Degaki (SP) | Ronald Duarte (RJ), Rubem Valentin (BA) | Sandra Cinto (SP) | Sergio Camargo (RJ), Tatiana Blass (SP) | Tiago Carneiro da Cunha (SP) | Tonico Lemos Auad (PA), Tunga (PE) | Vanderlei Lopes (PR) | Vinicius S.A (BA), Wagner Malta Tavares (SP) | Waltercio Caldas (RJ) | Zélia Salgado (SP)

Marcelo Campos nasceu, vive e trabalha no Rio de Janeiro. É diretor da Casa França-Brasil, desde 2016, professor Adjunto do Departamento de Teoria e História da Arte do Instituto de Artes da UERJ e professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. É doutor em Artes Visuais pelo PPGAV da Escola de Belas Artes/ UFRJ. Desenvolveu tese de doutorado sobre o conceito de brasilidade na arte contemporânea. É autor de Um canto, dois sertões:  Bispo do Rosário e os 90 anos da Colônia Juliano Moreira (MBrac/Azougue Editorial, Rio de Janeiro, 2016) e  Emmanuel Nassar: engenharia cabocla (Museu de Arte Contemporânea de Niterói/MAC, Niterói, 2010). Foi curador das exposições: Viragens: arte brasileira em outros diálogos na coleção da Fundação Edson Queiroz, Casa França-Brasil, 2017; Orixás, Casa França-Brasil, 2016; A cor do Brasil, cocuradoria com Paulo Herkenhoff, MAR (Museu de Arte do Rio), 2015; Tarsila e Mulheres Modernas, cocuradoria com Paulo Herkenhoff, Hecilda Fadel e Nataraj Trinta, 2014, MAR (Museu de Arte do Rio); Guignard e o Oriente, junto com Priscila Freire e Paulo Herkenhoff, 2014, MAR (Museu de Arte do Rio).

Há mais de vinte anos editando literatura brasileira, arte e infanto-juvenis, a Caramurê Publicações privilegia o talento dos nossos artistas, o incentivo à leitura e tem o resgate da história como missão. Entre seus lançamentos recentes estão 50 anos de Arte na Bahia, Água Reflexos na Arte da Bahia, da crítica Matilde Mattos; Salvador uma Iconografia através dos Séculos, de Fernanda Terra, Francisco Sena e Daniel Rebouças. A  editora vem publicando autores como Ruy Espinheira Filho, José Carlos Capinam, Mabel Velloso e Vânia Abreu.

Lançamento

Terça, 11 de abril, às 17h  ||  Casa França-Brasil, Rio
Rua Visconde de Itaboraí 78     Centro | 21 2332 5275 | 2332 5276
19 de abril, 19h  || Palacete das Artes, Salvador
Rua da Graça 284 – Graça
Caramurê Publicações  – 420 páginas,  3,8kg –  R$ 130