Escola em Transe – Escola de Artes Visuais do Parque Lage

Por ocasião dos 50 anos do filme Terra em Transe (1967) de Glauber Rocha, a curadora e crítica de arte Lisette Lagnado vem concebendo, junto com os professores do Núcleo “Imagem em Movimento” da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, uma série de pequenas homenagens, tomando o palacete do parque onde o filme foi rodado, para repensar pedagogias críticas ao longo do segundo semestre. Nas palavras do cineasta:

O que interessa é que Terra em Transe, um filme de impacto pela desordem intelectual que provoca, obriga os espectadores a pensar […] Criticaram o filme por não oferecer uma síntese. Mas se eu tivesse oferecido uma síntese, teria feito um filme antimarxista, idealista, antidialético. […] Fiz Terra em Transe com a aspiração de que fosse uma bomba.

O título do filme inspira a celebração “Escola em transe”, que abre em junho com duas palestras analisando um marco do Cinema Novo. Outras comemorações já estão definidas, como a projeção do filme Cinema Novo, de Eryk Rocha, e apresentações de trabalhos de estudantes da EAV.

Conferência: “Terra em transe e o grande teatro barroco da derrota do populismo”

Prof. Ismail Xavier
Após traçar um panorama do período para situar o impacto de Terra em transe na cultura brasileira nos anos 67-68, será feita uma leitura do filme concentrada na forma como Glauber compõe a alegoria política – que podemos associar ao “drama barroco” shakespeariano na montagem da trama em que se decidem os grandes lances nas intrigas palacianas. A alegoria se tece do embate entre personificações de lideranças da classe dominante (Diaz, Vieira, Fuentes). Cada qual tem seu lugar emblemático e o Parque Lage é o espaço decisivo no que se refere à figura de Vieira e às contradições do populismo, sendo palco do seu Grande Teatro. Mediador central da narrativa do golpe de Estado, Paulo Martins condensa a figura do jornalista-poeta que cabe analisar em relação à autoimagem dos intelectuais na época”.

Palestra: “Cinema e política”

Prof. Rodrigo Guimarães Nunes
Há 50 anos, a bomba de Glauber Rocha explodiu num país vivendo o interregno entre o golpe de 1964 e o AI-5 de 1968. Como Terra em Transe apareceu aos olhos de seus contemporâneos? Que tipo de intervenção era, e porque causou tanta polêmica? Tomando estas questões como ponto de partida, esta apresentação propõe três níveis de leitura do filme – como reflexão sobre seu momento político, sobre a posição de intelectuais e artistas na política, e sobre o debate estético do período – a partir das quais é possível situar o filme em seu contexto nacional e internacional, no interior da obra de Glauber Rocha, e perguntar que explosões esta bomba pode provocar no momento presente. 

CONVIDADOS

Ismail Xavier é PhD em Cinema Studies da New York University, Professor Livre-Docente do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), onde defendeu doutorado em Teoria Literária, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Aposentado em 2007, é Professor-Senior do Programa de Pós-graduação em “Meios e processos audiovisuais” da ECA-USP. Foi diversas vezes Professor-Visitante da New York University, da University of Iowa, da Université de Paris III (Sorbonne Nouvelle) e da University of Leeds, entre outras instituições. É autor de publicações sobre cinema, dentre as quais: Alegorias do subdesenvolvimento: O Discurso Cinematográfico: a opacidade e a transparência; Cinema Novo, Tropicalismo, Cinema Marginal; El discurso cinematográfico: la opacidad y la transparencia; Glauber et l’esthétique de la faim; Allegories of Underdevelopment: Aesthetics and Politics in Brazilian Modern Cinema.

Rodrigo Guimarães Nunes é PhD em Filosofia pelo Goldsmiths College, Universidade de Londres, e professor de filosofia moderna e contemporânea da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). É autor do livro Organisation of the Organisationless. Collective Action After Networks (Mute/PML Books, 2014) e colaborador de diversas publicações nacionais e internacionais, como Radical Philosophy, Les Temps Modernes, Serrote, Historical Materialism, The Guardian, Al Jazeera, Jacobin, El País e Folha de S. Paulo. Como curador, organizou o programa “Stronger Are the Powers of the People”: Politics, Poetics and Popular Education in Brazilian Cinema, 1962-1979, apresentado em Londres (No.w.here, 2009) e Berlim (EiszeitKino, 2011). Seu ensaio “Terra em Transe, Cinema e Política: 45 anos” foi premiado no Primeiro Prêmio de Ensaísmo da revista Serrote em 2011.

Joel Pizzini é cineasta, pesquisador, autor de ensaios documentais premiados internacionalmente como “Caramujo-Flor” (1988), “Enigma de Um Dia”(1996)”Glauces” (2001) e “Dormente” (2006), Joel Pizzini conquistou com os longas”500 Almas” (2004) e “Anabazys”(2009), além da seleção oficial no Festival de Veneza, os prêmios de Melhor Filme, Som, Fotografia, Especial do Júri, Montagem, nosFestivais do Rio, Mar Del Plata, e Brasília. Para a televisão, a convite do Canal Brasil,realizou os retratos “Um Homem Só”(2001), “Elogio da Luz”(2003), “Retrato da Terra”(2004), “Helena Zero” (2006), entre outros. Conselheiro da Escolado Audiovisual de Fortaleza e Professor da PUC- Rj (pós-graduação em Comunicação) e Faculdade de Artes do Paraná, Pizzini foi artista residente da Unicamp do Arsenal/Fórum da Berlinale, dentro do projeto “Living Archive”. Trabalha ainda como Curador da Restauração da obra de Glauber Rocha.

Comissão organizadora

Joel Pizzini, Lisette Lagnado, Lucas Parente, Marcos Bonisson, Ricardo Mansur, Rosa Melo, Ulisses Carrilho.

SERVIÇO 

  • 29 de junho – das 17h às 22h 
  • Abertura da celebração (Lisette Lagnado), com conferência doProf. Ismail Xavier (Universidade de São Paulo/ USP).
  • Debate e mediação com o Prof.Rodrigo Nunes (Departamento de Filosofia, Pontifícia Universidade Católica, PUC-Rio). 
  • Cine Lage – exibição do filme Terra em Transede Glauber Rocha. Palestra e debate com o Prof. Rodrigo Nunes (PUC-Rio). Mediação do artista e Prof.Joel Pizzini (EAV Parque Lage). 

Local – Rua Jardim Botânico, 414 – Parque Lage / Telefone – 2334-4088

Entrada aberta e gratuita.

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