O artista urbano Eduardo Kobra anunciou que vai realizar em São Paulo, no segundo semestre de 2017, o “1º. Chalk Festival Brasil”, no Memorial da América Latina. O brasileiro assinará a curadoria do Festival ao lado de Denise Kowal, criadora e diretora do Sarasota Chalk Festival, principal evento de 3D no mundo, que este ano chegou a sua 10ª. edição. Para anunciar Festival, Kobra fez na Praça Cívica do Memorial da América Latina, em frente à escultura “Mão”, de Oscar Niemeyer, duas obras em 3D: “Biblioteca” e “Abismo”.

As obras, realizadas em giz e tintas solúveis em água que não causam nenhum dano ao patrimônio, foram removidas, com água, no último dia 18.

“Fui o introdutor das obras em 3D no Brasil e desde que fui convidado pela primeira vez para participar do Chalk Festival sonho em trazer o evento para o Brasil. Agora, eu e a Denise transformamos o sonho em realidade. Realizaremos o grande evento pela primeira vez no Brasil, aqui em São Paulo, no Memorial da América Latina”, conta Kobra.

O artista comentou que cerca de 100 artistas brasileiros e internacionais vão participar do evento, sempre com obras em giz ou tintas solúveis em água, que são “apagadas”, com água, logo após o término do evento, que terá uma semana de duração.

Além dos trabalhos em 3D, os artistas farão palestras no Memorial, compartilhando suas técnicas e experiências com demais artistas e o público em geral. Além disso, cada artista deverá para trazer uma obra – tela ou escultura – para ser exposta na Galaria de Arte do Memorial. “Ao final, essas obras serão leiloadas e parte do dinheiro arrecadado será destinado a uma ou mais instituições assistenciais”, conta, acrescentando que também dez muralistas (entre eles o próprio Kobra) participarão do evento, pintando containers.

Eduardo Kobra diz que a “Biblioteca” foi um desenho que já fez para o primeiro Chalk Festival de que participou, em 2011. “Além de ser uma pintura que permite muita interação com o público, trata de um tema fundamental: precisamos de mais leitura e de mais bibliotecas, bem equipadas e gratuitas, em nosso País”, afirma. “Já o outro 3D, ‘Abismo’, reflete muito da realidade atual do Brasil. Estamos à beira do precipício, mas é possível escapar ou mesmo não cair dentro dele”, afirma.

Eduardo Kobra fez em junho de 2009 a primeira obra em 3D em uma calçada em São Paulo. O palco ou a tela foi um ponto nobre da cidade: a Praça Patriarca, em frente ao Viaduto do Chá, no centro histórico de São Paulo. Kobra pintou um carro antigo, resgatando um cenário do local Pouco depois foi notícia em todo o País. Já realizou 10 ações em 3D em diferentes cidades do Brasil, como em São Paulo e Rio de Janeiro. No ano passado bairro de Santa Cecília, em São Paulo fez uma cama em 3D para “falar” sobre a questão dos moradores de rua . Kobra se apaixonou em 2007 pela misteriosa técnica da pintura em 3D, também conhecida como “anamórfica” ou “ilusionística”. Durante dois anos estudou a técnica intensamente, especialmente os trabalhos do norte-americano Kurt Wenner e do inglês Julian Beever. Seguro para realizar obras em 3D procurou a Subprefeitura da Sé, em São Paulo. Fez a primeira intervenção e se apaixonou ainda mais pelo projeto:  “É fascinante fazer em locais com grande movimento de pessoas. A arte em 3D nas ruas dá às pessoas não apenas a oportunidade de interagir com a obra, mas também de acompanhar o processo de criação do artista”, finaliza.