“E o mar já não existe” aborda a violência contra a mulher em tempos de guerra.

Companhia Bagagem Ilimitada aposta na dramaturgia do movimento em novo espetáculo

Inspirada no livro “Um homem: Klaus Klump”, do autor português Gonçalo M. Tavares, a peça “E o mar já não existe” é uma realização da Companhia Bagagem Ilimitada com estreia no dia 01 de maio na Casa de Baco, novo empreendimento cultural na Lapa.

Duas mulheres, mãe e filha, lutam para sobreviver em meio à guerra.  Escondidas em meio a escombros do que costumava ser um lar, Simòne (Viviane Dias) e Irina Finkel (Jacyara de Carvalho) tentam seguir em frente quando o encontro com o soldado Vince Dubois (Felipe Vargens) faz o cotidiano ficar ainda mais assustador: toda a bestialidade escondida no humano é revelada de maneira brutal. O episódio fará com que todos repensem o real sentido da humanidade e se questionem: é possível renovar as esperanças em meio ao caos?

O autor e diretor PV Israel revela que a dramaturgia é amparada em um intenso trabalho de dramaturgia do ator, a partir do movimento e de ações físicas, que busca universalizar o tema da violência contra a mulher. O cenário da guerra aparece como uma hipérbole para os pequenos conflitos do cotidiano.

– A peça é atemporal: já aconteceu, acontece e vai acontecer. Na guerra, a mulher torna-se vítima de atrocidades que também acontecem em favelas do Rio, em condomínios de luxo e em empresas multinacionais. São histórias que se repetem o tempo todo.

A atriz Jacyara de Carvalho, intérprete da personagem Irina, destaca que a criação através das ações físicas privilegia o estado latente de sobrevivência e urgência vivido na guerra.

– Fomos ao extremo da guerra, mas ela nasce de um sopro. Durante os ensaios, entendemos que nesse cenário de miséria, fome, violência, qualquer palavra a mais é desperdício de energia. O silêncio é estratégia de sobrevivência.

Para recriar esse ambiente, o grupo optou por uma encenação enxuta: todo o cenário e figurinos cabem em uma mala, privilegiando o corpo dos atores como motor para a representação.  Após a temporada na Casa de Baco, a Bagagem Ilimitada pretende levar o espetáculo também a centros de atendimento aos refugiados de guerra no Brasil e de acolhimento a mulheres vítimas de violência.

– A universalização do espetáculo, inclusive pela utilização da língua francesa nos pequenos momentos em que há fala, se dá nesse pequeno fragmento do assunto que é o nosso espetáculo. Se as os espectadores saírem tocados e movidos a refletir juntos após as sessões, será ótimo – finaliza o diretor.

SINOPSE:
No conflito, mãe e filha isoladas do mundo esperam por um milagre. Ele não vem. Um soldado em fuga abala seu pequeno mundo e as provoca a bradar pela vida. Somos capazes de reverter a crueldade que a guerra trás? Situações extremas provocam atos inimagináveis. As vozes das mulheres em situações de risco estão silenciadas. Há esperança?

SERVIÇO:

E O MAR JÁ NÃO EXISTE
Texto e direção: Pv Israel.
Com Viviane Dias, Jacyara de Carvalho e Felipe Vargens.
Temporada:  segundas e terças de maio, às 19 horas.
Casa de Baco: Rua da Lapa, 243, Lapa.
Telefone: (21) 3796-6191
Ingressos: R$ 30 (inteira)
Classificação: 16 anos.
Estacionamento ao lado com desconto para os espectadores.

COMPANHIA BAGAGEM ILIMITADA
“Que trupe formidável. Fiquei emocionado com a homenagem, estimulado pelo bate papo, além de ter rido muito e me admirado com a capacidade do elenco de comover através do humor”. Edney Silvestre (Sobre o espetáculo Cotidianas, 2016).

“De repente elas estão ali: a enfermeira e as velhinhas no asilo, cada uma com sua personalidade, com seus passados, medos e desejos. Nós acreditamos no que vemos – é isso que importa. A representação feita de garra e talento. Essa é a magia do teatro.” Heloisa Seixas (Sobre o espetáculo Cotidianas, 2016).

A companhia Bagagem Ilimitada nasce de um desejo mútuo de construir um espaço na cena teatral brasileira baseado na criação de dramaturgia própria e pesquisa de linguagem. A pesquisa abrange a linguagem audiovisual, contação de histórias infantis e peças teatrais autorais e com cunho social.

Fazem parte do repertório da companhia os espetáculos e esquetes: “Cotidianas”, “Chilenos ou Franceses”, a websérie “Jurema Home House”, além de diversas contações de histórias a convite de editoras como a Companhia das Letrinhas.

GONÇALO M. TAVARES
Um dos novos nomes da literatura contemporânea portuguesa, o autor recebeu os mais importantes prêmios em Língua Portuguesa: o Portugal Telecom 2007; o Prêmio José Saramago 2005; Prêmio Ler Milenium BCP 2004; o Prêmio Branquinho da Fonseca Calouste Gulbenkian e do Jornal Expresso. No dia 9 de junho de 2012 foi feito Grande – Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.