Documentário ‘Guarnieri’ estreia no Rio como parte da Mostra Itinerante Histórias que Ficam, da Fundação CSN

O documentário ‘Guarnieri’, dirigido por Francisco Guarnieri, será exibido no Rio de Janeiro no dia 10.05 (quarta-feira), às 19h, no Oi Futuro Flamengo, como parte da Mostra Itinerante Histórias que Ficam, da Fundação CSN, braço social da Companhia Siderúrgica Nacional. A sessão, gratuita e aberta ao público, será seguida de debate com o diretor e os convidados Cecília Boal e Julian Boal, do Instituto Augusto Boal.

O filme é um dos quatro vencedores da segunda edição do edital Histórias que Ficam, programa de consultoria, fomento e difusão do documentário brasileiro que, nesta edição, investiu R$ 1,3 mi na produção de quatro filmes de até 70 minutos, com temática livre.

‘Guarnieri’ conta a trajetória de Gianfrancesco Guarnieri (1934 – 2006), ator de grande sucesso na televisão, autor fundamental na história do teatro brasileiro e imagem-síntese do artista engajado. Seus filhos Flávio e Paulo, também atores, assumiram um total distanciamento entre arte, trabalho e política. A partir desses dois retratos geracionais, o diretor Francisco Guarnieri, neto do ator, procura refletir sobre o papel do indivíduo na sociedade, na arte e na família.

Esse papel do artista político também será mote para o debate com Cecília e Julian Boal. Eles são viúva e filho de Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido e diretor do Teatro de Arena, em que trabalhou com Guarnieri. No Arena, Boal e Guarnieri trabalham lado a lado em peças como Eles Não Usam Black Tie e Arena Conta Zumbi e Arena Conta Tiradentes.

O programa Histórias que Ficam recebeu 273 inscrições, vindas do Brasil todo. Os demais documentários selecionados são ‘Iramaya’, de Carolina Benjamin (Rio de Janeiro) e ‘No vazio do ar’, de Priscilla Regis Brasil (Belém). Os filmes serão exibidos até 20.05 em mais de 20 cidades do país, principalmente as que não possuem um circuito expressivo de exibição. Além das sessões programadas, os exibidores que quiserem fazer parte do circuito podem cadastrar uma sessão por meio da plataforma Taturana (www.taturanamobi.com.br). Mais informações sobre a programação da Mostra no site www.historiasqueficam.com.br.

Muito mais do que patrocinar a produção de filmes, o edital Histórias que Ficam tem sido reconhecido por promover a reflexão sobre o processo de criação de um documentário. Com modelo pioneiro desde sua primeira edição, o programa conta com laboratórios presenciais e consultorias de especialistas aos realizadores, desde o desenvolvimento até a exibição dos filmes. O concurso, de caráter nacional, selecionou 12 projetos de documentários com temática livre, criativos do ponto de vista artístico e inovadores no uso da linguagem audiovisual. Destes, quatro foram contemplados. Ao longo do processo de realização dos filmes, os documentaristas vencedores participaram de três laboratórios: Roteiro e produção; Montagem, e Distribuição, com nomes como o roteirista, consultor e educador Miguel Machalski envolvido em roteiros como deBilly Elliot’ (Stephen Daldry) e de brasileiros como ‘O Lobo atrás da porta’, a montadora Karen Harley, de ‘Que Horas Ela Volta’, ‘Big Jato’, ‘Janela da Alma’ e ‘Cinema, Aspirinas e Urubus’ e o produtor e diretor Flávio Botelho.

Os realizadores tiveram ainda consultoria online permanente do diretor e roteirista Marcelo Gomes (“Joaquim”, “O Homem das Multidões”, “Era Uma Vez Eu, Verônica”, “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” e “Cinema Aspirinas e Urubus”) e da produtora, diretora, roteirista e consultora Daniela Capelato (“Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz; “Do outro lado do Rio”, de Lucas Bambozzi; “Só Deus Sabe”, de Carlos Bolado).

“O Histórias que Ficam aposta no desenvolvimento de novos talentos. Cria um espaço para reflexão e troca de experiências de cineastas em início de carreira de diferentes regiões do país com profissionais consagrados em um trabalho que só termina agora, com a Mostra, quando a obra atinge o público”, conta André Leonardi, Gerente Geral da Fundação CSN. O Histórias que Ficam tem patrocínio da CSN, por meio da Lei Federal de Apoio à Cultura/Ministério da Cultura.

Os documentários vencedores:

Corpo Delito, de Pedro Rocha

2017, cor, 74 min.

Ivan, 30, acaba de sair da cadeia depois de oito anos preso. Ele agora está de volta à sua casa, de volta ao convívio de sua esposa, Gleice, e de sua filha, Glenda, de

6 anos, que ele mal conhece. É uma chance de retomar a vida. No entanto, o passado ainda o atormenta: Ivan está em liberdade condicional. Uma tornozeleira eletrônica o proíbe de fazer qualquer trajeto que não seja o de casa para o trabalho/ do trabalho para casa. A contradição de uma liberdade monitorada intensifica ainda mais o conflito: Ivan oscila constantemente entre o dever de ficar em casa e o desejo de ganhar a rua. Longe dali, ele é apenas um pequeno ponto azul no radar da polícia. Todos os seus passos serão monitorados e o juiz terá que decidir seu futuro.

Iramaya, de Carolina Benjamin

2017, cor, 58 min.

Iramaya Benjamin era casada com um coronel do Exército até que seus dois filhos se engajaram na guerrilha clandestina contra a ditadura militar. O caso de seu caçula César – preso aos 17 anos e isolado em cela solitária por 3,5 anos – forçou à luta política e Iramaya liderou uma ampla campanha que culminou na criação do Comitê Brasileiro pela Anistia. Conhecida hoje como “Mãe da Anistia” no Brasil, Iramaya, no entanto, experimentou uma profunda crise pessoal quando a democracia foi reestabelecida e sua vida voltou ao normal após 10 anos de luta. O documentário parte da busca de sua neta Carol que, após a morte da avó, encontrou uma caixa cheia de cartas íntimas escritas por Iramaya ao longo de 36 anos (1972 – 2008).

Guarnieri, de Francisco Guarnieri

2017, cor, 72 min.

Gianfrancesco Guarnieri foi ator de grande sucesso na televisão, autor fundamental na história do teatro brasileiro e imagem-síntese do artista engajado. Seus filhos, Flávio e Paulo, também atores, assumiram um total distanciamento entre arte, trabalho e política. A partir desses dois retratos geracionais, o neto e diretor Francisco procura refletir sobre o papel do indivíduo na sociedade, na arte e na família.

No vazio do ar, de Priscilla Regis Brasil

2017, cor, 48 min.

Num pequeno aeroporto da Amazônia, Júlio tenta conseguir horas de vôo para seu primeiro brevê enquanto Patrícia, a única mulher comandante do local, tenta ganhar um salário compatível com o dos homens. Nadinho, um velho e bem-sucedido piloto, tenta ajudá-los enquanto esconde um grave segredo.

Mostra Itinerante Histórias que Ficam

Exibição de ‘Guarnieri’ seguida de debate
Data: 10.05, às 19h
Local: Oi Futuro Flamengo (Rua Dois de Dezembro, 107)
Número de lugares: 63
Entrada gratuita – meia hora antes haverá distribuição de senha por ordem de chegada, sujeita à lotação da sala

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