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junho 16, 2019
Música

Do swing do manguebeat ao contraponto da música festiva Mônica Feijó reinventa o frevo em novo álbum e faz jus à alcunha de “Camaleoa”

Mônica Feijó
Mônica Feijó

Há quem acredite que o melhor da festa é esperar por ela. Para a compositora e intérprete pernambucana Mônica Feijó, as festas guardam ainda outra joia: a música, cujo ritmo dançante pode acabar encobrindo a profundidade de letras que falem sobre amor, tristeza ou saudade. Foi a partir dessa percepção que ela e o baixista e produtor musical Areia começaram a rearranjar clássicos do frevo pernambucano, trazendo-lhes uma roupagem mais singela e intimista. Assim nasceu o projeto e depois o álbum “Frevo para ouvir deitado”, já disponível nas plataformas de música por streaming. O show do disco está marcado para 16 de janeiro de 2019, às 20h, no Teatro Apolo, em Recife, na 25ª edição do “Janeiro de Grandes Espetáculos”. Esse é o quarto álbum de Mônica, cuja obra se reinventa a cada título.

A carreira como cantora da também atriz e bailarina começou em 1994, sob influência de grandes figuras da MPB e do Jazz, como Dalva de Oliveira, Elis Regina, Nina Simone e Sarah Vaughan. Antes, entretanto, ela já participava de musicais no Rio de Janeiro, cidade em que morou de 1985 a 1991 e onde cursou Artes Cênicas. Nos anos 1990, Recife vivia a explosão do manguebeat, e a rua onde Mônica morava – a rua da Aurora – era a mesma de artistas e influenciadores da cultura pernambucana. Foi sob essa atmosfera e vivendo no berço do movimento que a cantora começou a gravar seus próprios discos.

Em “Aurora 5365”, álbum de estreia que chegou às lojas em 2000, Mônica já mostrava a que veio, como uma das raras representações femininas da cena manguebeat. Levadas de maracatu, batidas eletrônicas, passagens em instrumentos de sopro e até mesmo uma introdução marcada pelo groove do clássico dos anos 1970 “Got To Be Real” trouxeram brilho especial a um disco já marcante por si só: pela primeira vez, o movimento era registrado por uma intérprete mulher. “Aurora 5365” contou, ainda, com a participação de nomes importantes da música pernambucana, como o próprio Areia, de “Frevo para ouvir deitado”, e Pupillo, baterista e produtor musical.

Cinco anos depois, é lançado “Sambasala”: um disco de samba gravado em uma sala, concebido no mesmo endereço que batizou o álbum de estreia: rua da Aurora, nº 5365. O tempero ficou por conta do Grupo Choro Brasil, com seus violões de 6 e 7 cordas, cavaquinhos, bandolas, bandolins e bastante percussão. Recebendo contribuições de compositores da geração underground recifense, como Fred 04 (Mundo Livre S/A) e Felipe S. (Mombojó), o álbum chega aos “20 melhores CDs do ano de 2005” (Folha de São Paulo).

O terceiro álbum, “À Vista”, de 2011, foi o responsável por revelar seu lado “Camaleoa”, apelido dado pelo jornalista Lauro Lisboa (O Estado de São Paulo). É em “À Vista” que se dá a maior imersão da cantora até então na mais variada gama de ritmos, desde canções autorais, ao som de cordas de bandolins, a baladas pop românticas. Aqui, o clássico do repertório de Alcione “Não deixe o samba morrer” aparece com o frescor e o swing das guitarras limpas e graves bem marcados.

Agora, após lançar quatro álbuns e percorrer uma estrada rica em estilos musicais, Mônica diz fugir de rótulos. “Meus trabalhos são distintos porque canto como me sinto no momento, e sigo cantando a simplicidade e o cotidiano com minha personalidade”, conta. Para a cantora, agir de acordo com aquilo que a envolve emocionalmente e, portanto, ser autêntica é o que faz as pessoas se identificarem. “Eu nado a favor de mim”, completa.

SERVIÇO

Show do disco “Frevo para ouvir deitado” (Mônica Feijó) na 25ª edição do “Janeiro de Grandes Espetáculos”

Quando: 16 de janeiro de 2019, 20h
Onde: Teatro Apolo
Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife, Recife (PE)
Telefone: (81) 3355-3320
Quanto: R$ 40. Meia-entrada: R$ 20.

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