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julho 17, 2019
Teatro & Dança

Debatendo o HIV, “O Cavaleiro Amarelo” estreia no Teatro Laura Alvim

Espetáculo inédito da Multifoco Cia de Teatro aborda, a partir da epidemia do vírus na década de 1980, estigmas, preconceitos e consequentes alterações nas trocas sociais.

Completando nove anos, a Multifoco Companhia de Teatro estreia no teatro da Casa de Cultura Laura Alvim de 15 de Março a 07 de Abril o espetáculo “O Cavaleiro Amarelo”. Sob direção de Ricardo Rocha, o texto inédito de Felipe Pedrini foi um dos vencedores do Edital Novos Talentos 2018 promovido pelo Firjan / SESI Cultural e traz à tona investigações acerca da epidemia do vírus HIV a partir de meados da década de 1980. Buscando combater a desinformação sobre o vírus e desvincular estigmas que o relaciona à população homoafetiva, o texto também se insere na luta pela garantia de direitos LGBTI+.

“Diante das constantes agressões sociais, do retrocesso das políticas públicas e do cinismo por trás dos argumentos, tocar em temas como o HIV e AIDS é como remexer algumas páginas da nossa história e memória, na intenção premente de evitar o esquecimento das lutas e das conquistas em determinados eixos sociais da população. Nossa principal motivação é quebrar os estigmas que faz crer que toda pessoa infectada pelo HIV está doente e à beira da morte, imagens que foram construídas durantes anos de desinformação e campanhas truculentas que só faziam aumentar o preconceito com soropositivos. O HIV é um vírus resistente às defesas naturais do corpo humano e, como qualquer vírus, possui um tratamento”, enaltece Ricardo, diretor da companhia, que contou com a consultoria de um soropositivo no processo de montagem e fez parceria com o Grupo Pela Vidda, que em 2019 completa 30 anos de atividades ininterruptas.

Não linear e dividida em quadros, a peça é composta por cenas alegóricas que explicitam a relação que a sociedade e os dispositivos institucionais têm com os soropositivos até hoje. “Nascemos de camisinha em punho e aprendemos a coloca-la não apenas no pênis, mas também na vida, em todo o nosso ser. Aprendemos a nos afastar das pessoas. Aprendemos a ter somente contatos seguros e assépticos, a nos proteger em bunkers, atrás de computadores, redes sociais e aplicativos de celular. Aprendemos a nos esconder. Aprendemos a nos prevenir contra o medo, a solidão, a dor, a tristeza. Aprendemos a nos anestesiar, quando nada disso funciona”, ressalta Felipe Pedrini.

O título e o escopo da peça nasceram de um exercício proposto ao autor quando este ainda era aluno da E.T.E. Martins Penna. “Falávamos sobre a passagem dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse pela Terra, mas em períodos contemporâneos. Fiquei encarregado da parte da dramaturgia que tratava do Cavaleiro Amarelo, aquele que traz a morte. Para mim, que era criança quando estourou a pandemia e via adultos e noticiários falando de algo que assustava, nada traduz melhor ‘A Peste’ nos séculos XX e XXI do que o vírus HIV e a doença AIDS”, justifica o autor.

“A metáfora neste espetáculo está subjetivamente associada à ignorância, que é capaz de matar muito mais do que qualquer vírus. Hoje o Brasil é referência no tratamento de HIV através das políticas públicas gratuitas, e conseguimos exportar nossos métodos de tratamento e gerenciamento para o mundo. Ao lado da França e da África do Sul, compomos o tripé que possui tratamento gratuito para HIV e Aids. Os estigmas são muitos e precisamos combatê-los, impedindo que esse cavaleiro amarelo da ignorância continue levando mais vidas”, finaliza Ricardo.

SERVIÇO:

“O CAVALEIRO AMARELO”

Temporada:
15 de março a 07 de abril de 2019

Horários:
Sextas e sábados às 20h / Domingos às 19h

Local:
Teatro Laura Alvim
Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema
Tel.: (21) 2332-2015

Ingresso:
R$ 30 (inteira) \ R$ 15 (meia-entrada)                                                                                                          
Bilheteria: Terça a sexta – 16h às 21h / Sábado – 15h às 21h / Domingo – 15h às 20h

Duração: 60 minutos
Classificação: 14 anos

FICHA TÉCNICA:

Elenco: Camila Zampier, Diogo Nunes, Erick Tuller, Vinicius Mousinho, Viviane Pereira, Zéza e Dyogo Botelho (stand in).
Texto: Felipe Pedrini
Direção e Iluminação: Ricardo Rocha
Assistência de Direção: Bárbara Abi-Rihan
Figurinos: Alice Cruz
Cenografia: Alice Cruz e Ricardo Rocha
Direção Musical: Vinicius Mousinho
Preparação de Canto: Zéza
Direção de Movimento e Coreografias: Palu Felipe
Cenotécnico: Moisés Freire
Imagens e Edição: Daniel Debortoli (Códigos Art)
Programação Visual: Daniel Debortoli e Viviane Dias
Fotografias: Daniel Debortoli
Produção Executiva: Dyogo Botelho
Realização: Multifoco Companhia de Teatro
Patrocínio: Firjan – SESI
Parceria Cultural: Escola de Teatro Martins Penna
Parceria Institucional: Grupo Pela Vidda e Studart Produções
Apoio: Água Donna Natureza, Açaí Nuvica e Buffet Brilhante 

SINOPSE
Nos séculos XX e XXI, o vírus HIV e a AIDS trouxeram novas tensões para as relações sociais, amorosa, sexuais e até políticas. Pequenas histórias se cruzam em vários planos, que misturam realidade e delírio. Uma mulher em um consultório médico descobre que está grávida; um adolescente vive sua sexualidade de forma asséptica; um homossexual não consegue fazer uma doação de sangue; uma ONG tenta lidar com novas questões que surgem; um casal enfrenta problemas de relacionamento. São sujeitos do seu tempo que expõem a virulência de uma sociedade contemporânea que caminha aos trancos e barrancos. Um tabu que não se enfrenta.

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