Curupira no Galpão Gamboa

“Curupira”, apresenta um texto de Roger Mello bastante potente que dialoga com a temática dos mitos e lendas brasileiras, através de uma dramaturgia dinâmica que descontrói a ideia do “ser  curupira”.  Uma fluência na narrativa que vai desvendando aos poucos os mistérios deste ser lendário, e nos proporciona um final surpreendente, onde podemos perceber a junção de um grande quebra-cabeças que nos é apresentado, cena a cena, durante o desenrolar do espetáculo. A escrita cênica do encenador teuto-brasileiro Ricardo Schöpke dialoga com os estudos da Cia, a época da montagem, nas teorias do encenador alemão Bertolt Brecht, como a quebra da quarta parede, o distanciamento épico, a utilização de uma cenografia utilitária – que se utiliza apenas de objetos essenciais para a construção da cena teatral-, e de uma arquitetura de luz que constrói ambientes, como sendo mais uma personagem que vai desenhando uma grande mata e os caminhos que levam à ela.

A concepção cenográfica e direção de arte de Ricardo Schöpke é composta também de folhas secas – catada em cada uma das matas, das cidades ou países, onde o espetáculo se apresenta -, cobrindo todo o espaço cênico. Uma cenografia limpa e que vai se desenvolvendo aos poucos diante dos olhos dos espectadores.

Os figurinos de Mauro Leite são alegorias que preenchem os espaços e determinam a origem, e a personalidade, de cada uma das personagens. O Velho da Mata traz em si galhos de uma árvore milenar, a Velha da Embolada, quinquilharias que são pegas em toda a sua trajetória, e a Mariposinha que traz em si o sincretismo religioso e as luzes das estrelas.

Além de toda uma pesquisa inédita na área de animação, no desenvolvimento de técnicas de teatro de sombras – a criação de uma mulher palco em miniatura, sombras gigantes -, dos bonecos de dedos, do boneco de corda, e do uso de máscaras populares que traz à cena títeres em tamanho humano. Juntando-se a isso uma pesquisa aprofundada na música, no canto popular, operístico e no uso de percussão ao vivo e com atores tocando instrumentos. A trilha sonora do espetáculo é composta de intervenções musicais ao vivo – percussivas e eletrônicas -, e de músicas mecânicas inéditas do grande maestro brasileiro, e conhecido internacionalmente, Villa-Lobos, e também de canto pelos atores e pela atriz/cantora de óperas Chiara Santoro, que interpreta também músicas populares e cantigas brasileiras.

Assim, “Curupira” quebrou diversos paradigmas à época de seu lançamento, e continua a quebrar, ainda 20 anos após sua estreia na Sala 13, atual Teatro III do CCBB/RJ.

HISTÓRICO DO ESPETÁCULO

TOTAL DE APRESENTAÇÕES
276 espetáculos, ao longo de 21 anos

PÚBLICO
156.700 espectadores

O espetáculo “Curupira”, único infantil convidado para se apresentar no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no mês de julho de 1995, no Rio de Janeiro, concorreu a seis Prêmios Mambembe/1995 nas categorias de melhor autor, diretor, ator, figurino, categoria especial e cinco melhores do ano, e ao Prêmio Isnard Azevedo nas categorias de ator, iluminação e figurino. Recebeu o Prêmio Coca-Cola de 1995 de Melhor Iluminação o Prêmio Isnard Azevedo de Melhor Figurino, e os Prêmios de Espetáculo em Blumenau, 7o PGE e 9o FENATIFS. Nestes seus 20 anos de carreira – e sucesso – já percorreu diversas cidades do Brasil; nos seguintes estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Bahia e Brasília.

“Curupira”  foi considerado também pelo Clube do Assinante como um dos melhores espetáculos do ano de 1995, considerado como a Companhia de melhor relação de produção com o CCBB em 1995, foi selecionado por Karen Acioly para o projeto Altamente Recomendável da Prefeitura do Rio de Janeiro para apresentações nas Lonas Culturais, selecionado para o Festival de Teatro de Resende, selecionado também para apresentação no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília em 2004 e para o 28º Prêmio PASCHOALINO de Teatro da FETAERJ em 2006.

SINOPSE
Dois irmãos, encontram-se em uma mata fechada, no interior de Minas Gerais, numa noite de lua cheia, na companhia de estranhos personagens da região: o Velho da Mata, a Velha da Embolada, a Mariposinha, e de gritos e assovios, que prenunciam a presença de um curupira pelas redondezas. Diz que Curupira faz caçador se perder na mata em dia de sexta-feira!!! Um assobio aqui, outro mais adiante e quando se vê…não tem mais jeito. Não tem mais volta. É assim o Curupira: protetor de um lado, assustador de outro. Meio bicho, meio gente, meio assombração – se é que pode haver três meios.

REPERTÓRIO

  • JOÃO POR UM FIO (2011)
  • DISPARE (2011)
  • TERRA S.A (2009)
  • ACROBATAS (2005)
  • AH, CAMBAXIRRA SE EU PUDESSE (2003)
  • CAMINHOS DE JOÃO BRANDÃO (2002)
  • SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO (2001)
  • UM PEQUENO PRÍNCIPE (1999)
  • QUE BICHO SERÁ (1997)
  • PIETRO E PIETRINA (1996)
  • A ESTRANHA MÁQUINA EXTRAVIADA (1996)
  • CAAPORA (1996)
  • O PAÍS DOS MASTODONTES (1994)

FICHA TÉCINCA
Dramaturgia e pesquisa musical  Roger Mello
Encenação, direção de arte, direção de movimento, arquitetura de luz, cenografia e pesquisa musical Ricardo Schöpke
Produção Executiva Alain Catein
Elenco Ricardo Schöpke, Chiara Santoro, Sophia Dornellas e Alain Catein
Músicas originais Villa-Lobos
Direção musical e canto Chiara Santoro
Percussionista e músico Carlos Poubell e Sophia Dornellas
Figurinos Mauro Leite
Confecção dos títeres e animação Alzira de Andrade
Sombrista Rita Spier
Manutenção de títeres Marcio Newlands
Técnico de luz e operador Rodrigo Lopes
Camareira Luiza Martins
Costureira Maria de Jesus
Fotos Isabelle Neri Vicentini
Produção e realização Cia Boto-Vermelho

Serviço:
Nome do Evento: Gamboavista 6ª edição
Local: Galpão Gamboa (Rua da Gamboa, 279, Gamboa – Rio de Janeiro)
Data: 28 e 29 de janeiro de 2017.
Horário do Evento: 16h (sábado e domingo) 
Local: Teatro – Galpão Gamboa
Ingressos: R$ 10,00 inteira / R$ 5,00 meia / R$ 2,00 moradores da região
Capacidade do teatro: 86 lugares 
Classificação etária: Livre para todas as idades.
Duração: 70 min.

Uma encenação de Ricardo Schöpke
Dramaturgia de Roger Mello

O 6° GAMBOAVISTA
Desde novembro de 2011, o Gamboavista, projeto que chega à sexta edição, transforma o Galpão Gamboa em uma grande plataforma de exibição para o público conferir shows, festas, exposições e espetáculos teatrais – entre estreias, processos e montagens que chamaram a atenção em temporadas anteriores. Idealizado pelo ator Marco Nanini e pelo produtor Fernando Libonati, o local, que de 2006 a 2010 passou por uma série de reformas até sua inauguração, firma-se atualmente como parte do calendário cultural da cidade.

A Zona Portuária, área que sofreu as consequências de anos de degradação, hoje volta a fazer parte do radar dos cariocas, e o Galpão ajuda a escrever essa história. Para Nanini, entretanto, não foi a chegada do VLT, que facilitou o acesso até o local, nem o fim das obras olímpicas que levaram as pessoas até lá. Como lembra o ator e coordenador, o Galpão sempre teve um público cativo que, mesmo com dificuldades para acessar a área, dava seu jeito para comparecer. Faz parte do evento uma programação do ano que merece ser revista, e permitir que tenha um público interessado em assistir.

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