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setembro 24, 2018
Teatro & Dança

Crítica | O Musical Mamonas

📷 Rodrigo Rosa / Divulgação

A década de 1990 foi mais do que especial para a música. No mundo, bandas como Nirvana, Pearl Jam, Foo Fighters marcaram época e influenciaram outras bandas que dominam até hoje o mundo musical como Linkin Park. Já no Brasil, as músicas sertanejas ganharam força através das vozes de duplas como Leandro & Leonardo, Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo & Luciano entre outras. O destaque também ficou com o surgimento do funk (carioca e melody) que conquistaram fãs através de Claudinho & Buchecha.

No centro de todas essas tendências e influências musicais, está o Conjunto Musical que surgiu em 1989, como a banda de rock Utopia e que em 1994, mudou seu estilo e gênero musical, criando o rock cômico e se transformando em Mamonas Assassinas. Em poucos meses, fez grande sucesso, ganhou uma enorme legião de fãs, principalmente as crianças, e vendeu em seu único disco, mais de 1 milhão e 800 mil cópias. Em 1996, meses após estourarem, todos os cinco membros morreram quando o jato executivo Learjet em que eles viajavam, se chocou contra a Serra da Cantareira (Parque Estadual da Cantareira) em São Paulo.

Formada pelo vocalista Alecsander Alves da Silva Leite (Dinho), o guitarrista Alberto Hinoto (Bento), o baixista Samuel Reis de Oliveira (Samuel Reoli), o baterista Sérgio Reis de Oliveira (Sérgio Reoli) e o tecladista Júlio César Barbosa (Júlio Rasec), a premiada banda tocava e cantava uma divertida mistura de gêneros populares que passavam pelo sertanejo, brega, heavy metal, pagode, forró, música mexicana e vira, esta última um gênero popular de Portugal. Ao todo, mais de cinco milhões de cópias foram vendidas, após a morte dos integrantes. Com o sucesso, foram certificados com o Disco de Diamante, documentado pela antiga Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), hoje Pró-Música Brasil (PMB).

A trajetória dos Mamonas Assassinas já serviu de inspiração para livros, programa de TV, documentário, uma série engavetada por certa emissora de televisão, longa-metragem (também engavetado por um estúdio estrangeiro, inclusive). Com roteiro de Walter Daguerre e direção geral do respeitado José Possi Neto surgiu, em 2016, O Musical Mamonas, que se apresenta mais uma vez pelo país, em turnê de despedida.

No último sábado, 29 de julho, a reportagem assistiu uma apresentação no Teatro RioMar Recife, à convite da produtora local, ArtRec Produções. A partir da direção musical do experiente Miguel Briamonte, a qualidade do espetáculo já é conhecida e comprovada. A única novidade está na mudança do elenco principal: Rafael Aragão (substituto de Ruy Brissac), Jessé Scarpelini (substituto de Adriano Tunes), Pedro Reis (substituto de Elcio Bonazzi), o vencedor da “Dança dos Famosos 2017”, Reginaldo Sama (substituto de Yudi Tamashiro) e o único ator do elenco original Arthur Ienzura formam o quinteto.

📷 Paula Kossatz / Divulgação

Iniciada no horário marcado, a peça começa com um divertido poutpourri com as canções Pelados em Santos, Chopis Centis, Sábado de Sol, Robocop Gay. Até que RAIOS!!! Convocados pelo anjo Gabriel para uma missão (das mais importantes): dar um jeito na caretice que tomou conta da vida dos brasileiros, os jovens Bento, Dinho, Júlio, Samuel e Sergio resolvem contar em um musical como conseguiram passar pelo estreito funil do show business.

No início, a plateia é surpreendida por uma emoção, uma saudade que aperta o peito. Mas logo esse sentimento é substituído por muita alegria e gargalhadas. Logo no primeiro ato, o espetáculo apresenta o surgimento da Utopia, a chegada de Dinho, algumas músicas do repertório da banda original e o fracasso do primeiro LP, sob a produção de Rick Bonadio, gravado entre 1991 e 1992, o disco foi um fracasso, e das mil cópias feitas à época, apenas cem foram vendidas.

O texto de Daguerre faz um resumo de toda a obra dos Mamonas. O início ao fim do Utopia, a chegada de Bonadio, a discussão com o Diretor do Thomeuzão, a criação da nova banda (nome, mudança do perfil, gravação da primeira demo). O momento engraçado que Rafael Ramos, filho do Diretor da EMI-Odeon, João Augusto Soares, exige que o pai assine o sonhado contrato com a banda, aqui ao som de Lá Vem o Alemão (sugestão de Soares, uma música no ritmo de pagode). Todos esses momentos estão no espetáculo e é retratado com muita alegria, sem cansar a plateia.

O elenco novo não traz nenhuma crítica negativa ao espetáculo. A diferença é que o cast original trazia um Ruy Brissac com os trejeitos e a impressionante aparência física com o vocalista Dinho. Rafael Aragão, Jessé Scarpeini, Pedro Reis, Reginaldo Sama e Arthur Ienzura tem o mesmo espírito dos “meninos de Guarulhos”. Mas é importante reconhecer que todo esse grande trabalho tem um nome: José Possi Neto.

O renomado diretor tem experiência em realizar grandes sucessos nos palcos brasileiros. Retratar numa peça teatral a história de um banda cômica, que fez enorme sucesso e até hoje tem a admiração dos fãs, não é um desafio. É uma grande missão! Neto apresenta um trabalho que resgata uma grande história alegre, apesar do grande drama que todos  já sabem. Mas essa tristeza não tem espaço em sua realização. Nem caberia. Aqui, os Mamonas voltam a ganhar vida.

O Musical Mamonas é um espetáculo preparado especialmente para os fãs da banda Mamonas Assassinas e também para os que infelizmente não conheceram. No final, cai a ficha dos espectadores: todos participaram de uma grande festa. Com certeza, vai deixar muitas saudades. Fica a torcida para que um dia, esse grande espetáculo, volte a se apresentar.

Assista ao vídeo:

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