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junho 26, 2019
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Crítica | Nós

📷 Universal Pictures / Divulgação
“Trarei sobre eles uma desgraça da qual não poderão escapar. Ainda que venham a clamar a mim, eu não os ouvirei.” (Jeremias – 11:11)
 
Jordan Peele foi lançado em 2003 no programa de TV humorístico MADtv (2003 a 2008). Seguiu pelo caminho do humor na série Key & Peele (2012 a 2015), no cinema, Peele estrelou os filmes Wanderlust (2012), Keanu (2016) e na animação Cegonhas: A História Que Não Te Contaram (2016). Até que no ano de 2017, saiu da sua zona de conforto ao escrever e dirigir o aclamado pela crítica e sucesso de bilheteria Corra! (Get Out), um terror indie e cult cujo roteiro lhe rendeu um Oscar® de Melhor Roteiro Original, junto com indicações para Melhor Filme e Melhor Diretor na premiação de 2018, tornando-o o primeiro negro a receber o prêmio na categoria.
 
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Este ano, Peele recebeu sua segunda indicação ao Oscar® de Melhor Filme, por produzir Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman), dirigido por Spike Lee. O ano de 2019 já reserva algumas participações do diretor, dentre elas, na animação  Toy Story 4 e no seu novo projeto, no qual ele escreveu, produziu e dirigiu: Nós (Us), que estreia nesta quinta-feira, dia 21 de março, em circuito nacional. 
 
Na sinopse, situado nos dias atuais ao longo da costa norte da Califórnia, Nós apresenta Adelaide Wilson (Lupita Nyong’o) que retorna à casa de verão de sua infância com seu marido Gabe (Winston Duke) e seus dois filhos (Shahadi Wright Joseph e Evan Alex) para um descanso merecido ao lado da família.
 
Assombrada por um trauma inexplicável e não resolvido de seu passado e agravada por uma série de coincidências estranhas, Adelaide sente sua paranoia se elevar quando sente que algo ruim vai acontecer com a sua família. Depois de passar um dia tensa na praia com os seus amigos, os Tylers (Elisabeth Moss, Tim Heidecker, Cali Sheldon e Noelle Sheldon), Adelaide volta para sua casa de férias com a família. Quando a escuridão cai, os Wilsons descobrem a silhueta de quatro figuras iguais a eles de mãos dadas.
 
📷 Universal Pictures / Divulgação
 
É importante frisar que Jordan Peele está desenvolvendo o seu próprio modelo cinematográfico. A sua própria linha criativa. Desta vez, ele resolveu construir um vilão diferente: sósias. Trata-se de uma fobia do próprio realizador, em que o mesmo resolveu abordar no longa-metragem. Aqui, a questão não é o racismo exposto ou velado, mas a identificação dos medos mais primitivos do ser humano. Não existe algo mais assustador do que ver os seus próprios demônios, sua própria truculência e brutalidade. A verdade é que ninguém quer ser do mal, mesmo que apresente comportamentos questionáveis. O exemplo é que o político que rouba, não gosta de ser chamado de corrupto. O assaltante não quer ser adjetivado de ladrão. Nem o vendedor de produtos ilegais, não quer ser intitulado traficante. Tampouco quem mata, não que ser conhecido como assassino. Apesar de existir espécies de indivíduos que sentem o prazer em executar lamentáveis ações. No filme, existe esta forte abordagem do lado terrível das pessoas.  
 
Na atuação, os destaques vão para os adultos Lupita Nyong´o (12 Anos de Escravidão), Winston Duke (Pantera Negra), Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale) e as crianças Shahadi Wright Joseph (O Rei Leão), Evan Alex (Kidding) e Madison Curry (fazendo a sua estreia na carreira artística). Pode-se afirmar o grande desafios que é para o ator ter que interpretar duas versões do mesmo personagem. Principalmente quando se trata de um humano, enquanto o outro pertence aos elementos do esoterismo. Este mesmo esoterismo é algo muito presente na produção. Outro destaque vai para a trilha sonora recheada de ótimas canções no ritmo hip-hop
 
O roteiro apresenta toda a tensão de um bom script de terror psicológico, mas sobra momentos para o alívio cômico. Peele resolve trazer a comédia, talvez para oferecer ao espectador a oportunidade de descarregar suas emoções, além de prepara-lo para o momento arrepiante que se aproxima e pegar todos de surpresas. O melhor é que a tentativa funciona e mexe com a platéia de uma forma positiva. 
 
Brincando com o conceito de “sonho americano”, Nós é sobre a cultura das pessoas acostumadas a alegar sempre que a perversidade está nos outros, quando todos estão acorrentados numa perigosa escuridão. Usando uma (misteriosa) mensagem bíblica, toca na ferida ao mostrar que todos são errantes e perderam a sua essência e a fé. No geral, é um filme que será apreciado por poucos, mas com a marca registrada do realizador, fará mais uma ótima bilheteria. Já no final, deixa tudo bastante confuso. 
 
Cotação: Ótimo
 
Assista aos trailer: 
 

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