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maio 23, 2019
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Patrick Ribeiro

Crackdown 3: um injustiçado simulador de Terry Crews

Primeiramente é necessário deixar claro que Crackdown 3 é divertido. Bastante divertido. Mesmo possuindo inúmeros problemas ao longo de seu desenvolvimento, que deixa nítida sua falta de polimento, podemos considerar que a equipe da Sumo Digital entregou um produto que considerei interessante e gostoso de explorar, sem nenhuma ambição de tornar-se o melhor videogame de mundo aberto já feito. Dito isso, é necessário apontar suas qualidades, que na minha opinião, superam seus defeitos.

Crackdown 3 foi lançado no dia 15 de fevereiro de 2019, sofrendo reviews antecipados de vários sites especializados que deram notas baixíssimas ao jogo, e mesmo antes da data de lançamento, já possuía uma enorme rejeição do público. De outro lado, alguns sites buscaram compreender o contexto de produção do jogo e sua razão de existir, e não apenas atribuindo notas baseando-se em critérios voltados para qualidade gráfica ou originalidade. Tal comportamento está presente também na opinião de muitos jogadores, que apenas enxergam gráficos como principal destaque e acabam dando notas baixas a um produto sem sequer experimentá-lo. Recentemente The Legend of Zelda: Link’s Awakening remake foi vítima do ódio dos jogadores devido ao seu estilo cartunesco, considerado infantil por muitos.

O primeiro ponto de destaque é: você simplesmente pode controlar ninguém menos que Terry Crews, um dos maiores astros da televisão americana. Conhecido atualmente pelo papel do Sargento Terry Jeffords, na série Brooklyn Nine-Nine, o ator interpreta o comandante Jaxon. Na história do jogo (que cá entre nós, é muito qualquer coisa), você faz parte de um grupo especial chamado Agency, que tem como missão combater uma organização que provocou um blackout em todo mundo, deixando apenas a ilha de New Providence com energia. Logo no começo sua equipe é dizimada e cabe a você sozinho enfrentar a ameaça.

Por incrível que pareça, há uma narrativa envolvendo os principais inimigos do jogo, cuja mecânica se assemelha a apresentada em Shadow of Mordor. Você vai atrás dos líderes da organização em ordem hierárquica, reunindo pistas para ir aos próximos e finalmente à líder. Tais pistas que são adquiridas ao completar-se missões, que vão desde libertar presos políticos até mesmo explodir campos de mineração. Cada missão possui uma cor, que é atribuída a um setor da sociedade, possuindo uma cadeia de comando com seus capitães e generais. Mas vale lembrar que nem de longe se assemelha ao sistema Nemesis de Shadow of Mordor, um dos mais bem desenvolvidos no gênero.

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Os elementos de ação são responsivos e embora repetitivos, não são cansativos suficientes para acabar com a paciência do jogador. O arsenal não se destaca em termos de originalidade, mas cumpre seu papel de diversidade, dando opções ao jogador de armazenar três tipos de armas diferentes, de acordo com sua preferência. Temos armas de longo, curto e médio alcance, além dos efeitos como incendiário, tóxico, etc.

Porém o que se destaca em Crackdown 3 é sua movimentação. Locomover-se com o personagem é extremamente gostoso, proporcionando um passeio agradável pela cidade fictícia de New Providence, uma megalópole cyberpunk repleta de neons e propagandas espalhadas para todos os cantos. Embora não seja um esplendor em termos de level design, o ambiente vertical é satisfatório e permite que o jogador pule pelos prédios, buscando itens e indo atrás das famosas “orbs”, que são upgrades para melhorar os atributos do seu avatar.

Escalar alguns prédios não é uma tarefa tão fácil e exige alguns pulos calculados, remetendo-se aos saudosos jogos de aventura 3D. Por outro lado, a movimentação do personagem dirigindo é bastante deficiente, com uma jogabilidade estranha e travada. Talvez fosse melhor ter deixado de lado essa mecânica, tendo em vista que o jogador possivelmente passará muito mais tempo caminhando e pulando pela cidade.

Uma das principais críticas feitas ao jogo foram em relação aos gráficos, que realmente parecem da geração passada. Fica claro que Crackdown 3 está inacabado e também datado. Mas minimizar suas qualidades apenas em relação aos gráficos é deixar de apreciar alguns dos elementos mencionados, que na minha opinião são suficientes para entreter o jogador por horas. Raramente fico longos períodos de tempo em jogos do gênero, pois me sinto cansado (mesmo em Red Dead Redemption 2). Crackdown 3 me fez ficar horas seguidas apenas pulando entre prédios e realizando missões pela cidade.

Crackdown 3 não é o melhor jogo do Xbox, e sequer é um jogo bom ou inovador. Porém não é a coisa horrorosa que está sendo considerada por aí, de forma injusta, na minha análise. Acaba se tornando um produto datado, repetitivo e que segue padrões de mundo aberto da geração passada. Não digo que você deveria comprá-lo no seu lançamento, algo que nem eu faria. Mas afirmo que deveria dar uma chance ao mesmo, especialmente por estar grátis no serviço de assinatura Gamepass. Além de ser o melhor da franquia, admite de forma honesta beber de diversas fontes, sem preocupação alguma em inovar, utilizando-se de mecânicas e elementos de jogabilidade já exaustivamente explorados. Contudo, ao invés de muitos, ele consegue realizar o feito de forma satisfatória e possivelmente irá divertir o jogador que procura algo descompromissado.

Ficha Técnica:

Ano de lançamento: 2019
Título: Crackdown 3
Produtora: Xbox game Studios
Plataforma(s): Xbox One, Windows

 

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