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junho 26, 2019
Teatro & Dança

Com direção de Amir Hadadd, a comédia dramática ‘Rugas’ terá sessões aos sábados no Teatro Candido Mendes

Rugas - foto: Thyago Andrade
Rugas - foto: Thyago Andrade

Em cena, as atrizes Vanja Freitas e Claudiana Cotrim vivem uma série de personagens que mostram como a velhice pode ser criativa e poderosa

Depois de uma temporada de sucesso no Teatro Maison de France, com direito a prorrogação, e de apresentações no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, dentro do projeto “Verão com Arte”, o espetáculo RUGAS  volta para sua terceira temporada no Rio de Janeiro. Com direção do premiado Amir Haddad, a peça estreia no dia 04 de maio, no Teatro Candido Mendes, em Ipanema, e cumpre temporada até 02 de junho, aos sábados e domingos, às 18h.

Por que as palavras velho, velha e velhice são usadas de maneira pejorativa? Por que os velhos sofrem preconceito e, muitas vezes, se veem desamparados e rejeitados? Como promover uma maior relação entre as gerações? Há três anos, as atrizes Vanja Freitas eClaudiana Cotrim estudam o tema e tentam responder a  essas perguntas – a dupla realizou dezenas de entrevistas com pessoas de 40 a 80 anos, leu livros que falavam sobre o assunto e se debruçou sobre trabalhos acadêmicos e artísticos. Esse material chegou às mãos do dramaturgo Herton Gustavo Gratto, que escreveu a comédia dramática ‘Rugas’, a partir da reflexão sobre essas questões (o autor foi indicado ao 6º Prêmio FITA de Teatro na categoria Revelação por este texto).

“Este é um assunto importante, tocante e delicado. Mas também bastante perigoso.  Qualquer resvalo para o melodrama poderá colocar atores, personagens e a plateia num beco sem saída. Não somo eternos. Seria insuportável se fossemos. Por isso a vida, assim como o teatro, tem que ser vivida até o fim. Como se fossemos  eternos.Eternamente velhos, eternamente novos”, avalia o diretor Amir Hadadd.

Aos 65 anos, Vanja Freitas começou a vivenciar uma série de situações que a fizeram refletir sobre essa fase da vida. Ao lado de Claudiana Cotrim, de 48 anos, passou a observar como as pessoas mais velhas atravessavam a rua e como se relacionam com a cidade. Os livros ‘A velhice 1 – a realidade incômoda’ e ‘A velhice 2 – a relação com o mundo’, de Simone de Beauvoir, e ‘Como envelhecer’, de Anne Karpf, também fizeram parte da pesquisa da dupla.

“Eu espero que o público se divirta e reflita sobre essa fase da vida que pode ser criativa e poderosa. Queremos passar uma mensagem amorosa e incentivar as pessoas a olharem mais para os velhos”, conta Vanja. “Uma amiga de 89 anos me disse uma coisa interessante: ninguém se prepara para envelhecer. E qual é a outra opção de não envelhecer?”

A história do espetáculo gira em torno de uma cientista gerontóloga (que estuda o envelhecimento) e deseja fazer o tempo parar. Para isso, vai estudar no exterior e quase não tem mais contato com sua mãe. Até que um dia, durante uma palestra, recebe um telefonema da cuidadora dizendo que a mãe está muito doente e precisa ver a filha. O que ela vai fazer?

 “A partir da relação delas, a gente propõe ao espectador que pense sobre algumas questões: ‘o que você vai ser quando envelhecer?’ ou ‘quando você se sentiu velho pela primeira vez[RA1] ?. O público mais velho vai se identificar profundamente e os jovens vão ter a oportunidade de mudar seu pensamento a respeito do próprio futuro”, completa a atriz Claudiana Cotrim.

Sinopse

Peça reúne cenas que tratam, de forma bem-humorada e comovente, sobre o envelhecimento e nossa relação com o tema.

Vanja Freitas (atriz e idealizadora)
Atriz formada pela Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia. Artista plástica formada pela Escola de Belas Artes – UFBA. Atuações em teatro: “Álbum de Família” (direção: José Possi Neto, 1978), “América Dreams” (dir.: José Possi Neto, 1979), “Estórias de lenços e ventos” (dir.: Paulo Dourado, 1979), “Exercitando” (dir.: Sérgio Britto, 1987), DomQuixote (dir.: Ricardo Maurício, 1994), “Sarau do Machado” (dir.: Ric. Maurício, 1995), “Kafkamachine” (dir.: Marília Martins, 2005), “A vida como ela é” (dir.: Bruno Rodrigues, 2012), “Como nasce um cabra da peste”(dir.: Júlio Wenceslau, 2014-15), “Bonitinha mais ordinária” (dir.: Ana Zettel, 2015).  Atuações em TV: “Sítio do Pica Pau Amarelo” (TV-E, 1980), programa “TV Escola” (TV-E, 1996), e nas seguintes telenovelas ou minisséries da TV Globo: “Você decide” (1995), “Salsa e merengue” (1996), “Hilda Furacão” (1998), “Pecado capital” (remake, 1998), “Laços de família” (2000), “Velho Chico” (2016), Muito além do Paraíso (2018).Cinema: curtas “Fando e Liz” (texto de Arrabal, dir.: Antônio Alcântara, 1977), “L.X.O.” (dir.: Ronaldo Ghermann, 1980), “Uma história de borboletas (de Caio Fernando Abreu, dir.: Flávio Colker, 1994), longa-metragem “Araras” (dir.: Sabrina Mc Cormick, 2016), “21, mão na cabeça” (dir.: de Milton Alencar). Figurinista: curso de figurino com Colmar Diniz – Faculdade CAL (2016); peças “Bonitinha, mas ordinária” e “Andarilho” (2016). Diretora: “O Rinoceronte”, de Ionesco, e cena da peça “Vestido de noiva”, ambos no teatro Sesc da Tijuca.

Claudiana Cotrim (atriz e idealizadora)
Atriz formada pelo Centro de Artes Cênicas do Maranhão em 1997, graduada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. Desenvolveu a pesquisa “A autonomia do ator em cena”. Ministra oficinas de teatro sobre o tema Ator-Autor-Autonomia. Como atriz, seu repertório de trabalhos inclui performances, espetáculos de teatro, contação de histórias, oficinas de teatro, de contadores de histórias e de oratória, telenovelas, filmes e preparação de atores. Atuou na novela “Chamas da Vida”, da Rede Record. Na Rede Globo, teve participação nas novelas “Da cor do pecado”, “Ti-Ti-Ti”, “Avenida Brasil”, “Salve Jorge”, “Em Família”. Ganhou o prêmio de melhor atriz em 2011 com o espetáculo solo “Medeia” (baseado na obra de Eurípides) no 18º Festival Nacional de Monólogos Ana Maria Rêgo. Integrou o elenco de “Hotel Medeia – da meia noite ao amanhecer”, no Oi Futuro (Flamengo), além de trabalhos na linguagem audiovisual: ‘Medeias precisam de auxílio’ curta metragem de Gleyser Azevedo (MA); “De corpo inteiro”, filme sobre Clarice Lispector, de Nicole Algranti; e “O próximo rosto” curta metragem de Stéphane Dosse (França, 2009). Criou o projeto Teatro na Corte, com apresentações cênicas em espaços extracotidianos. Atuou também como atriz em “Os Homens Também Amam” (direção de Rodrigo Scheer, Teatro Clara Nunes, Rio), “Detetive – a peça” (direção do Rodrigo Scheer, Teatro Cândido Mendes, Rio), “Intervalo’ (direção de Josué Soares Teatro Vannucci, Rio). Dirigiu os espetáculossolo “Andarilho”, com o ator Carlos Rosario, e “Mariazinha’s”, com a atriz Maria Ethel.

Amir Haddad (diretor)
Com José Celso Martinez Corrêa, Renato Borghi e outros criou, em 1958, o Teatro Oficina — ainda em atividade com o nome de Uzyna Uzona. Nesse grupo, Amir dirigiu Candida, de George Bernard Shaw; atuou em A Ponte, de Carlos Queiroz Telles, e em Vento Forte para Papagaio Subir, de José Celso Martinez Corrêa. Em 1959, dirigiu A Incubadeira e ganhou prêmio de melhor direção. Desligando-se do Teatro Oficina, segue em 1961 para Belém, no Pará, realizando uma série de trabalhos para a Escola de Teatro de Belém. Em 1965, o Teatro Universitário Carioca o convida para dirigir O Coronel de Macambira, de Joaquim Cardozo, e Amir acaba por permanecer no Rio de Janeiro. Aqui, é um dos fundadores do grupo A Comunidade, instalado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), que se projeta em 1969 com o espetáculo A Construção, de Altimar Pimentel, atribuindo a Amir o Prêmio Molière de melhor direção. Em 1970, realiza mais dois espetáculos com o grupo: Agamêmnon, de Ésquilo, e Depois do Corpo, de Almir Amorim. No mesmo ano, ganha o segundo Molière, com O Marido Vai à Caça, de Georges Feydeau. Em 1972, no Rio de Janeiro, ganha o prêmio Governador do Estado de melhor diretor, com a peça Tango, de Slawomir Mrozec. Com o Grupo de Niterói, faz SOMMA, no Teatro João Caetano, 1974. Em 1980, funda o Tá na Rua, fazendo apresentações de rua baseadas em cenas de criação coletiva. Realiza, também, trabalhos no teatro comercial, que lhe valem o Prêmio Shell por Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, de Oduvaldo Vianna Filhoe Ferreira Gullarem 1989; e o Prêmio Sharp, por O Mercador de Veneza, de William Shakespeare, em 1996. Dirige, ainda de Shakespeare, Noite de Reis, em 1997; e O Avarento, de Moliére, em 2000. A partir da década de 1990, Amir aprofunda suas pesquisas de teatro de rua, fazendo diversas encenações de Cortejos e Autos pelo país, movimentando milhares de pessoas nessas encenações, tendo quase sempre presente alguns dos integrantes do Tá na Rua.

 Ficha técnica:

Texto:Hérton Gustavo Gratto
Direção:Amir Haddad
Elenco:Claudiana Cotrim e Vanja Freitas
Iluminação:Marcelo Camargo
Figurino e cenografia:Lorena Sender
Preparação corporal:Claudiana Cotrim
Preparação vocal:Vanja Freitas
Fotografia e vídeos de ensaio: Ana Clara Catanhede
Produção: Diga Sim Produções!

Serviço:

Rugas

Temporada: 04 de maio a 02 de junho
Dias e horários: sábados e domingos, às 18h
Local: Teatro Candido Mendes (Rua Joana Angélica,  63, Ipanema. Tel: 2523-3663)
Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).
Vendas online:www.ingressorapido.com.br
Lotação: 103 lugares
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: 14 anos

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