“Colisão” estreia no Teatro Glauce Rocha

Com texto inédito de Renata Mizrahi e direção de Alexandre Contini, “Colisão” trata da relação entre um ator de meia idade (Ricardo Ventura) em crise com seu filho de 17 anos (Gabriel Bulcão), que viveu com a mãe durante muitos anos depois da separação do casal. Após a morte da mãe, o filho volta a conviver com o pai por um curto período de tempo até completar 18 anos e sair do país para fazer um intercâmbio, fato que surpreende o pai que esperava poder reatar a relação com o filho. Esse acontecimento traz à tona mágoas guardadas, provoca conflitos de gerações e embates entre os personagens que se veem forçados a rever essa relação por uma outra perspectiva que os leva a repensar tudo o que viveram e olhar para o futuro a partir de um outro ponto de vista. Junto deles há uma vizinha (Elisa Pinheiro) de temperamento otimista e bem-humorado que sempre esteve presente na vida desse pai lhe dando apoio e que nutre a esperança de viver com ele uma relação que vá além da amizade. A vinda desse filho também acaba por fazê-la lançar um novo olhar sobre sua vida e sobre as expectativas que ela criou causando nela um forte desejo de mudança.     

Essa história é contada através de diálogos dinâmicos com grandes doses de humor e leveza, sem perder de vista a profundidade e a seriedade dos conflitos gerados por esse reencontro entre pai e filho que viveram distantes durante tanto tempo a ponto de terem se tornado praticamente estranhos um ao outro. As relações humanas são vistas aqui no âmbito familiar que passa a ser um microcosmo no qual podemos observar nossas atitudes, investigar nossas dores, o vazio deixado pela falta de convivência, a necessidade de lidarmos com as perdas para seguir em frente e a importância do “deixar ir”, do “soltar” que muitas vezes temos dificuldade de compreender que é o melhor a se fazer pelo outro.

A ideia inicial da peça surgiu da vontade do ator Ricardo Ventura de tratar dessa relação entre pai e filho e de, também, abordar a dura realidade de vida do ator que precisa sobreviver à instabilidade da profissão sempre se vendo obrigado a lidar com as incertezas e inseguranças inerentes a esse ofício. A relação mostrada em “Colisão” é profundamente afetada pela profissão do pai. Entre os conflitos causados estão a ausência do pai em momentos cruciais da vida do filho; a impossibilidade desse pai de acompanhar o crescimento do filho de modo mais constante; a dificuldade financeira que o impediu de visitar o filho já que esse viveu com a mãe numa cidade distante; o esforço feito por esse pai para contribuir de alguma forma na vida filho, no caso, pagando a escola do menino, o que para ele significou permanecer estagnado na sua própria vida, sempre com medo de arriscar uma mudança, de tentar trabalhos novos que pudessem lhe trazer mais retorno, fato que aumentou cada vez mais sua insegurança.

Com esses personagens e esse conflito inicial em mente, Ricardo chegou a Renata Mizrahi, premiada dramaturga carioca com vasta experiência e mais de 15 textos já encenados, entre eles “Galápagos”, com o qual venceu o prêmio Shell de melhor autora em 2014, “Os Sapos”, “War”, “Silêncio!”, além dos infantis “Joaquim e as Estrelas” e “Marrom-Nem Preto, nem Branco”. Observando a dramaturgia de Renata fica muito claro que seus textos sempre lançam um olhar extremamente sensível sobre as relações humanas, sejam elas em um âmbito familiar, como em “Silêncio!”, sejam em relações conjugais e de amizade como em “War”, para citar apenas dois exemplos. Portanto, desde o primeiro momento houve uma perfeita sintonia entre a ideia de Ricardo e a linha de dramaturgia de Renata. Com esse ponto de partida em mãos, Renata começou a desenvolver o texto trazendo à cena mais uma figura feminina na personagem da vizinha amiga do ator que está sempre a seu lado dando o apoio de que ele tanto precisa, já que a outra personagem feminina, a mãe, é uma presença forte na vida desses personagens mas não está em cena fisicamente. A personagem da vizinha surge também como o alívio cômico que se insere entre momentos mais tensos e pesados entre os outros dois personagens dando assim uma dinâmica ao texto que o torna divertido, leve e bem-humorado nos momentos certos sem que isso tire a profundidade e a importância das questões que estão sendo tratadas na peça. Podemos pensar em “Colisão” como uma comédia dramática ou, talvez, um drama com humor, que é desenvolvido pela dramaturga de forma concisa, através de cenas que nunca se estendem além do necessário numa linguagem contemporânea que tem a grande qualidade de alcançar espectadores das mais variadas idades e visões já que ele trabalha com diversas camadas perfeitamente sobrepostas nas quais o drama e a comédia caminham juntos sem detrimento de um ou de outro.

Com o texto pronto, Ricardo Ventura reuniu uma equipe de profissionais de experiências variadas criando assim um ambiente de troca e colaboração extremamente positivo para a criação de um espetáculo de alta qualidade acessível a todos os públicos e que, além de entreter, pretende provocar no espectador reflexões sobre as relações humanas.

“Colisão” fará sua estreia no Rio de Janeiro em maio no Teatro Glauce Rocha e seguirá carreira em outros teatros.

SINOPSE

Comédia Dramática
Depois da morte da mãe, um adolescente volta a morar com o pai, um ator em crise, por alguns meses até completar 18 anos. Apesar da convivência difícil, o rapaz começa a se envolver na vida do pai e o pai encontra no filho um motivo para repensar a sua vida, estagnada desde sua separação. Junto deles está uma vizinha amiga que, com seu bom humor e irreverência, ajuda pai e filho a se reencontrarem.

FICHA TÉCNICA
Texto: Renata Mizrahi
Direção: Alexandre Contini
Elenco: Elisa Pinheiro, Ricardo Ventura e Gabriel Bulcão
Cenários: Lorena Lima
Figurinos: Ticiana Passos
Iluminação: Paulo César Medeiros
Música Original e Direção Musical: Gimmy
Design Gráfico: Lucas Toledo
Fotos: Rafael Jannuzzi e Luís Filipe Gomes
Idealização e Produção: Ricardo Ventura 

SERVIÇO

Estreia no dia 4 de maio

Temporada: até o dia 27 de maio
Local: Teatro Glauce Rocha
Horário: quarta a domingo, às 19h
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia)
Classificação: Não recomendado para menores de 12 anos
Duração: 70 minutos
Lotação do teatro: 202 lugares
Horário da bilheteria: de quarta a domingo das 14 às 19 horas.
Telefone do teatro: 2220-0259

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