Claudio Paiva – O Colecionador de Linhas

O Museu de Arte do Rio – MAR, sob a gestão do Instituto Odeon – inaugura a primeira grande exposição que reúne toda a trajetória do artista plástico Claudio Paiva. Intitulada “Claudio Paiva – O Colecionador de Linhas”, a mostra tem curadoria de Catherine Bompuis e de Evandro Salles, diretor cultural do MAR. A abertura da exposição acontece, sábado, dia 11 de novembro, com uma Conversa de Galeria com os curadores, às 15h. A entrada no museu neste dia será gratuita.

A exposição conta com mais de 300 obras entre desenhos e instalações de momentos diversos da trajetória do artista — dos anos 60 até seu falecimento em 2011. As obras foram reunidas entre colecionadores, instituições culturais, como o Museu de Arte Moderna, e acervo do artista. Claudio Paiva participou de um importante momento da arte brasileira, ao lado Cildo Meireles, Umberto Costa Barros, Antonio Manuel, Artur Barrio, Luiz Alphonsus entre outros. Mesmo com a produção ininterrupta desde seu surgimento, sua obra, entretanto, foi parcamente vista e reconhecida. Entre os vídeos em exposição, está uma série de entrevistas inéditas com depoimentos sobre Claudio Paiva, lembranças afetivas por parte dos amigos que lhe acompanharam ao longo de sua vida e um longa-metragem nunca exibido no qual o artista plástico atua como ator, além de filme feito por Marcos Barison durante exposição do artista feita no Rio de Janeiro, em 2009.

Catherine Bompuis, amiga do Claudio, que acompanhou sua trajetória, conta que apesar das fragilidades emocionais e de grandes precariedades enfrentadas pelo artista, sua obra sobreviveu às tempestades mantendo-se intensa e ininterrupta até o fim de sua vida. “Claudio Paiva integra uma geração de artistas que surgiu no final dos anos 1960, período mais sombrio da ditadura, e participou de um momento radical da arte brasileira. Sua obra dialoga com os movimentos concretos e neoconcretos, assim como as questões ligadas a arte povera e a arte conceitual, se articulando em torno de três áreas que se interpenetram: desenho, palavra e objeto. Mas, sobretudo, é a linha que orienta e circunscreve essa singular configuração poética”, explica Catherine.

“Claudio Paiva – O Colecionador de Linhas” faz parte do eixo curatorial do MAR que é dedicado às revisões historiográficas, salientando o importante papel do artista na história recente da arte brasileira através de um panorama inédito da sua ampla produção, de singular força poética e inteiramente articulada com as questões fundamentais de seu tempo.

“Claudio Paiva pertenceu a uma geração de artistas que promoveu importantes transformações entre os anos 70 e 80, incorporando influências da arte conceitual à articulação entre imagem e palavra explorada pelos construtivos brasileiros. Seu trabalho transita, em consequência, entre poema e imagem, entre palavra e inscrição, em trânsito que perfaz um descolamento entre significado e significante e mostra-se estrutural em toda a sua poética. Claudio usa ainda o humor como chave para desconstruir a realidade, debruçando-se no abismo das estruturas primárias que configuram nossa imagem do mundo”, conta Evandro Salles, que complementa reforçando que Claudio Paiva tomou a si próprio, seu universo psíquico, afetivo e perceptivo, como o campo central de sua investigação em busca de um sentido para a arte.

Cláudio Paiva começou a trabalhar a relação entre palavra, imagem e objeto no início dos anos 1970. Poemas em três dimensões é como o artista descreve suas esculturas na época. Constituídas por objetos banais do cotidiano, como fita gomada no chão, algodão, terra ou palavras, essas esculturas se transformaram ao longo dos anos em microinstalações – “instalações de bolso”, assim nomeadas por Luiz Alphonsus. Nelas, arranjos entre cordões, velas, caixas de fósforos fazem lembrar de maneira lúdica que ainda é possível transgredir, recolocar, renomear instantaneamente com nada ou quase nada.

Doação obras ao MAR
A irmã do artista Cláudio Paiva, Maria Eugênia Paiva, e o artista plástico Cildo Meireles fizeram uma importante doação de 50 obras da série Naves e estudo das Naves de Cláudio Paiva para o Museu de Arte do Rio. Com objetivo de dar continuidade a memória do artista e ainda resgatar sua obra prosseguindo a manutenção e exposição constante. “É muito importante não apagar a memória de um artista. Dar estas obras para o acervo do MAR é uma forma de manter viva as obras do Claudio”, contou sua irmã.

Serviço:

Cláudio Paiva – O Colecionador de Linhas

Estreia dia 11 de novembro com uma Conversa de Galeria com os curadores, às 15h, atração gratuita

Exposição de 11 de novembro de 2017 a 6 de julho de 2018

Ingresso: R$ 20 I R$ 10 (meia-entrada) – pessoas com até 21 anos, estudantes de escolas particulares, universitários, pessoas com deficiência e servidores públicos da cidade do Rio de Janeiro. O MAR faz parte do Programa Carioca Paga Meia, que oferece meia-entrada aos cariocas e aos moradores da cidade do Rio de Janeiro em todas as instituições culturais vinculadas à Prefeitura. Apresente um documento comprobatório (identidade, comprovante de residência, contas de água, luz, telefone pagas com, no máximo, três meses de emissão) e retire o seu ingresso na bilheteria. Pagamento em dinheiro ou cartão (Visa ou Mastercard). 

Bilhete Único: R$ 32 – R$ 16 (meia-entrada) cariocas e residentes no Rio de Janeiro, mediante apresentação de documentação ou comprovante de residência comprobatórios. Serão considerados documentos comprobatórios aqueles que contenham o local de nascimento, tais como RG, carteira de habilitação, carteira de trabalho, passaporte etc.  Serão considerados comprovantes de residência os títulos de cobrança com no máximo 3 (três) meses de emissão, como serviços de água, luz, telefone fixo ou gás natural, devidamente acompanhado de documento oficial de identificação com foto (RG, carteira de habilitação, carteira de trabalho, passaporte etc.) do usuário.  

Política de gratuidade: Não pagam entrada – mediante a apresentação de documentação comprobatória – alunos da rede pública (ensinos fundamental e médio), crianças com até 5 anos ou pessoas a partir de 60, professores da rede pública, funcionários de museus, grupos em situação de vulnerabilidade social em visita educativa, Vizinhos do MAR e guias de turismo. Às terças-feiras a entrada é gratuita para o público geral.

Terça a domingo, das 10h às 17h. Às segundas o museu fecha ao público. Para mais informações, entre em contato pelo telefone (55 21) 3031-2741 ou acesse o site www.museudeartedorio.org.br.

Endereço: Praça Mauá, 5 – Centro.

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