Circuito Poesia Urbana na Sala Baden Powell

As manifestações de 2013 causaram algumas transformações nos diálogos da cidade e provocaram nas pessoas uma maior necessidade de se expressar. Desde então um movimento cultural começou a se expandir: a cena dos saraus de poesia. Inspirados pela potência criativa dos poetas e pela inconformidade dos artistas, os espaços urbanos passaram a ser um misto de expressão cultural e manifestação política. Vale destacar que juntamente com esse movimento surgiu a cena dos slams, batalhas de poesia. Protagonizados por poetas performáticos que em seus poemas apontam as diversas opressões sociais ao mesmo tempo que geram protagonismo de fala para mulheres, negras e negros, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros, a cena urbana dos saraus é a revolução da poesia na cidade.

Neste primeira edição do Circuito de Poesia Urbana, com o apoio da Sala Baden Powell, as poetas Letícia Brito e Viviane de Salles resolveram trazer o diálogo sobre ocupação dos espaços urbanos, e dos espaços públicos para ser debatido por aqueles que já ocupam e resistem nas praças e ruas da cidade.

O debate “Ocupação dos espaços urbanos e públicos” mediado por Letícia Brito contará com a presença de três artistas/ produtores que realizam importantes eventos que movimentam a cena das ocupações culturais pela cidade: Elizabeth Manja, do movimento territórios diversos que realiza o Sarau Estação 67 em Nova Sepetiba, desde 2013. Luiz Fernando Pinto, da organização Peneira que realiza o Sarau do Escritório, na Lapa, desde 2013 e Fernando Salinas, cineasta e fundador do Grito Filmes que realiza o Slam Grito Filmes de forma itinerante pela cidade. Vamos conversar com quem realiza e vamos ocupar o teatro e dar visibilidade e oportunidade àqueles que protagonizam a cena cultural das esquinas do Rio de Janeiro.

Elizabeth Manja

Professora de Literatura, poeta, performer, atriz, pesquisadora, curadora, produtora  e gestora cultural. É uma artista múltipla e atuante em diversos seguimentos ligados a cultura.  Graduada em letras, Graduanda em engenharia de produção e Pós Grad. Especialista em Literatura Brasileira. Idealizadora e gestora do Movimento Territórios Diversos Associação Cultural e do Sarau Estação 67. participa do curso de extensão da Universidade das Quebradas UFRJ desde 2014, participou da pesquisa curatorial da Exposição Tarsila e Mulheres Modernas no Rio -MAR, com o Sarau Estação 67 participou da da Virada Sustentável RJ 2017, como único evento da Zona Oeste a integrar a programação oficial, participou de diversas mesas de debates na UFRJ, ALERJ, Mercado de preta -AZEVIC Magia, idealizou e produziu a palestra  “A palavra de mulheres contemporâneas” na Ser Cidadão, participou do intercâmbio “Diálogos Urgentes” na Bahia, pela Universidade das Quebradas, já recebeu diversas homenagens e prêmios como poeta e produtora cultural.

Luiz Fernando Pinto

Bacharel em teatro, poeta em alguns momentos e formado em Produção Cultural pelo Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC), da Universidade das Quebradas (UFRJ). É um dos criadores do Sarau do Escritório, e fundador da organização Peneira, onde atua como ator, produtor e dramaturgo.

Pesquisador da obra de Luís da Câmara Cascudo, Luiz escreveu os espetáculos “Urucuia Grande Sertão” e “O Provinciano Incurável”, inspirados no maior folclorista da América Latina. Ministra junto dos integrantes do Peneira, as oficinas “Teatro e Sua Arte Pop” e “A Nobre Arte do Caô – Como produzir com poucos recursos”. Atualmente realiza ao lado de Priscila Bittencourt e Leonardo Lopes, o Sarau do Velho na Zona Oeste do Rio, e trabalha na finalização do livro “Pombo Paulo, sobrevivência na cidade do Rio”.

Fernando Salinas

Fundador da Grito Filmes e criador do Slam Grito Filmes. Cineasta e Editor de vídeos, Midiativista e Jornalista. Membro do coletivo Mariachi e Midia Indepentente Coletiva, realizador de vídeos com Poetas Marginais.

Sarau Estação 67

O Sarau Estação 67 é um evento multicultural, um sarau contemporâneo. Com edições bimestrais desde final de 2013, vem fazendo a diferença na realidade de um bairro completamente isolado dos grandes centros culturais urbanos. Realizado pela equipe MTD (Movimento Territórios Diversos), por meio de uma ocupação cultural na Praça do Skate em Nova Sepetiba, território popular no Bairro de Sepetiba, Zona Oeste do Rio de Janeiro, esse sarau vem atraindo diversos artistas de toda a cidade e principalmente jovens artistas locais, que participam de uma vivência de trocas de diálogos, artes e afetos, rompendo com a lógica da cidade partida. No Sarau Estação 67, não há uma regra para apresentações, todos se expressam de forma livre, com músicas, dança popular, clássica, cirandas, rodas de capoeira, performance teatral, e muita poesia! O importante é fazer arte e movimentar a cena da Zona Oeste.

Sarau do Escritório

O Sarau do Escritório é um espaço de experimentação artística, que acontece mensalmente, desde novembro de 2013, na Praça Luana Muniz, na Lapa. A intervenção possui como característica a combinação de linguagens e a perspectiva de uma ideia da utilização do espaço público como um local de criação e encontro de pessoas. Do rap ao cordel, passando por apresentações de poesia, teatro, música, projeção, exposição, circo, performances e lançamento de livros, o Escritório já passou por cidades do sertão mineiro, Recife e Bahia.

Em setembro, o projeto realizado pela organização Peneira aporta pela primeira vez em terras lusitanas, com apresentações marcadas para as cidades de Lisboa, Coimbra e Porto.

O evento conta sempre com microfone aberto, e temáticas que norteiam as edições.

Batalha de Poesia Slam Grito Filmes
Embarcando na explosão do celeiro interminável de poetas, que é o Rio de Janeiro, o coletivo Grito Filmes criou a “Batalha de Poesia Slam Grito Filmes”.
Evento de poesia falada intinerante criado em 2016, realizado em localidades plurais como Complexo do Alemão, Comunidade do Arará, Cinelândia e Praça do Morro Azul.
Local de criação e execução de arte falada, onde a interação do público com os artistas tem o poder de criar conexões e subjetividade vitais para a passagem de cultura oral no país.