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Crítica | Coringa

por Redação

Coringa, que estreia nesta quinta-feira, dia 03 de outubro, em circuito nacional, apresenta um universo sem salvadores, vigilantes virtuosos, e patriotas, o que ocasiona ainda mais na decadente e perversa imersão ao que o ser humano é inserido ao ser quebrado, pisoteado e dilacerado ao ponto de apenas enxergar uma saída na violência. 

Confira >>> Coringa 

A trama mostra a história de Arhtur Flack (Joaquin Phoenix), um homem com problemas mentais e uma condição neurológica, que o faz rir descontroladamente, principalmente em momentos de estresses ou grande tensão. Arthur tem consultas semanais com uma assistente social, apesar das limitações do serviço público oferecido em Gotham City. Nesse mundo ele é só mais um humorista fracassado que mora com a mãe, Penny (Frances Conry) e tem uma risada um tanto assustadora e esquisita.

Quando alguém fica assustado com o surto de gargalhadas, ele logo trata de entregar o cartão explicando seu problema neurológico. O caos social presenciado na cidade dos anos 1980, com direito a uma referência a Tempos Modernos, ocasionando um motim dos oprimidos junto a elite local, mostra um arrogante Thomas Wayne (Brett Cullen), sendo o principal símbolo de salvação dos magnatas, em paralelo ao tumulto exterior de Fleck, tem seus próprios conflitos internos, que se mostra prestes a se colidirem a qualquer momento.  

A atuação de Joaquim Phoenix é simplesmente impecável, carregando todo o peso do personagem nas costas, transparecendo na sua atuação extremamente densa. O filme dá a ele toda a sua atenção como o esperado, a atuação tanto física, como psicológica e vocal mostra que ele, sim, merece estar no limbo dos deuses da atuação. Ele entrega a devida transformação de Arthur Fleck, mostrando as várias camadas que o personagem foi construído, até chegar no icônico e asqueroso vilão sociopata. 

Em nenhum momento Coringa deixa a mensagem de ser comum a violência, mas é por essas colocações no contexto no qual o vilão é uma ‘’vítima’’, que traz reflexões morais para o publico. No início, é notável a preocupação por mostrar o personagem como um homem ‘’injustiçado’’, e quase digno de pena, acabando por tentar amenizar sua monstruosidade. A exemplo de uma cena em que mostra Arthur sozinho, triste, machucado e inconsolável no chão.

A alienação psicológica do personagem mostra também sua incapacidade de mostrar o que é real ou não, quando seus anseios por aceitação, do seu ídolo Murray Frank (Robert De Niro), da sua vizinha em que tem um interesse amoroso, ou até depois de seu suposto pai. O que faz Coringa ir cada vez mais fundo na sua violência e descontrole. 

Recheado de referências em HQs do Homem-Morcego e A Piada Mortal, Coringa é a demonstração da violência e crueldade de um homem com problemas psicológicos, numa sociedade em que exaltam seus feitos, e o promovem a desenvolver mais a sua truculência. Trata-se de um filme brilhante pela sua forma de construção, em que sua transformação, e condições sociais e psicológicas podem interferir em alguém. É simplesmente memorável. 

Assista ao trailer: 

Texto: Gabriele Slaffer, especial para o Sopa Cultural. 

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1 comentário

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