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maio 23, 2019
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Cinema e Karaokê inspiram o Lado B, peça da Cia Água Benta

Novo espetáculo da Cia Água Benta bebe em estéticas do cinema e de HQs para expor idiossincrasias do homem contemporâneo. A montagem marca a primeira parceria do grupo com o diretor Marcéu  Pierrotti e reabre, dia 17 de maio, o Teatro Sergio Porto

Regina é uma mulher “invisível”, oprimida pelo seu cotidiano. Ana tem na ninfomania a válvula de escape  para suas frustrações. Jonas é casado e se vê atraído pela ambigüidade do cross-dresser Roberto/Jaqueline. Marco está inconformado com o fim de seu casamento. São cinco personagens diferentes que, em comum, estão no limite de situações que exigirão deles uma mudança de paradigma —  e de vida. As trajetórias deles se (entre)cruzam em “O lado B”, quarto espetáculo da cia Água Benta, formada originalmente por Charles Azevedo, Flávia Pucci, Joelson Medeiros e Paula Moreno e que, neste trabalho,   incorporou o ator Ciro Sales.  A montagem é dividida em quatro histórias curtas, escritas por Gustavo Damasceno, e que expõem neuroses e idiossincrasias do homem contemporâneo. A encenação marca também o encontro do grupo com o diretor Marcéu Pierrotti, que dá continuidade ao processo de misturar linguagens de teatro e cinema, presente no seu espetáculo anterior, “Moléstia”. A montagem cumpriu temporada na Cidade das Artes e reabre agora o teatro do Espaço Municipal Sérgio Porto, no Humaitá, onde estreia  dia 17 de maio, sexta-feira.

Investigar e, a partir disso, revelar o comportamento do homem contemporâneo é uma marca da cia Água Benta. Tanto que ela serviu de base para os três espetáculos anteriores do grupo: “Antiga”, do mesmo Gustavo Damasceno com direção de Charles Azevedo; “Uma noite sem o aspirador de pó”, de Priscila Gontijo, também dirigida por Azevedo; e “O olho de vidro” (2017), solo de Charles Azevedo com texto de Renata Mizrahi (inspirado no livro “O olho de vidro do meu avô) e no qual o ator foi dirigido por Flávia Pucci, Vera Holtz e Guilherme Leme-Garcia.

E o grupo mantém-se fiel a essa linha investigativa. Para a nova montagem, bebeu em fontes como o cinema, mais exatamente filmes como o hoje clássico “Um dia de fúria” (1993) e em produções mais recentes como o provocativo “Relatos selvagens” (2014). Tudo para servir a esse propósito: o de retratar a sociedade de hoje. “A vida em sociedade pode ser dividida em dois pilares: aquilo que mostramos ao outro e o que escolhemos não mostrar. Em cada história d’ O Lado B, exploramos a potencialidade humana, desde os comportamentos corriqueiros até os segredos mais sombrios da mente” , explica Flávia Pucci.

E uma vez que o cinema foi um dos pontos de partida, por que não trazer um pouco da sétima arte para a cena? E o nome do diretor  Marcéu Pierrotti mostrou-se o mais indicado para essa parceria. O elo entre a companhia e o diretor foi o  ator Ciro Sales, oriundo do teatro e que tornou-se conhecido do grande público ao viver o garoto de programa Du Love na novela “O segundo sol”. Ciro ensaiava “Moléstia”, sob a direção de  Pierrotti, quando começou a colaborar com a Água Benta.

Pierrotti não só leva adiante sua proposta de misturar as estéticas do cinema com a teatral como vai além: explora também linguagens como as do musical (a terceira história tem um karaokê ao vivo) como a dos quadrinhos, evidentes na primeira história. Tudo isso sem perder de vista o drama de cada uma das personagens. “Esses personagens estão buscando uma saída para suas dores, mas que agora – por as terem sufocado durante muito tempo – podem vir descontroladamente”, avisa o diretor.

Se a pesquisa bebeu em diferentes estéticas, era chegada a hora de levar à cena tal resultado. E a colaboração de duas profissionais foi fundamental para tanto. São elas antigas conhecidas do Água Benta: a premiada cenógrafa Carla Berri (Shell pelo “Hamlet” da Armazém Cia de Teatro) e a atriz e artista visual  Maureen Miranda (a Dida de “O sétimo guardião”). O cenário de Berri é composto por módulos móveis, conduzidos pelos atores e que trazem persianas que, quando abaixadas, atuam como telas para as projeções de Miranda. E o resultado perpassa o cinema e o próprio teatro. Trata-se de uma experiência áudio-visual surpreendente, que só mesmo a mágica teatral poderia possibilitar.

Ficha Técnica:
Dramaturgia: Gustavo Damasceno
Direção: Marcéu Pierrotti
Assistência de direção: Filipe Leon
Elenco: Joelson Medeiros, Flavia Pucci, Charles Asevedo, Paula Moreno e Ciro Sales
Figurino: Maureen Miranda
Cenografia: Carla Berri
Trilha sonora: Leonardo Netto
Direção de movimento: Toni Rodrigues
Iluminação: Luan de Almeida
Fotografia: Nanah Garcia e Filipe Leon
Criação gráfica: Ciro Sales (Otimistas)
Produção: Made In Lu Criação e Arte Ltda
Direção de produção: Joelson Medeiros
Produção e realização: Água Benta Cia de Criação

Serviço:
Temporada: de 17 de maio a 10 de junho
Dias e horários: sextas, sábados e segundas, às 20h30; domingos, às 19h
Onde: Espaço Municipal Sérgio Porto (R. Visconde Silva, s/ nº, Humaitá. Tel: 2535-3846. A bilheteria funciona de quarta a domingo, a partir das 17h)
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: 16 anos

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