Cia. Sansacroma realiza 8º Circuito Vozes do Corpo, mostra de danças contemporâneas na periferia de SP, até 03 de junho

Edição 2017 do Circuito contará com 30 apresentações, entre companhias de dança, artistas solo, coletivos artísticos, workshops e rodas de conversa em 10 dias de evento sem nenhum subsidio para sua realização. Toda a programação acontece na Casa Popular de Cultura M Boi Mirim, na zona Sul da capital. 

Até 03 de junho de 2017, a Cia Sansacroma realiza a 8ª edição do Circuito Vozes do Corpo, mostra de danças contemporâneas que este ano reúne em dez dias de evento 30 apresentações diversas entre companhias de dança, coletivos artísticos, artistas solo, rodas de conversa e workshops. Toda a programação este ano acontece na Casa Popular de Cultura M Boi Mirim, na zona Sul da capital.

Com a realização do evento este ano, o Circuito Vozes do Corpo mantém-se firme resistindo às marés como na prática do surfista, ao se manter em pé na prancha, construindo um corpo resistente aos impactos com o objetivo de legitimar a dança, sua fruição e descentralização na região sul da cidade de São Paulo, promover ainda o protagonismo e participação dos sujeitos historicamente à margem, suas identidades e raízes, seres esses pretxs; periféricxs; mulheres (cis e trans*) e artistas da dança em suas pluralidades.

Assim como na edição anterior, a oitava edição do Circuito Vozes do Corpo não detém de subsidio para sua realização, porém mantem ainda acesa a vontade do acontecimento de uma ação potente, referencial e necessária diante dos atuais acontecimentos que envolve, as políticas culturais na cidade, a Sansacroma tem a honra e a gratidão de contar com artistas parceiros de profissão, de identidades e condições similares.

O eixo curatorial desta edição é o olhar para a cena das danças contemporâneas em diálogo estético político às produções da Cia Sansacroma, cuja direção, criação e concepção assinada por Gal Martins traça em suas inspirações para a cena as questões que envolve o corpo negro na construção da poética do corpo indignado e sua potência de transformação.

“É urgente a relação. É urgente a parceria para além dos pares e ímpares. Precisamos pensar em como as diferenças e as pluralidades podem se reinventar a partir de uma crise do conservadorismo e retrocesso instaurado”, comenta o assistente de direção Djalma Moura. “A chamada aqui é para recompormos nossas posições, nossos discursos, nossos confortos e certezas. Rever e questionar privilégios, refletir sobre as parcerias e como estabelece-las enquanto estratégia de sobrevida”, conclui Moura.

Confira abaixo a programação:

01 de junho | 19h00 

Fragmento Urbano

Espetáculo: “Encruzilhada”

“Encruzilhada” é um espetáculo de dança sobre a atualidade, a ressignificação da ancestralidade, os espaços urbanos e propostas de numa nova consciência corporal e política, em movimento propõe um ato de resistência das periferias, dos mestres da cultura popular e do Hip Hop pouco reconhecidos.

Ficha Técnica

Direção: Douglas Iesus | Intérpretes-Criadorxs: Anelise Mayumi, Douglas Iesus, Juliana Sanso, Luan Afonso, Tiago da Silva | Produção: Anelise Mayumi e Diego Castro | Preparador corporal: Mauro Alves | Artistas provocadores: Luli Ramos e Fernando Ferraz | Artistas dos Blocos de Formação Encruzilhada: Fernanda Cruz, Cláudio Thebas, Banks Back Spin, Marcelino Freire, Lamartine Silva, Dinho Nascimento, Rapadura Xique Chico, Pedro Peu, Thales F. Sarjo, Pikolé, Edson Jacaré, Morgana Souza, Nego Love e Vanilton Lakka | Captação de áudio e vídeo: Marianna Midori e Aline Senzi | Ensaiador: Thales F. Sarjo | Assessoria de imprensa: Marianna Midori e Luan Afonso | Figurinos e adereços: Denise Guilherme | Apoio cênico: Thales F. Sarjo | Design gráfico: Adriana Nogueira | Fotografia: Roger Cipó | Paisagem sonora: João Nascimento, Rapadura Xique Chico, Ana Diniz e Clã Nordestino

01 de junho | 20h30

Solo: Flor da Vida

Intérprete: Verônica Santos

“Flor da vida” surge do desejo de Suelly Machado (bailarina e diretora do Grupo de dança Primeiro Ato – Belo Horizonte/MG) presentear a mais nova bailarina de sua companhia com um solo, a intérprete Verônica Santos.

Em 09 de setembro de 2009, aos 22 anos, Verônica Santos integrasse oficialmente ao elenco de um dos grupos mais renomados do Brasil e estreia o solo “Flor da vida”. 

O solo é montado e coreografado por Rosa Antuña, bailarina mineira que apresentou dentro da sala de ensaio o livro “Mulheres que correm com os lobos – Mitos e Histórias do arquétipo da mulher selvagem” da  autora Clarissa Pinkola Ester, tendo como proposta uma leitura conjunta com Verônica Santos durante toda a preparação corporal.

De maneira poética, coreografa e  bailarina criam uma conexão entre os mitos e contos do livro. Buscando coreograficamente os arquetipos que o mesmo apresenta

01 de junho | 21h00

Coletivo Desvelo

Mostra de processo: Depoimento para fissurar a pele_1º

O Coletivo Desvelo, através das filosofias e/ou mitos de Iansã [Deusa dos raios, ventos e tempestades, guerreira que se transmuta em búfalo ] e Caipora [ protetor das matas e dos animais, que usa de suas forças para enganar os caçadores com sons e ruídos ]. Dois contos aqui que se unem, o primeiro através da diáspora africana ao Brasil e outro vivido pelos indígenas brasileiros.

Fissurar a pele está para compartilhar um processo de compreensão dos imaginários em que cada artista-criador aqui se lança ao refletir sobre suas identidades e as identidades transmutadas brasileiras. Como se fazer presente, dentro do contexto de cada um, nas resistências preto-indígenas na sociedade.

Ficha Técnica

Concepção + Direção: Djalma Moura | Interpretes + Criadores: Erico Santos; Juliana Nascimento; Mônica Caldeira; Piu Dominó; Renato Almeida; Shayanny Sá; Victor Amaro e Djalma Moura | Direção musical: Leandro Perez | Figurinos: Coletivo Desvelo | Assistente de Produção: Cassia Rosário. 

02 de junho | 16h as 18h 

Oficina de Danças Brasileiras com Andrea Soares

Trilhando uma investigação corporal em torno das danças tradicionais brasileiras, partindo da percepção e consciência corporal, a oficina “Danças Brasileiras: um olhar contemporâneo”, pretende situar os participantes não só sobre os passos de algumas destas danças, mas também sobre seus contextos originais, de forma a entendê-las não como uma ação estética isolada, mas como fruto de uma realidade sociocultural. 

Tendo como base do trabalho, noções de Eutonia, Técnica Klauss Vianna, com ênfase na sua fase lúdica, e a força rítmica e gestual das danças tradicionais brasileiras, os encontros pretendem buscar a ampliação do repertório de movimento dos participantes, gerando a construção da dança nas possibilidades expressivas dos mesmos. 

Andrea Soares é atriz, dançarina, eutonista e Mestre em Estética e História da Arte pela USP, além de pesquisadora das culturas populares tradicionais brasileiras e diretora do Núcleo Pé de Zamba de Pesquisa Cênica.

02 de junho | 20h00

Performance com o Grupo Flor de Lis

O Grupo Flor de Lis, formado em 2000, na Casa Popular de Cultura do M´Boi Mirim é composto de 40 mulheres, na faixa etária de 60 a 88 anos. Originalmente era somente um grupo de convivência, e em 2003, a partir do resgate das experiências de suas participantes, passa a se dedicar à pesquisa e a promoção de manifestações da cultura popular tradicional brasileira, através da poesia, de danças, cantigas de roda, cortejos, brincadeiras, etc.

Hoje o Grupo possui em seu repertorio mais de 18 coreografias, baseadas em diferentes ritmos brasileiros (ciranda, samba de roda, dança indígena, cacuriá, carimbô, xaxado, maracatu, coco, cavalo-marinho, bumba-meu-boi, quadrilha junina, pastoril, frevo, congada…)

02 de junho | 20h30 

Malu Avelar 

Solo: CORpo Excluso

A criação desse trabalho se deu dentro de uma Universidade Federal e também da perda do irmão da melhor amiga da artista, assassinado em uma favela da cidade de Belo Horizonte. Através dessas condições o processo revelou uma série de dificuldades tanto burocráticas, tendo em vista o local onde estava sendo criado, e os sentimentos conflituosos de uma perda injusta. CORpo Excluso é uma premissa onde a criadora-intérprete busca atravessar as condições de ser mulher-preta dentro de um território que são instituídos a anulação da existência e importâncias de determinadas pessoas que fazem parte da sociedade, sendo assim, os impedindo que esses corpos se movimentem, transitem, dialoguem, ou que se reconheça, identifiquem, ou que apenas tenham o direito de existir. Esse trabalho é o início de uma sensação de descoberta e existência de um desses corpos que são exclusos.

02 de junho | 21h00

Calcâneos 

Work in Progress: Filhxs –da—Pº##@! T O D A

É sobre tomar na cara. 

É sobre ser.

É sobre ser perseguido no supermercado, é sobre ser considerado sujo, é sobre ser colonizado, é sobre não ser privilegiado pela história, é sobre não ser documentado. 

É sobre não poder doar sangue. É sobre ser um desperdício de homem. É sobre ser dandara. É sobre não poder demonstrar afeto. 

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