Chico Teixeira lança álbum “Saturno”

Depois de hiato de seis anos, cantor e compositor paulista retorna com obra intimista e sensível que atualiza música de raíz em seu terceiro disco

Festa com pocket show e entrevista apresenta as músicas do novo álbum

Capa de “Saturno” (Foto: Patrícia Santiago)
Capa de “Saturno” (Foto: Patrícia Santiago)

São Paulo – O cantor e compositor Chico Teixeira faz festa de lançamento de seu terceiro disco, “Saturno”, que também dá nome à primeira faixa do trabalho, composta por João Lavraz, irmão de Teixeira, falecido em 2014, a quem o álbum é dedicado. O evento será realizado no Bar Brahma, em São Paulo, dia 28 de junho, às 21h, com participações de Roberta Campos e Renato Teixeira. A apresentação será realizada no formato de pocket show com entrevista mediada pelo conceituado jornalista Zé Hamilton Ribeiro.

Além de ser o único músico de sua geração comprometido com o resgate e a continuidade do patrimônio musical do sertanejo de raíz – imortalizado por nomes como Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho, Renato Teixeira, pai de Chico, e Rolando Boldrin – Chico inaugura uma vertente contemporânea do gênero. Na contracorrente da linha estrutural bruta e rústica do sertanejo de raíz, o artista inova a canção regional com letras alinhadas às vozes contemporâneas femininas como a da artista Rita Wainer, que assina a arte das camisetas e palhetas de violão da turnê “Saturno”. Amante de Mercedes Sosa, Leon Gieco e Antonio Tarrago Ros, Chico incorpora elementos da música pop e latina a sua sonoridade e amplia a temática da vida no campo para indagações existenciais, também no contexto urbano, e atualiza o sertanejo de raíz em “Saturno”.

Entre as parcerias do novo disco, Roberta Campos e Renato Teixeira representam as duas faces deste universo e gerações unidas pela transição musical proposta pelo álbum. A participação da ótima cantora espanhola Irene Atienza, com sua voz potente e interpretação contundente, traz dramaticidade à épica “Mãe da Lua”. Enquanto o paulistano radicado no Mato Grosso do Sul João Carrero aponta os diferentes rumos desta sonoridade em mutação ao lado do parceiro da nova geração Chico na preservação da herança musical regional. A  faixa-título, composta por João Lavraz, irmão de Teixeira, falecido em 2014, inaugura a jornada musical de Chico e batiza tanto o álbum como o estúdio da família Teixeira, localizado na Serra da Cantareira, criado e estruturado por João. Ao mesmo tempo em que Chico absorve caminhos sonoros novos, o artista mantém sua atuação na perpetuação da música brasileira de raíz. Diretor artístico de “Raízes Sertanejas”, projeto que leva os clássicos da música de raiz a teatros municipais do interior de São Paulo… ( No Raízes Sertanejas Chico é também o artista principal e convida, a cada show, Sérgio Reis. Os dois cantam de 3 a 4 músicas juntos…) O “Tocando em Frente”, como citou, é outro projeto onde Chico toca violão de 6 cordas ao lado de Renato Teixeira, Sérgio Reis e Almir Sater.

Chico Teixeira
Chico Teixeira tem a música no dna. Representante da nona geração de músicos na família, começou a carreira em 2002 com o lançamento do álbum homônimo, gravado apenas com voz e violão. Em 2011, lançou seu segundo trabalho, “Mais que o Viajante”, que contou com participações de Gabriel Sater e Dominguinhos. Em 2017, Chico Teixeira lança “Saturno”, terceiro disco de sua carreira, com músicas em parceria com nomes como Roberta Campos e Renato Teixeira.

Faixa a faixa por Chico Teixeira Saturno

01- Saturno (João Lavraz)
Essa música é uma produção familiar, feita pelo meu irmão João Lavraz quando tinha uns 21 anos. Uma vez, ele, minha irmã Antonia e eu resolvemos montar um trio, mas só tocávamos em casa e essa música era a que gostávamos de cantar juntos. Resolvi gravá-la, pois me traz a sensação de proximidade com ele, como um abraço apertado. Essa canção traz para o álbum algo diferente de tudo que eu já fiz.

02- Song Swan (Geraldo Roca)
Música de Geraldo Roca, trata do conflito entre os monges tibetanos e o governo chinês, conflito esse que dura uma dezena de décadas. Pesquisei bastante essa história para entender a letra, feita a partir de uma notícia de jornal que dizia: “um carro bomba explode e 16 morrem em Sichuan (província chinesa próxima ao Tibete)”. E tem mitologia grega também: “swan song” é o canto do cisne em seu leito de morte. Convivi muito com Roca e percebo de forma surpreendente questões pessoais dele na letra. Ser o primeiro a gravar essa canção e poder cantá-la é um presente da natureza.

03- A Cara da Gente (Rodrigo Hid / Chico Teixeira)
Parceria com Rodrigo Hid, músico e cantor que tocou na minha banda por muito tempo. Durante um ensaio, me mostrou a melodia e me pediu para colocar letra. Escrevi algo para ele cantar para uma moça que havia acabado de conhecer. Acho que por lá não deu muito certo, mas a música está aí.

04- Chama da Floresta
(Chico Teixeira)
“Chama da Floresta” é o nome popular de uma árvore laranja que de longe parece estar em chamas. Nessa música, acho que surge alguns elementos da música do interior como os pagodes de viola e uma algo parecido com tambores africanos. Há influência forte do “Samba de Chula” lá do recôncavo baiano. A mensagem da letra fala de um viajante que volta para casa, pois ali tem seu porto seguro, sua família.

05- A Vida é Feita de Sonhos part. especial João Carreiro (João Carreiro / Chico Teixeira)
Música em parceria com João Carreiro, dono de uma simplicidade bem verdadeira, falamos de amizade, fé, esperança. Uma mensagem positiva para o povo nesse momento conturbado que vivemos. Ele mandou a letra e eu musiquei, fizemos à distância. Conheço bem esse universo musical do interior, é natural para mim.

06- Tardes de Maio (Roberta Campos / Chico Teixeira)
Meu encontro com Roberta Campos foi natural, fomos apresentados pela Nô Stopa, madrinha dessa parceria. Fizemos logo de cara “Tardes de Maio”: ela tinha a primeira parte da letra, então fiz a segunda parte.

07- Fique com Deus no Peito (Renato Teixeira / Chico Teixeira)
Fiz música e letra, durante um período de muita tristeza para minha família, um pouco antes de começar a gravar esse álbum. Vivemos uma história de superação, fala de saudade e de fé também. Procuro insistir nesse mantra. Mostrei a música para meu pai e ele arrumou algumas coisas e surgiu mais uma parceria nossa.

08- Mãe da Lua part. especial de Irene Atienza e Carolina Delleva (Jaime Monjardim / Chico Teixeira)
Letra de Jayme Monjardim que encontrei entre outras tantas letras de meu pai. Musiquei já há algum tempo, mas ela só ficou pronta após meu encontro com a banda espanhola Saravacalé.  A música fala do urutau, ave rara e misteriosa da América do Sul, mais comum na região Centro-Oeste e nas Cordilheiras. Existem muitas lendas populares e indígenas envolvendo a música “Mãe da Lua”. Ela representa o movimento da arte que habita em mim.

09- Intuição (Chico Teixeira)
Música e letra minha, feita de forma intuitiva. Após a música pronta, descobri a história da Ilha Anchieta, localizado no litoral norte de São Paulo, onde havia um presídio de segurança máxima nos anos 30, 40. Minha família por parte de pai é toda do litoral.

10- Clélia (Chico Teixeira)

Clélia é a décima música de Saturno e leva o nome de minha bisavó materna, falecida aos 103 anos! Assim como minha bisavó, minha mãe, Sandra, também tem sua música instrumental em meu primeiro álbum, “Chico Teixeira Voz e Violão”, lançado em 2002. Em ‘Mais que o Viajante’, meu segundo álbum, meu filho Antonio ganhou ‘Ouça Menino’, que contém uma instrumental encaixada, finalizando a canção. Talvez seja minha maneira de eternizar o mais terno sentimento por membros de minha família.

Ficha técnica Saturno
Produzido por Chico Teixeira
Voz gravada por Rique Azevedo
Gravado no estúdio Saturno por Gabriel Perret, Thiago Baggio, Ricardo e Pacote
Mixagem e masterização por Ricardo Carvalheira (Franja).
Projeto gráfico Mario Gascó
Foto capa Patrícia Santiago
Demais fotos por José TM

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