CAIXA Cultural do Rio de Janeiro exibe arte aborígene

As obras da mais antiga cultura viva do planeta trazem a filosofia indígena aplicada à arte contemporânea

Emily Kngwarreye Painting copy Dacou Gallery
Emily Kngwarreye Painting copy Dacou Gallery

A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 14 de março a 14 de maio de 2017, a exposição O tempo dos sonhos: arte aborígene contemporânea da Austráliaa mais vigorosa, significativa e diversificada coleção de obras de arte dos povos indígenas da Austrália a visitar a América do Sul.  São mais de 70 trabalhos, entre pinturas, esculturas e impressões, que englobam um período de 45 anos, desde o despertar da comercialização da arte aborígene contemporânea na década de 1970 até o presente. A mostra chega ao Rio depois de bem-sucedidas passagens pela CAIXA Cultural São Paulo e pela CAIXA Cultural Fortaleza.

Os trabalhos foram selecionados pelo curador brasileiro Clay D´Paula e pelos australianos Adrian Newstead e Djon Mundine, entre uma coleção de mais de três mil peças da Coo-ee Art Gallery, a mais antiga galeria de arte aborígene da Austrália. Peças de coleções privadas e instituições governamentais também atravessaram o oceano exclusivamente para esta exposição.

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Os visitantes vão poder apreciar obras dos artistas aborígenes de maior projeção internacional, como o celebrado pintor Rover Thomas (1926-1998) que, com suas paisagens de cor ocre, mudou a percepção paisagística australiana, e Emily Kame Kngwarray (1910-1996), considerada pela crítica como uma das maiores pintoras da abstração do século XX. Outro destaque são as chamadas bark paintings, um tipo de pintura sobre entrecasca de eucalipto típica do norte da Austrália e uma das formas de expressão artística mais antigas do mundo, datando de mais de 40 mil anos.

“A arte não é uma invenção dos europeus. Toda cultura tem a sua própria e singular forma de expressão: seja na música, na dança ou na pintura. Não existe diferença entre uma obra de arte criada no deserto e na cidade. Elas devem ser apreciadas e reconhecidas da mesma forma. Esta exposição vem descortinar tais pré-conceitos e ilumina e reconhece as obras criadas pelos artistas indígenas de todo o mundo”, afirma o curador Clay D’Paula.

A exposição proporciona ao povo brasileiro a oportunidade de refletir sobre o impacto da colonização sobre os povos indígenas. Reconhecer o potencial artístico dos ameríndios pode ser uma forma de reconciliação com o passado e trazer uma nova perspectiva. O projeto também traz uma reflexão sobre a filosofia indígena – que consiste no conhecimento mítico – aplicada à arte contemporânea. 

“Nós, brasileiros, tivemos, até hoje, poucas oportunidades de conhecer todo esse universo da arte aborígene da Austrália –  o que pode, inclusive, levar-nos a refletir sobre os povos indígenas de nosso país. O Brasil e a Austrália possuem muitas coisas em comum. Contribuir para aproximá-los e convidar ao diálogo é um dos objetivos dessa exposição”, justifica Clay.

Emily Kame Kngwarray (1910-1996):
Uma das artistas contemporâneas mais importantes da Austrália, Emily descobriu a arte aos 80 anos. A partir daí, dedicou exclusivamente seus dias à produção de cerca de 3 mil obras; oito anos de intensos de carreira com média de uma pintura por dia. Seu trabalho é inspirado por sua vida cultural como uma anciã Anmatyerre, e sua experiência de vida no mundo dos sonhos das mulheres do clã de Alhalkere, em seu País.

Tem telas no MoMA, de Nova Iorque, e tem obras avaliadas numa média de 80 mil dólares.

Mais: http://www.nma.gov.au/exhibitions/utopia_the_genius_of_emily_kame_kngwarreye/emily_kame_kngwarreye

Atividades paralelas:
A programação inclui, ainda, duas visitas guiadas com especialistas. A primeira será realizada pelo curador da mostra Clay D´Paula, com a participação da pesquisadora de arte indígena Germana Portella e do artista Karajá Xoha, no dia da abertura da exposição ao público, 14 de março (terça-feira), às 19h. A segunda ocorrerá no dia 22 de abril(sábado), às 15h, com a mais respeitada especialista em arte aborígene no Brasil, Ilana Goldstein. 

No sábado seguinte (29 de abril), também às 15h, a mostra oferece uma oficina com o artista Eli Braga, que ensinará como o público pode criar objetos de design de alto valor estético com materiais recicláveis. Voltada para o público a partir dos 10 anos, esta atividade foi criada especialmente para a exposição e será totalmente inspirada na filosofia dos artistas aborígenes da Austrália. A inscrição é gratuita e pode ser realizada pelo e-mail: otempodossonhos@gmail.com.

A arte aborígene contemporânea da Austrália:
Os artistas aborígenes pintam os seus sonhos. Diferente da ideia tradicional de sonhar e sua associação com o inconsciente, para eles, pintar o “Sonhar” significa recontar estórias que são atemporais a fim de mantê-las vivas e repassá-las a futuras gerações. Não se trata de algo religioso, tem a ver com a sua sobrevivência. Essas pinturas contêm informações vitais, como por exemplo onde encontrar água permanente. Manter esse “Sonhar” vivo é a motivação fundamental para a prática da arte dos indígenas da Austrália.  

Com status de arte contemporânea, esse tipo de produção vem sendo cada vez mais valorizada e reconhecida. As peças dos aborígenes estão presentes em museus como o MoMA, de Nova Iorque e em diversos eventos mundiais de arte, como a Bienal de Veneza, a de São Paulo e a Documenta, em Kassel. Estima-se que, hoje, a arte aborígene australiana movimente cerca de 200 milhões de dólares por ano naquele país e que mais de 7 mil artistas indígenas vivam de sua prática.

 

Serviço:

O Tempo dos Sonhos: Arte Aborígene Contemporânea da Austrália

Entrada Franca
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Galeria 2
Endereço: Av. Alm. Barroso, 25 – Centro, Rio de Janeiro
Telefone: (21) 3980-3815
Visita guiada: 14 de março, às 19h
Visitação: de 14 de março a 14 de maio de 2017
Horários: de terça-feira a domingo, das 10h às 21h
Classificação indicativa: Livre
Acesso para pessoas com deficiência

Tarde criativa com Eli Braga

Data: 29 de abril de 2017 (sábado)
Horário: 15h
Duração: 2h
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Sala Margot
Endereço: Av. Alm. Barroso, 25 – Centro, Rio de Janeiro
Inscrições: Pelo e-mail otempodossonhos@gmail.com. A participação é gratuita e sujeita à disponibilidade de vagas.

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