8.5 C
New York
março 19, 2019
Featured Teatro & Dança

“Auto Eus – A Ditadura da Aprovação Social” no Teatro Poeira

Adriana Perin - foto: Fernanda Mansur
Adriana Perin - foto: Fernanda Mansur

Espetáculo solo de Adriana Perin mergulha em desconstrução, recomeços e empatia 

Investigar as pluralidades e as “prisões” do ser humano e aceitar a condição vulnerável de ser real, inteiro. Essa é a proposta do espetáculo solo “Auto Eus – A Ditadura da Aprovação Social”, que a atriz Adriana Perin apresenta no Teatro Poeira a partir do dia 6 de fevereiro (quarta), com direção de Raíssa Venâncio. As apresentações acontecem toda terça e quarta-feira, às 21h, até 20 de março. “Auto Eus” é uma realização da Rodafilmes e da Brisa Filmes, uma das produtoras de “Dogville”.

Em cena, a atriz-personagem narra uma espécie de jornada da anti-heroína numa viagem rumo à empatia por si mesma e, por consequência, pelo “outro”. Pelo Todo. Um percurso cênico que retrata vários desafios, entre eles, as expectativas de uma ilusória aprovação social e as decorrentes frustrações que isso pode trazer. “Auto Eus” também questiona os nossos abismos sociais, trazendo histórias densas sobre uma realidade aparentemente distante.

“Utilizamos a singularidade e a experiência pessoal da artista como disparador inicial do processo criativo”, explica a diretora Raíssa Venâncio. “A dramaturgia passa pela trajetória da atriz-personagem: o ex-casamento e as ‘culpas’ e barreiras internas que permearam seu processo de ruptura; a viagem para a Índia, que acidentalmente se tornou um portal para a espiritualidade; a estadia aos 15 anos em um acampamento do MST; o projeto social de Cinema do qual faz parte, no sertão nordestino, em que adentra o universo de menores em conflito com a lei em unidades socioeducativas. Assim como a pesquisa nesses contextos sobre a desconstrução dela, como mulher”, completa Raíssa.

A dramaturgia foi escrita a seis mãos por Adriana, pela diretora Raíssa e pela diretora assistente Paula Vilela. A encenação também foi construída a partir de uma expressiva narrativa corporal, conduzida pela diretora de movimento Lavínia Bizzotto. “O espetáculo fala sobre empatia e desconstrução. Depois de ter vivido tantos processos de investigação interna, surgiu a necessidade de criar um trabalho artístico sobre o eu ideal e o eu verdadeiro, sobre a aceitação de sermos tantos fragmentos. Usar o pensamento para nos definir é algo que nos limita”, conta Adriana Perin. “Em cada uma dessas jornadas é surpreendente o contato com as nossas sombras e nossas fragilidades, até que algo inesperado acontece: nós as abraçamos e seguimos com elas. E percebemos o quanto a autenticidade pode resultar em conexão”, completa.

O processo de criação investigou memórias, abismos e recortes vivenciados pela atriz na sala de ensaio, por meio de improvisos gravados em áudio, que depois foram transcritos. “Um dos nossos maiores desafios foi fechar o texto, pois abrimos várias janelas durante a criação e produzimos um material imenso. ‘Auto Eus’ é uma costura de muitas histórias, e o ponto onde uma se conecta à outra foi nos surpreendendo. Permitimos que o projeto fosse ‘o que ele quisesse ser’ de modo orgânico”, define Adriana.

O cenário de Constanza de Córdova e Fernanda Mansur remete às paredes de uma casa que, a cada cena, ganham novos significados com projeções que trazem memórias, pensamentos e colagens. A Luz de Renato Machado revela as recordações da anti-heroína embalando a sua jornada. A trilha sonora traz canções que marcaram a trajetória da atriz-personagem e também a músicas de Daniel Lopes, compostas especialmente para o espetáculo.

ADRIANA PERIN
Formada em Teatro pela CAL e em Comunicação Social pela UFRJ, Adriana Perin tem 32 anos e é natural de Vila Velha, no Espírito Santo. Estudou atuação também em Londres, na RADA, e o canto. Aprofundou-se em linguagens como Viewpoints, Meisner, Contação de Histórias e Performance. Investigou o corpo como potência criativa com diretoras como Duda Maia, Ana Kfouri e Yael Karavan, experienciou a arte do ator com a Cia Barca dos Corações Partidos e mais recentemente tem mergulhado no universo da palhaçaria com mestres como Karla Concá, Márcio Libar e o canadense Olivier Terreault.

Ao longo de 11 anos de Arte no Rio de Janeiro, Adriana tem como marca uma interpretação bastante plural: atuou no Cinema, séries, novelas, campanhas publicitárias, como apresentadora, além de uma série de trabalhos como locutora e narradora – como em filmes e áudio livros. No Teatro, já atuou em mais de dez espetáculos, tendo sido premiada como Melhor Atriz em festivais no Rio e no Espírito Santo.

Desde 2013 integra o projeto Cinema no Interior, dirigido por Marcos Carvalho, que percorre pequenas cidades do sertão nordestino. Lá atua como professora das oficinas de interpretação e como diretora de elenco nos filmes realizados após as aulas. O projeto originalmente contempla o povo local, no entanto, em 2017, abrangeu também menores em conflito com a lei, sendo realizado dentro de unidades socioeducativas.

Adriana tem profundo interesse nas relações humanas e sociais, na espiritualidade e expansão da consciência, e estuda formas de investigar essa temática em processos artísticos.

AUTO EUS

A Ditadura da Aprovação Social

Temporada: de 6 de fevereiro a 20 de março – terça e quarta, às 21h
Local: Teatro Poeira – Rua São João Batista 104, Botafogo. Tel.: 2537 8053
Capacidade: 82 lugares. Duração: 80 min. Classificação etária: 16 anos. Gênero: autoficção.
Ingressos: R$ 25 (meia e lista amiga) e R$ 50 (inteira).
Bilheteria: de terça a sábado, das 15h às 19h. Domingo, das 15h às 19h.
Vendas online:www.tudus.com.br
www.instagram.com/autoeus_espetaculo 

FICHA TÉCNICA

Elenco: Adriana Perin
Direção: Raíssa Venâncio
Dramaturgia: Adriana Perin, Paula Vilela e Raíssa Venâncio
Direção Assistente: Paula Vilela
Direção de Movimento e Preparação Corporal: Lavínia Bizzotto
Direção de Iluminação: Renato Machado
Direção Musical: Daniel Lopes
Direção de Arte: Constanza de Córdova e Fernanda Mansur
Ativação Energética: Bruna Savaget
Designer Gráfico: Pedro Pedreira
Direção de Produção: Tarsilla Alves e Mariana Golubi
Produção: Juliana Espíndola
Produção Executiva: André Garcia, Pedro Gui e Fernanda Thurann
Assistente de Produção Executiva: Pedro Pedreira
Realização: Rodafilmes e Brisa Filmes
Idealização: Adriana Perin e Pedro Gui  

Posts relacionados

Zigg & Zogg reestreia na Casa de Cultura Laura Alvim

Redação

“Felizes Mortos” propõe uma reflexão sobre o comportamento da sociedade face à moral e à culpa

Redação

“Isso dá dinheiro?” Stand Up com Matheus Mad faz única apresentação dia 25 de outubro com participação de Smigol

Redação

Musical Gonzaguinha: O eterno aprendiz volta em temporada no Teatro João Caetano

Redação

Juarez Moreira Quarteto Convida João Donato para apresentação única no Blue Note Rio

Redação

Flavio Migliaccio reestreia “Confissões de um Senhor de Idade” no Teatro Poeira

Redação

Deixe um comentário