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New York
junho 17, 2019
Exposição

Artista multimídia usa tomografias de cérebros humanos para criar obra de arte com projeções em realidade virtual 3D 360º

Pesquisa cultural tecnológica começou quando Luiza Guimarães observou tomografias do cérebro do próprio filho 

Obra é uma imersão em uma história bonita entre a Saúde, a Arte e a Tecnologia 3D em 360º

A doença alérgica do filho e a dificuldade de adaptação do garoto ao clima frio do Rio Grande do Sul, fizeram com que a mãe – então pesquisadora nas áreas de Ciências, Luiza Guimarães, se mudasse para o Rio de Janeiro. A mudança trouxe não apenas a cura do menino – hoje um engenheiro, mas despertou o amor pelas Artes. Luiza virou midiartista e reuniu suas paixões: performance, ciências e tecnologias da inteligência digitais para dar vida ao projeto “Espectros Computacionais 3D 360”, uma das dez propostas selecionadas para ser desenvolvida em imersão no projeto ArtSonica – Residência Artistica, no laboratório de alta tecnologia Labsonica, do Oi Futuro, no Rio de Janeiro.

ArtSonica – Residência Artística é realizado pela Zucca Produções em parceria com Oi Futuro e Ministério da Cultura. Oprojeto contemplou dez artistas brasileiros com bolsas de R$ 20 mil a R$ 40 mil para passarem dois meses no Rio de Janeiro desenvolvendo obras com linguagem multimídia no LabSonica, laboratório de experimentação sonora do Oi Futuro, no Flamengo, Zona Sul do Rio. No total, 378 artistas de todo o Brasil se inscreveram no processo seletivo.

Para realizar a obra de arte multimídia que será projeta em 2019 na fachada de vidro do prédio do Oi Futuro, no Flamengo, Luiza Guimarães se uniu ao game designer e creative coder, Alberto Assumpção e ao performer, coreógrafo João Silveira. O trio está utilizando centenas de imagens de tomografias computadorizadas do filho dela, do próprio cérebro de Luiza e de outras centenas de pessoas que cederam seus exames para a pesquisadora. No final de tudo, “Espectros Computacionais” vai sonorizar as imagens transforma-las em uma criação eletroacústica em Realidade Virtual (RV) por meio da qual o público poderá interagir com as projeções ao usar óculos especiais para jogos eletrônicos.

“As tomografias foram recolhidas em hospitais da rede particular e pertenciam a pacientes que fizeram os exames, mas não foram buscar os resultados e as imagens iriam para descarte. Elas me interessaram por causa do aspecto conceitual de serem cérebros, mente… Tinha ainda o aspecto estético do acetato transparente por onde a luz permeia em reflexos diversos e mutáveis conforme a iluminação que recebem”.

A ligação de Luiza com os espectros computacionais de cérebros nasceu após sua mudança para o Rio. Ela deixou o Rio Grande do Sul vindo parar em Icaraí, Niterói. De lá, mudou para Botafogo, já no Rio. Isso nos anos 1990. Seu filho tinha 6 anos, a filha 5 anos. “Comecei a estudar na Escola de Artes Visuais do Rio de Janeiro – Parque Lage. Fui aluna de Anna Bella Geiger, João Magalhães, Fernando Cocchiarale, Paulo Sergio Duarte. Tenho a preocupação em trabalhar o tempo presente. Quando eu fazia mestrado em Comunicação e Cultura conheci o panorama 360º”.

O interesse aqui é ser o elo Arte e Vida. E essa obra é uma imersão em uma história bonita entre a Saúde, a Arte e a Tecnologia 3D em 360º. Saúde, ciências e tecnologia num viés transdisciplinar, mas sempre partido da Arte. São pesquisas e ideias que nasceram vinculadas ao meu mestrado, meu doutorado e do dispositivo construído nas torres da Sagrada Família – principal obra de Gaudí e um dos locais mais visitados em Barcelona, na Espanha”, explica a midiartista.

E o trabalho de Luiza sempre teve apoio dos filhos. “Meu trabalho faz parte da vida deles desde sempre. Havia um ateliê em casa, conversávamos sobre Arte, eu os levava à exposições. Meu filho participou de uma perfomance minha quando tinha 14 anos. Esse trabalho rodou escolas públicas e universidades, e quando comentavam com ele sobre isso ele respondia ‘isso é obra da minha mãe’. Há muito carinho deles pelo que eu crio. Hoje ele segue na engenharia. Já minha filha está terminando a residência médica em cardiologia”, conta a artista.

Agora a instalação da obra de arte 306º 3D sai do papel com a ajuda da bolsa financiada pelo Artsonica – Residência Artística.

PROCESSO SELETIVO DOS PARTICIPANTES
“O processo de escolha dos residentes foi um grande e prazeroso aprendizado. Foi o primeiro projeto de residência artística da Zucca e a primeira vez que promovemos uma seleção pública para escolher artistas. Felizmente, as pessoas entenderam a nossa proposta e enviaram trabalhos sensacionais. Recebemos um ótimo número de inscrições de muitas localidades do país, a grande maioria com pesquisas criativas e relevantes. Estamos felizes com o resultado e animados, tanto em acompanhar de perto as residências, como para preparar a próxima seleção de outros dez artistas para o ano que vem”, afirma Júlio Zucca, idealizador do ArtSonica.

“O ArtSonica dá início à ocupação do LabSonica, espaço criado pelo Oi Futuro para estimular pesquisas inovadoras em torno do som, que podem ou não ser relacionadas à variedade e criatividade da música brasileira, em suas diferentes formas”, diz o gerente executivo de Cultura do Oi Futuro, Roberto Guimarães. “Acreditamos na infraestrutura disponibilizada no LabSonica, como equipamentos para gravação de som e vídeo, estúdio acústico e internet de alta capacidade, como alavanca para catapultar os bons projetos que foram selecionados”

O ArtSonica – Residência Artística manteve as inscrições abertas por quase dois meses – entre maio e julho deste ano – por meio do site www.artsonica.com.br. O desafio lançado foi aliar uma pesquisa artística à criação de uma obra de arte multilinguagem. Os dez escolhidos receberão uma bolsa que pode variar de R$ 20 mil a R$ 40 mil, dependendo das características de cada proposta, para cobrir todos os custos do processo criativo, incluído a estadia na cidade, entre agosto de 2018 e junho de 2019.

O ArtSonica – Residência Artística tem patrocínio da Oi, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), e apoio do Oi Futuro e do LabSonica. O objetivo é avançar sobre a missão do Oi Futuro, que é fomentar a inovação, promover experiências criativas de todas as áreas e estimular conexões para potencializar o desenvolvimento coletivo e pessoal.

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