Após superar acusação de dopping, depressão e suicídio, Rebeca Gusmão se torna ícone de superação e dá palestra no Dia Internacional da Mulher

A ex-atleta, que é personal trainer e mãe do pequeno Zeus, de 1 ano e meio, ajuda outras mulheres a recuperarem a autoestima e superarem crises: ‘Mulheres são como rosas: precisam de cuidados todos os dias’

Dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. E, por sua história de superação, a ex-atleta e personal trainer Rebeca Gusmão virou referência para muitas mulheres. Após perder quatro medalhas conquistadas nos Jogos Panamericanos Rio 2007, acusada de dopping, entrar em uma depressão profunda e quase morrer em uma tentativa de suicídio, a brasiliense passou a ser uma espécie de “consultora” para tantas mulheres, que como ela, precisam ou precisaram enfrentar grandes desafios. Os pedidos de ajuda são tantos, que Rebeca começou a dar palestras ensinando como é possível vencer os diversos problemas da vida. 

No próprio dia 08, a ex-atleta ministra a palestra “Mulher do Século XXI: Empoderamento é só o começo. Saiba como conduzir com saúde a rotina da nova mulher”, na faculdade Mauá, em Brasília.

“Algumas pessoas me perguntam sobre como superei a depressão, ou como recuperei minha autoestima depois da maternidade, também pedem conselhos sobre maternidade. Eu estou no mesmo barco. Não sou ‘expert’ no assunto, mas acho que o fato de experimentar coisas novas e ter dado certo fez com que algumas percebessem que a intuição é o melhor conselho. Desde quando nadava já dava palestras. Só fui aprimorando e enriquecendo com novas experiências e temas. Amo dar palestras, amo ajudar as pessoas e amo escutar suas histórias”, conta. 

Rebeca acredita que as mulheres se espelhem nela justamente porque sua vida sempre foi repleta de altos e baixos. “Sou uma mulher como qualquer outra, com os mesmos problemas… Tenho filho para cuidar, marido para dar atenção, tenho que trabalhar… Engordei, emagreci, fico triste, me supero, faço isso, faço aquilo. Não tenho medo de recomeçar ou começar do 0. Isso faz com que muitas pessoas se identifiquem”, analisa. 

Na opinião da ex-atleta, relembrar o ponto alto que cada mulher tem é a chave para recuperar a autoestima. “É importante lembrar o quanto ela é linda e maravilhosa. Lembrar de quanto ela é guerreira e que um dia poderá ajudar muitas pessoas. Mulheres são como rosas: precisam de cuidados todos os dias”, lembra. 

Rebeca, mãe de Zeus, de 1 ano e meio, admite que a maternidade foi o ‘start’ para a mudança de sua trajetória. ” Foi a maior transformação da minha vida. Me fez ter mais vontade de trabalhar, de ser mais presente, de ser família. Eu já amava minha sogra, mas a maternidade fez com que eu desse muito mais valor a ela. A gente deve dar muito valor à sogra”, opina.

Como toda mulher, Rebeca se divide para dar conta de trabalhar e ainda dar assistência à família. “Às vezes desejo que meu dia tivesse 30 horas ou que dormir apenas 2 horas por noite fossem suficientes. Quero estar com meu filho e meu marido frequentemente e ao mesmo tempo estar com meus alunos. Eu não tenho fim de semana nem feriado. Tiro somente cinco dias de férias por ano”, conta.

Mesmo com a agenda cheia de compromissos profissionais, Rebeca faz questão de estar perto do pequeno Zeus: “Procuro priorizar Brasília para estar perto da família e do Zeus. Faço questão de levá-lo e buscá-lo na natação e na escola todos os dias. São momentos que não voltam”.

Recuperação da autoestima e boa forma após a gestação

Durante a gestação de Zeus Rebeca engordou muito e foi preciso muita força de vontade para voltar a boa forma. Com muita disciplina e garra, a personal trainer conseguiu perder 28 quilos e usa sua experiência pessoal e profissional para incentivar outras mamães que não conseguem perder peso e se mostram infelizes com as novas curvas.  No estilo ‘se eu consigo, elas conseguem’, Rebeca troca mensagens e as incentiva com dicas de saúde, exercícios, boa alimentação e estilo de vida. 

“Acredito que o maior medo da mulher é o de se tornar mãe. Ninguém está preparada por mais que sempre tenha desejado isso. Depois que o bebê nasce e vai ficando um pouco mais independente, a mulher volta a prestar atenção nela e percebei que ficou ‘largada’ durante meses, anos até. O que eu mais leio nas redes sociais são mensagens do tipo: ‘Sou mãe, amo meus filhos, mas me sinto um lixo’, ou ‘Meu marido não me olha mais’. Leio algumas mensagens e choro, entro em contato imediatamente. O mais importante, antes de começar a perder peso, é tentar recuperar a autoestima dessas mulheres”, diz Rebeca, que atualmente ostenta um ‘tanquinho’, com 78 kg e 1.80m de altura. 

A personal relembra que também se sentiu uma ‘ogra’ quando estava grávida, mas conta que sempre se prometeu retornar à boa forma e ter uma vida ainda mais saudável. “Tive medo de engordar e depois nunca mais emagrecer. Mas pensei: ‘Eu quero passar a mão naquele barrigão, tirar foto, não conseguir olhar para os meus pés’, e me prometi a recuperar o corpo e o deixá-lo ainda mais bonito depois. Ao engordar 28 quilos eu vi, a cada semana, meu corpo se transformar numa ogra, uma Fiona, mas confesso que foi uma delícia. Claro, tirando a parte de roncar toda a noite e ser acordada por meu marido”, relembra ela, que atualmente, com seu filho Zeus, de 1 ano, consegue se divertir ao lembrar de seu drama.

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