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julho 22, 2019
Teatro & Dança

Após o sucesso de “Hominus Brasilis”, a Cia. de Teatro Manual estreia seu primeiro solo, na Tijuca

VERMELHO - foto: Renato Mangolin
VERMELHO - foto: Renato Mangolin

O Teatro II do SESC TIJUCA recebe de 10 de maio a 02 de junho, de sexta a domingo sempre às 19h, a temporada de estreia do solo “Vermelha”, terceiro espetáculo da Cia. de Teatro Manual, com dramaturgia de Cecilia Ripoll, direção de Marcela Andrade e atuação de Matheus Lima.  Em cena, a história de um menino que trabalha exaustivamente em uma fábrica de sapatos, mas que contraditoriamente não tem condições de juntar dinheiro para comprar o seu próprio calçado.   No entanto, um dia ele descobre que as mercadorias que eles produzem na fábrica, situada no país de baixo, são vendidas a um preço bem menor no país de cima, para onde são exportadas. Começa então uma batalha entre a classe trabalhadora, que quer ter acesso aos sapatos, e o presidente daquele país que propõe a construção de um muro para impedir a entrada dos imigrantes descalçados.

VERMELHA pretende aprofundar a continuada pesquisa da Cia. acerca do gesto atoral e do espaço cênico. Em 2014, com a peça “Hominus Brasilis”, o coletivo foi indicado ao Prêmio Shell RJ de melhor direção e ao Prêmio Cesgranrio na categoria especial pelo estudo do espaço cênico através da Plataforma. Dessa vez, o grupo se lança ao desafio de encenar uma saga repleta de acontecimentos, numerosos personagens e geografias distintas através de um único ator no palco. “Neste primeiro solo da companhia e meu também, o objeto plataforma não estará em cena, mas os princípios que norteiam o trabalho dela, sim: a gestualidade, o corpo expressivo, a pantomima, a comicidade física, o trabalho rítmico, a construção da atmosfera por meio das sonoridades, enfim, elementos que definem nosso trabalho”, destaca Matheus, que interpreta quatro personagens fixos: o menino, a mãe, o presidente do país de cima e o presidente do país de baixo.

O conto “Sapatos vermelhos”, de Hans Christian Andersen, foi o disparador do processo que resultou em uma nova dramaturgia textual que se descola da narrativa original. “No conto de Hans existe um movimento muito forte entre desejo e repressão, repressão e desejo, além da cor vermelha que está relacionada a esses dois polos. Esses sentimentos foram os que mais me fisgaram no conto e que impulsionaram a minha criação”, afirma Cecília. Dois clássicos de Charlie Chaplin também serviram de fonte: “O Grande Ditador” e “Tempos Modernos”.

A encenação – uma mescla de densidade e comicidade – se estrutura em frases curtas e pontuais, pensadas enquanto enunciados da trama, espécie de “legendas orais”, oferecendo lacunas a serem preenchidas pela relação entre ator e espectador. Matheus “joga” com as frases-legenda como se fossem companheiras de cena e transita por todos os fatos e personagens – ora sendo, ora vendo, ora manipulando. Para Marcela Andrade, a direção desse trabalho é uma resposta à força e à inteligência da dramaturgia da Cecilia em conjunto com a potência artística do ator – “Matheus Lima é um artista interessado em todas as frentes do processo criativo. Sua trajetória como ator é uma relação de vida em muitas camadas: familiares, sociais e ancestrais. Para mim, nesse momento histórico do país, Matheus de forma corajosa segue experimentando o teatro, que é a nossa forma comum de seguir experimentando a vida, quero dizer, as vidas possíveis. Encontrar o público se torna oportunidade para experimentarmos ainda mais”, finaliza a diretora.

SINOPSE
Um menino trabalha exaustivamente em uma fábrica de sapatos, mas contraditoriamente não tem condições de comprar o próprio calçado. Um dia, descobre que as mercadorias produzidas na fábrica, situada no país de baixo, são vendidas por um valor bem menor no país de cima, para onde são exportadas. Começa então uma batalha da classe trabalhadora, que quer ter acesso aos calçados baratos, e o presidente daquele país que decide construir um muro para impedir a entrada dos imigrantes descalçados.

SERVIÇO

“VERMELHA”
Temporada: 10 de maio a 02 de junho
Local: SESC TIJUCA (Teatro II)
Endereço: Rua Barão de Mesquita, 539, Tijuca.
Telefone: 3238-2164
Dia\hora: sexta a domingo sempre às 19h
Valor: R$30\ R$15 (casos previstos em lei ou 1kg de alimento não perecível)
Duração: 70 minutos
Classificação: 12 anos
Gênero: drama

FichaTécnica
Direção: Marcela Andrade
Dramaturgia: Cecilia Ripoll
Atuação: Matheus Lima
Trilha Sonora: Roberto Souza
Cenografia: Elsa Romero
Figurino: Camila Nhary
Adereço: Mona Magalhães e Derô Martín
Visagismo: Mona Magalhães
Iluminação: Ana Luzia de Simoni
Design gráfico: Jacqueline Sampin
Fotos: Renato Mangolin
Assistente de produção: Gabrielly Vianna
Produção: Bárbara Galvão, Carolina Bellardi e Fernanda Pascoal – Pagu Produções Culturais
Idealização: Cia de Teatro Manual
Realização: Sesc Rio

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