Apaixonados por jogos se reúnem em festival de games no Méier

Desenvolvedores, expositores e jogadores de todas as idades participaram do primeiro Rio Indie Games no terraço do Imperator

Durante todo o último final de semana, o Rio Indie Games transformou o terraço do Imperator, no Méier, e reuniu apaixonados por games. Entre o público presentava estavam desenvolvedores, pesquisadores, empresários e famílias que foram ao evento curtir e jogar games analógicos e digitais, além de debater e aprender sobre o mundo dos games. Além da programação no Imperator, entre os dias 21 e 25, aconteceram oficinas para crianças e adultos no Cinema Nosso, na Lapa, como parte do festival. O secretário Municipal de Cultura, Junior Perim, participou da abertura do evento e falou sobre a necessidade de se promover uma inclusão produtiva: “precisamos reconhecer uma nova inteligência que olha para cidade do Rio de outro jeito, como por exemplo, visando a produção independente de games”.

Mesas de debate mostram que games são mais que do entretenimento
As mesas de debate reuniram pesquisadores, desenvolvedores e educadores e mostraram que os games podem ser mais do que mera diversão, podendo gerar emprego e ajudar na educação. Os palestrantes falaram sobre desenvolvimento e criação de jogos, o papel e a importância dos jogos para a educação e o mercado de games no Brasil. Na primeira mesa do evento, o game designer Antônio Marcelo e o doutor em games Guilherme Xavier falaram sobre a indústria e o mercado de games no Brasil. Antônio destacou que, para dar certo nesse meio, é fundamental manter-se sempre atualizado. O segundo debate do dia reuniu Camilla Slotfeldt, CEO do estúdio Bit Cake; Lucas Thiers, game designer e game artist; o Ygor Speranza, programador e professor, que falaram sobre suas experiências pessoais na criação e produção de games. Segundo a Camilla, “a criatividade é mais um músculo que se exercita do que um dom”. Ela destacou ainda que é importante pensar no diferencial e porque uma pessoa gostaria de jogar seu game e não outro.

O terceiro debate do sábado, sobre educação e games, contou com a presença da Cristiane Sanches, mestre em ciências que trabalha em projetos de games na área da saúde: Gilson Schwartz, economista e sociólogo; e Flávia Carvalho, diretora de tecnologia. Eles falaram sobre como os games podem ajudar no aprendizado, desenvolvendo a criatividade, planejamento estratégico, trabalho em equipe e a questão de resolução de problemas.  Fechando o dia de palestras, André Rodrigues, desenvolvedor do game indie Porcunipine e um dos fundadores do estúdio Big Green Pillow, conversou com os presentes sobre como sobreviver no mercado de games. Ele contou que o Porcunipine lhe abriu muitas portas e possibilitou a realização de vários projetos. Ele destacou que é importante saber o que é sucesso para cada um: “não precisa ser necessariamente dinheiro, pode ser reconhecimento, pode ser trabalhar com o que gosta ou muito mais”. André também foi o responsável pela única palestra do domingo e contou a trajetória de criação do jogo Porcunipine.

Programação anima o público na área externa e no auditório do terraço
Grande estrela do festival, os games não poderiam ficar de fora. Na área externa do terraço do Imperator, o público pode aproveitar diversos jogos digitais e analógicos. Além disso, no espaço rolaram os Encontros com Criativos, onde desenvolvedores e amantes de games puderam trocar ideias. Já no auditório, rolaram stand ups com o youtuber André Gaveta e com o grupo Três Elementos, formado por Fernando Caruso, Rarafel Studart e Ulisses Mattos, que lotaram a sala. O Vitrine 60s também animou os presentes e desafiou novos criadores a expor seus projetos em apenas um minuto.

Disputas esquentam o Rio Indie Games
Duas disputas esquentaram ainda mais o clima do Rio Indie Games. Após a realização de sete batalhas pela cidade, durante os três meses que antecederam o festival, aconteceram no sábado e no domingo as finais do Circuito de Batalhas de Games. Os 40 classificados duelaram nas oitavas, quartas, semi  e final, para chegar ao melhor jogador de Porcunipine do festival. As finais contaram com a presença do criador do game, André Rodrigues. Já era noite de domingo quando aconteceu a grande final, que consagrou Pedro Lucas como o grande vencedor.

“Eu adoro jogar, mas meu pai não gosta muito que eu jogue todo dia”, entregou Pedro. “Conhecemos o evento na Lona Cultural Jacob do Bandolin, na Pechincha, onde meu filho se classificou para as finais. Eu apoio que ele jogue, mas precisa dividir os horários e dar atenção aos estudos. Eu acredito que ele também será um vencedor na vida”, contou o pai de Pedro, Ricardo Fontes.

Outra disputa emocionante foi a Competitiva New Games. Antes do festival, 40 desenvolvedores inscreveram seus games para a competição de melhor game indie do festival. Um júri técnico escolheu os 12 finalistas que foram para júri popular. Durante os dois dias de evento no Imperator, os presentes puderam experimentar os 12 jogos finalistas e escolher seus três favoritos. Após grande participação do público, que fez filas na frente das TVs e computadores para jogar, saiu o grande resultado. O jogo “Rumble Rumble”, desenvolvido por alunos da NAVE-RJ foram os grandes vencedores da noite. Em segundo lugar ficou o Sword of Legacy e em terceiro o Holodrive. Os vencedores ganharam R$3.000, R$1.000 e R$500, respectivamente, além do selo “Rio Indie Games”.

“Foi uma surpresa! Fizemos o jogo há alguns meses e alguns jogos que estavam na disputa estão sendo devolvidos há dois anos. Ainda sim, nós ganhamos!”, comentou Raíssa da Silva Pereira, de 18 anos.

“Eles tem uma proatividade que eu nunca vi. Eles querem sempre aprender e ir além, participando de concursos, editais, game jam. Essa é a confirmação de que eles tem um futuro promissor. Como professor, isso me deixa muito orgulhoso”, destacou Daniel Martins, professor do Nave-RJ

Sentimento de dever cumprido e felicidade por estar na Zona Norte
Mércia Britto, coordenadora do Cinema Nosso e organizadora do Rio Indie Games avaliou a primeira edição do festival.

“O sentimento é de dever cumprido. O evento cumpriu seu papel de centralizar um conteúdo brasileiro sobre games relevante. Estamos trabalhando na programação há mais de dois anos e é legal ver que o evento atingiu o desenvolvedor, a academia, o poder público, as famílias, todo mundo que queríamos que estivesse no evento. Geramos networking, tinha conteúdo para desenvolvedores e tivemos a presença do secretário municipal de cultura. A primeira edição superou as nossas expectativas, atingindo um público muito diversificado”.

Estar na Zona Norte, segundo Mércia, foi um diferencial: “fazer o evento na Zona Norte fez com que a gente fosse até o nosso público. Valeu a pena esperar! Fazer um grande evento no Imperator, com tanta tradição no cinema é uma honra. Esse é um espaço que foi tão importante para o cinema e agora já é muito importante para os games. Percorrer a cidade e sair do eixo Centro-Zona Sul, nas oito lonas culturais e escolas, também foi um desafio”.

O Rio Indie Games foi o primeiro evento totalmente voltado para jogos independentes do Rio de Janeiro. O evento é uma realização do Cinema Nosso e da Jabuti Filmes.