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outubro 17, 2018
Música

André Mussalém lança segundo álbum, Pólis, em show no Rio de Janeiro

O músico André Mussalém, uma das revelações da nova cena pernambucana, lança na próxima sexta, dia 3, seu segundo álbum Pólis em todas as plataformas digitais. Duas faixas do disco já estão disponíveis para audição: Maré – uma canção que celebra Marielle Franco – e Resista, Meu Filho, Resista – composta a partir de um grave fato político ocorrido em Pernambuco durante o Carnaval de 2017.

Na terça, dia 7 de agosto, André subirá ao palco da Casa de Cultura Laura Alvim para apresentar ao público, pela primeira vez, as canções de Pólis, um álbum que resgata a tradição política do cancioneiro brasileiro da segunda metade do século XX. Neste novo trabalho do músico, o samba assume um discurso de crônica e crítica com nítidas influências de Gonzaguinha, Aldir Blanc, Caetano Veloso, Chico Buarque, Ruy Guerra e do cubano Pablo Miláres. No show, André contará com a participação da cantora Isadora Melo, artista que faz dueto com o músico na canção já lançada “Resista, Meu Filho, Resista”.

O álbum de Mussalém, este nem tão jovem compositor que já soma quase três décadas de autoria musical e mais de cem composições, traz dez canções mais uma faixa bônus. A música que abre o disco também dá nome a ele: Pólis foi composta em cima de um soneto crítico do século XVII de Gregório de Matos sobre a cidade do Recife com a mesma técnica utilizada por Caetano Veloso em “Triste Bahia” (do antológico Transa). É possivelmente o primeiro texto de crítica política sobre o Recife e, apesar de ser um choro (samba-choro), foram utilizadas na composição técnicas barrocas de arranjo.

Em Caetano Estaciona no Leblon, Mussalém fala sobre um Rio de Janeiro que é a síntese da cidade política do Brasil. É uma crítica à imprensa que investe em notícias irrelevantes sobre pessoas famosas em detrimento de um Estado de coisas que é bem representado no Rio. Os versos da canção fazem várias referências a músicas de Caetano como: Tropicália; Alegria, Alegria; Uns; Coração Vagabundo; A Bossa Nova é Foda.  Já Retrato 3×4 é a primeira música composta para o disco e nasceu durante o início do processo que levou ao Impeachment da presidenta Dilma Roussef. Naquele momento, André compôs uma canção partindo da ideia de como seria uma foto 3×4 tirada do país na conjuntura política que vivemos.

foto: Josivan Rodrigues
foto: Josivan Rodrigues

Valsa para Tempos Difíceis é uma das raras faixas do disco que não é samba. Seu único objetivo é expressar a necessidade intrínseca de amar mesmo em períodos mais sombrios. Na sequencia vem Maloca com versos que expõe a ferida do sistema prisional das grandes cidades. Apesar do tema “pesado”, o samba narra uma história de amor contada a partir do “eu feminino” e conta com a participação de José Demóstenes, sambista da nova cena musical de Pernambuco.

Cubana é a segunda faixa do disco que não é samba e foi composta a partir de duas vertentes: o grito conservador “Vai para Cuba” e a vontade da companheira de Mussalém de visitar Cuba. É a faixa que mais mistura os temas “amor” e “política” e foi criada a partir das composições do cantor e compositor cubano Pablo Milanés. Deixe a Menina em Paz é uma resposta contemporânea à “Deixe a Menina” de Chico Buarque sob um viés mais atual, a partir da frase do coletivo “Deixe Ela em Paz”. É uma música de homens falando sobre o espaço da mulher na política. Que fique claro que não há na faixa nenhuma intenção de menosprezar o lugar de fala da mulher, ao contrário. A música se dirige aos homens justamente para chamá-los para a luta ao lado das mulheres.

Não seria possível fazer um disco sobre os tempos atuais sem falar o pessimismo de tempos vindouros (o sonho acabou) e Cantiga de Claro Iludir cumpre esse papel embora também seja capaz de injetar nos ouvintes pílulas de esperança de possíveis novos dias.  E encerrando o álbum, As Invasões Bárbaras é uma espécie de faixa bônus que homenageia Henrique Cossart, ex-padre que integrou a equipe de Dom Helder Câmara, e que – ao deixar o sacerdócio – fez parte de uma missão que educava pessoas carentes e acolhia perseguidos políticos durante a ditadura militar. É uma música que narra o amor entre os mais humildes e fala sobre os refugiados que vivem fora e dentro de sua própria pátria. Nada mais atual.

André Mussalém é artista desde os 16 anos e desde cedo estuda o processo de formação do povo brasileiro por meio da música. No Morro da Minha Cabeça foi seu primeiro registro fonográfico e criticava os estereótipos do samba.

Serviço: Show de Lançamento do álbum Pólis de André Mussalém
Dia: 7 de agosto de 2018 (terça)
Local: Casa de Cultura Laura Alvim – Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema
Horário: 20h
Ingressos: R$ 20 (inteira) l R$ 10 (meia)

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