amadorA

Em sua estreia na literatura, a jornalista e apresentadora do programa de rádio FARO – antigo Faro MPB, agora na rádio carioca Paradiso -,  Fabiane Pereira reuniu suas “crônicas, reflexões e desabafos” publicados em diversos sites e outros textos inéditos. Com o título de “amadorA” – a palavra vai além do feminino de amador –, o livro ganhou ilustrações de Roberta Ferro, na capa e no miolo. Com um tom claramente autobiográfico, Fabiane passeia por assuntos de seu cotidiano divididos em duas partes: afetO e afetA.

Fabiane fala de maternidade, mesmo ainda não sendo mãe, da admiração pelos melhores amigos, da conjuntura política, de feminismo e feminino. Fala de si mesma sem entraves, como quem não teme ser vulnerável.

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O prefácio é assinado pela escritora Thalita Rebouças, amiga de Fabiane. Com vocês, “amadorA” (Editora Galateia) ou àquela que não é profissional em determinado ofício. “E é aí que eu me encaixo: sou uma amadora da escrita. Não sou escritora profissional embora escreva todos os dias desde que fui alfabetizada mas só agora decidi assumir meus rascunhos como versões originais”, explica a autora. “Experimenta pedir ao Google o significado da palavra ‘amadora’. Nas primeiras dez páginas de buscas, todos os significados passam longe da beleza do feminino de amador. ‘Amadora’ ganha conotação sexual dentro de uma categoria mezzo orgia mezzo depravação total que jamais é cogitada quando o termo buscado é do gênero masculino”, desabafa Fabi na crônica que dá nome ao livro.

‘amadorA’ será lançado na livraria Blooks (Praia de Botafogo, 316 – Botafogo), no Rio de Janeiro, dia 30 de agosto.

Por Thalita Rebouças

Fabiane Pereira (foto: Vitor Jorge)
Fabiane Pereira (foto: Vitor Jorge)

Tive a honra de ser entrevistada duas vezes pela Fabiane – uma na Bienal do Rio, outra na de São Paulo. Nas duas ela me impressionou. Pelas perguntas inusitadas porém zero constrangedoras, pela segurança, pela fofura sem pieguice, pela inteligência, pela simpatia, pela rapidez, pelo brilho nos olhos, pelo conteúdo. Que conteúdo tem essa moça! E ela é tão generosa que resolveu lançar um livro (viva!) pra dividir com a gente um pouco do muito que povoa sua cabeça.

Ariana, mangueirense, feminista, flamenguista (ninguém é perfeito, vai!), devota de Santa Rita e de Almodóvar, Fabi (desculpaê, eu chamo a Fabi assim) é intensa no melhor sentido da palavra. E soube transformar em palavras todo o sentimento, toda a angústia, todo o questionamento de uma mulher na casa dos 30. Sua escrita  é suave e carismática, como sua fala. É envolvente e sedutora como a jornalista de faro apurado que vai sempre morar dentro dela. É tocante e divertida, tal qual uma música do Otto. É doce e faz pensar assim como as canções do Jeneci ou da Tiê, dupla que ela tanto admira.

Num certo momento do livro, Fabi admite que suas pessoas preferidas dançam nuas pela casa. Pelada ainda não danço, mas vou experimentar dançar assim que terminar de escrever esta orelha, que infelizmente tem menos espaço do que eu gostaria para dar as boas-vindas a essa nova e promissora autora. Cheia de talento e vontade, cheia de graça, de inspiração e de amores. Amores, no plural mesmo. Fabi é múltipla. Fabi é muitas. Sensível, brava, sonhadora, pé no chão, levanta bandeiras, tem medos e inseguranças e faz textão no Facebook, sim senhor. E depois de ler amador(A) você vai entender que todas as Fabis são deliciosas como um banho de cachoeira no Horto.

Em um momento do livro ela escreve: “imagina morrer sem nunca ter trocado uma ideia com Chico Buarque”. Fico com pena mesmo de quem morrer sem trocar uma ideia com a moça da cabeça borbulhante. Ainda bem que ela resolveu escrever um livro, pra dar um gostinho do que seria levar um dedo de prosa (e poesia) com ela. Que venham muitos outros! E rápido, porque este eu devorei em pouco mais de uma hora.

amadorA l Editora Galateia
Páginas: 113
Preço sugerido: R$ 35

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