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dezembro 15, 2018
Livros

Adultera e pobre: ela renasceu das cinzas

Esquecida pela história, a autora Júlia Lopes de Almeida estreia com a obra A Falência como leitura obrigatória para o Vestibular 2019 e essa surpreendente narrativa irá intrigar o leitor à desconstrução

Idealizadora da Academia Brasileira de Letras, Júlia Lopes de Almeida fazia parte da sociedade entre os séculos XIX para o XX e não podia ocupar seu lugar de direito na cadeira, que então foi cedido ao seu marido. Apesar dele merecer, ele entrou apenas porque os fundadores queriam uma instituição exclusivamente masculina.

Escritora, cronista, teatróloga e abolicionista brasileira, Júlia está na lista de livros indicados ao Vestibular 2019 com o título A Falência, publicado antecipadamente pela Editora Edipro para que os estudantes já iniciem a leitura.

O romance impresso em 1901 supera o arquétipo de heroína romântica da época, apresentando uma protagonista adúltera em busca de realização. Camila busca grandes feitos, entremeado à derrocada de um exportador de café.

De origem pobre e elevada à riqueza pelo casamento com Francisco Theodoro, a personagem permanece no mesmo lugar pela comodidade que a fortuna lhe traz, porém descobre a paixão tardiamente nos braços do amante Dr. Gervásio.  Seu marido de nada desconfia, mas terá seu ideal de família perfeita abalado após um mau negócio que o leva à falência.

A partir da decadência, essa mulher então uni-se às suas serviçais e filhas, e juntas encontram um caminho na força feminina, mostram que não precisam de homem para sobreviver e tornam a história encantadora e surpreendente.

A Falência, segundo biografia ainda não publicada pela filha da autora, levou mais de 15 anos para ser produzida, tornando-se a obra-prima de Júlia Lopes de Almeida, uma das maiores escritoras da literatura brasileira.

Ficha técnica:
Editora:
 Via Leitura
Assunto: Literatura
Preço: R$ 28,90
ISBN: 9788567097633
Edição: 1ª edição, 2018
Tamanho: 14×21 cm
Número de páginas: 192

A autora: Júlia Lopes de Almeida (1862-1934) foi uma das principais escritoras de sua geração e uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras. O crítico José Veríssimo apontou a autora, no início do século XX, como um dos dois únicos “autores de obra considerável e de nomeada nacional”, afirmando ainda: “lhe prefiro de muito D. Júlia Lopes”. Oriunda de um lar moderno, que estimulava a leitura, e casada com o poeta português Filinto de Almeida, encarou o ofício da escrita com diligência, alcançando uma obra prolífica e de inestimável qualidade. Começou sua carreira aos 19 anos, na Gazeta de Campinas, em uma época em que a participação da mulher na vida intelectual era muito rara. Por mais de 30 anos, colaborou com o jornal carioca O País. Em seus artigos, apoiava o abolicionismo e a República. Ao longo de sua carreira, produziu contos, peças, romances, crônicas e livros infanto-juvenis. Inexplicavelmente, acabou esquecida já nas décadas de 30 e de 40, com o advento do modernismo, além de ter seu nome excluído da lista da primeira reunião da Academia Brasileira de Letras. O motivo: a exclusão de mulheres da Academia, que só seria revogada em 1977, com a concessão de uma cadeira a Rachel de Queiroz. Seu marido, Filinto de Almeida, acabou ocupando a cadeira de número 3 entre os fundadores, sempre afirmando que sua esposa era a merecedora do posto, como afirmou em entrevista a João do Rio, em 1905: “Não era eu quem devia estar na Academia, era ela”.

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