Devido a riscos de desabamento do prédio onde mora, um jovem casal é forçado a mudar para um novo apartamento no centro de Teerã. Mas um grave incidente ligado à inquilina anterior vai transformar drasticamente a sua vida.

Do mesmo diretor de “A Separação”, vencedor de 78 prêmios internacionais, incluindo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro; Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro; Prêmio do Júri Ecumênico, Melhor Direção, Melhor Ator e Melhor Atriz no Festival de Berlim.

Booking.com

O APARTAMENTO
(The Salesman / Forushande) Irã, 2016, cor, 125 min., idioma: persa (legendado), som D-Cinema 48kHz 5.1, janela 1.85 : 1 / Direção: Asghar Farhadi / Elenco: Shahab Hosseini  (Emad), Taraneh Alidoosti (Rana), Babak Karimi (Babak), Mina Sadati (Sanam), Mehdi Koushki (Siavash), Farid Sajjadi Hosseini e Ehteram Boroumand / Roteiro: Asghar Farhadi / Música: Sattar Oraki / Fotografia: Hossein Jafarian / Montagem: Hayedeh Safiyari / Direção de arte: Keyvan Moghaddam / Produção: Asghar Farhadi e Alexandre Mallet-Guy / Empresas produtoras: ARTE France Cinéma, Arte France Cinéma, Farhadi Film Production e Memento Films Production

Prêmios:
Prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Ator (Shahab Hosseini) no Festival de Cannes; Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Munich Film Festival; Prêmio do Público de Melhor Filme no World Cinema Amsterdam

Imprensa internacional:
“O diretor de ‘A Separação’ fez essa outra joia finamente lapidada do suspense.” (Variety)
“Um thriller que investiga brilhantemente o significado da verdade.” (Le Figaro)
“Um filme que emana eletricidade no ar.” (Paris Match)
“Uma pepita de ouro.” (Elle)

Entrevista com Asghar Farahadi:

Depois de ter filmado O Passado na França e em francês, por que o senhor escolheu retornar ao Teerã para O Apartamento?
Depois de ter filmado “O Passado” na França, comecei a trabalhar em uma história que acontecia na Espanha. Fizemos as trilhas e eu escrevi um roteiro completo, sem diálogo. Discutimos o projeto com os produtores e os principais atores. Mas, para se montar a equipe era necessário quase um ano. Então, para a minha alegria, essa foi uma oportunidade de eu fazer um filme no Irã. Eu não estava confortável com a ideia de ter feito dois filmes sucessivos no exterior e ter me distanciado do exercício de filmar no meu país. Mas agora, se tudo correr bem, eu vou retomar o projeto espanhol.

Como nasceu esse novo projeto?
Há muito tempo, eu tinha uma história que não saía da minha cabeça e sobre a qual tomava notas. Quando surgiu a oportunidade de fazer um filme no Irã, eu mergulhei nessas notas dispersas. Além disso, eu sempre tive o desejo de fazer um filme ambientado no mundo do teatro. Eu mesmo fiz teatro quando era jovem e isso foi sempre muito importante na minha vida. Essa história tinha grande potencial para ser feita nesse ambiente. Então eu comecei a desenvolver as situações em torno de personagens que atuavam em uma peça teatral, ou seja, eram atores.

Como o senhor definiria O Apartamento? É uma história de vingança ou de honra perdida?
Eu teria muitas dificuldades para definir ou resumir a história de “O Apartamento”, e mesmo de expressar o que me inspira nela pessoalmente. Tudo depende das preocupações e do olhar do espectador. Aqueles que vão vê-lo como um filme social destacam os elementos relativos a esse aspecto. Outros poderiam adotar um ponto de vista moral ou algum outro ângulo diferente. O que eu posso dizer é que, mais uma vez, esse filme lida com a complexidade das relações humanas, especialmente no seio de uma família ou de um casal. Logo no início do filme, Emad e Rana são um casal sem complicações.

Esses dois personagens são figuras típicas da classe média iraniana?
Sim, mas não poderíamos dizer que eles são típicos da maior parte dos casais de classe média, seja em suas relações ou mesmo como indivíduos. Simplesmente, os personagens foram criados de uma maneira que o espectador não tenha o sentimento de se tratar de um casal à parte, diferente. Trata-se de um casal normal, mas com particularidades. Eles pertencem ao mundo cultural e atuam em peças de teatro. Mas eles vivem uma situação que revela aspectos intangíveis de suas personalidades.

O título original do filme remete à peça de Arthur Miller, que Emad e Rana encenam com seus amigos. Por que o senhor escolheu essa obra?
Eu li “A Morte do Caixeiro Viajante” quando era estudante. Fui muito influenciado por essa peça, sobretudo no que diz respeito às relações humanas. Essa é uma peça riquíssima que permite ao espectador vários níveis de leitura. Seu aspecto mais importante é uma crítica social de um episódio da história americana em que a súbita transformação da cidade causou a ruína de uma certa classe social. Alguns membros dessa classe não puderam se adaptar a essa rápida modernização e viram-se esmagados. Como tal, essa peça tem grande afinidade com a atual situação de meu país. As coisas mudam rapidamente e aqueles que não podem se adaptar a essa corrida frenética são sacrificados. A crítica social central dessa peça ainda é válida no Irã de hoje. Outra dimensão da peça é a complexidade das relações humanas no ambiente familiar, incluindo o casal formado pelo caixeiro-viajante e Linda. A peça tem um apelo afetivo que, embora muito comovente, leva o espectador às questões mais sutis. Quando eu decidi que os personagens principais do filme seriam atores de um grupo de teatro e estavam trabalhando em uma peça, a obra de Miller me veio de maneira muito interessante, na medida em que ela permitia traçar um paralelo com as vidas pessoais do casal em torno do qual construí o filme. No palco, Emad e Rana representam os papéis do caixeiro viajante e sua esposa. E na vida real, sem perceber, eles irão conflitar com um comerciante e sua família e decidir o destino desse homem.

O senhor evoca o desenvolvimento anárquico de Teerã através da visão que os personagens tem da varanda de seu novo apartamento. É essa a sua visão pessoal da cidade em que o senhor vive e trabalha?
O Teerã de hoje está muito próximo da Nova York que Miller descreve no início da peça. Uma cidade que muda seu rosto em um ritmo delirante, que destrói tudo o que é velho, pomares e jardins, e que os substitui por arranha-céus. É justamente nesse ambiente que vive o caixeiro viajante. E esse é um novo paralelo entre o filme e a peça. Teerã cresce frenética, anárquica e irracionalmente. Quando um filme conta a história de uma família, a casa é necessariamente um “personagem” central. Isso já tinha sido observado em meus filmes anteriores. A casa e a cidade mais uma vez ocupam um papel primordial.

O diretor:

Asghar Farhadi nasceu no Irã, em 01 de janeiro de 1972. Ele estudou Teatro na Universidade de Teerã e as suas primeiras experiências com cinema foi produzindo alguns filmes em 8mm e 16mm, na Sociedade Iraniana de Cinema Jovem, até começar a colaborar em roteiros para séries de TV e para  o cinema, em projetos de outros diretores. Dirigiu seu primeiro longa-metragem, “Raghs dar Ghobar”, em 2003. “À Procura de Elly”, seu quarto filme, ganhou diversos prêmios internacionais, entre eles de Melhor Diretor no Festival de Berlim e do Júri no Tribeca Film Festival. A partir de então, todos os seus filmes foram muito bem sucedidos: “A Separação” (2011) ganhou mais de 70 prêmios internacionais, entre eles o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, os prêmios de Melhor Direção e do Júri Ecumênico no Festival de Berlim, e o César de Melhor Filme Estrangeiro; “O Passado” (2013), conquistou 12 prêmios internacionais, incluindo o de Melhor Atriz (Bérénice Bejo) e do Júri Ecumênico, ambos no Festival de Cannes; “O Apartamento”, vencedor dos prêmios de Melhor Roteiro e de Melhor Ator (Shahab Hosseini) no Festival de Cannes, foi escolhido oficialmente para representar o Irã na disputa por uma indicação ao Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro.

Os protagonistas:

Shahab Hosseini nasceu em 03 de fevereiro de 1974 em Teerã, Irã. Ele obteve seu diploma do ensino médio em Biologia e iniciou Psicologia na Universidade de Teerã, curso que abandonou com a intenção de emigrar para o Canadá. Em vez disso, ele acabou sendo locutor de rádio em seu próprio país, indo depois trabalhar em séries de TV, até fazer sua estreia no cinema, em “Rokhsareh” (2002). Antes de “O Apartamento”, com o qual ganhou o Prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes, Shahab já havia sido dirigido por Asghar Farhadi em “À Procura de Elly” (2009) e “A Separação” (2011), que deu a ele o Prêmio de Melhor Ator no Festival de Berlim.

Taraneh Alidoosti, intérprete de Rana, nasceu em 12 de janeiro de 1984, em Teerã. Seu pai, Hamid Alidoosti, é um ex-jogador de futebol popular em seu país, que atualmente exerce a função de técnico.     Em 2000 ela começou a estudar atuação sob a orientação do ator Amin Tarokh, e em 2002 fez sua estreia no cinema com o filme “Man, Taraneh, Panzdah Sal Daram”, pelo qual ganhou o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Locarno. Dividindo-se entre trabalhos no teatro, na TV e no cinema, Taraneh já havia atuado em outros três filmes de Asghar Farhadi: “Shah-re ziba” (2004), “Chaharshanbe-soori” (2006) e “À Procura de Elly” (2009). Pouco antes de “O Apartamento”, ela e Shahab Hosseini, que interpreta seu marido no filme, atuaram juntos na série televisiva “Shahrzad”, sucesso de audiência no Irã.

O fotógrafo:

Hossein Jafarian nasceu em 1944 em Teerã. Ele se formou na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de Teerã e começou sua carreira trabalhando para a televisão estatal do seu país, onde filmou mais de 40 documentários e programas de TV, antes de se aposentar logo após a Revolução Islâmica de 1979. Ele estreou no cinema em 1980 e suas habilidades como diretor de fotografia logo foram reconhecidas. Desde então, a grande qualidade do seu trabalho, premiado nacional e internacionalmente, faz com que ele seja requisitado por diversos diretores renomados. Seu nome está creditado em filmes aclamados como “Através das Oliveiras” (1994), de Abbas Kiarostami, “Ouro Carmim” (2003), de Jafar Panahi, e “À Procura de Elly” (2009), sua primeira contribuição com o diretor Asghar Farhadi.

Curiosidades:

-“O Apartamento” é o 4º filme de Asghar Farhadi escolhido pelo Irã para disputar uma vaga entre os concorrentes ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Os três anteriores foram “À Procura de Elly” (2009), “A Separação” (2011) e “O Passado” (2013), sendo que “A Separação” não só chegou à competição final como levou o Oscar.

-Após ganhar o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, “A Separação” foi também o primeiro filme iraniano a ganhar o Oscar.

-Em 2012 a revista americana Time destacou Asghar Farhadi entre as 100 pessoas mais influentes do mundo.

-O próximo filme de Asghar Farhadi, ainda sem título definido, deverá se passar na Espanha e ser estrelado por Javier Bardem e Penélope Cruz.

-A filmagem de “O Apartamento” foi temporariamente interrompida devido à morte súbita do engenheiro de som Yadollah Najafi.

Booking.com