​Produtor carioca cria versão para “Não Enche”, de Caetano Veloso

Paulo Camões
Paulo Camões
“Me larga/ Não enche./ Você não entende nada/ E eu não vou te fazer entender.” A clássica canção de Caetano Veloso recebe nova roupagem e o sotaque carioca de Camões, cantor e compositor. Adepto do DIY (sigla para do it yourself, ”faça você mesmo” em tradução livre), o músico transformou a aura baiana original da música em uma versão lounge carioquíssima, perfeita para o verão. Na gravação, Camões teve a participação especial de João Ribeiro, da banda Bagunço no synth, e de Lucas Alves, na guitarra.
 

O cover surgiu inesperadamente. A música começou como uma produção para um amigo, que no fim não foi usada. “Como não queria desperdiçar trabalho, comecei a buscar alguma música que encaixasse no arranjo. ‘Não enche’ caiu como uma luva.”, explica Camões.

Caetano Veloso é uma inspiração para diversos cantores da nova MPB, e com Camões não é diferente. A admiração que começou por meio da influência dos pais, se transformou em algo mais. “Depois que envelheci entendi a genialidade dele e me tornei fã absoluto. Ainda mais depois de ouvir ‘Transa’ incansavelmente e de assistir ‘Cinema Falado’, dirigido por Caetano. Filme que me fez entender melhor o aconchego que vem das águas de março e a profundidade do bucolismo tropical com as cenas que João Gilberto e Nana Caymmi cantam ao fundo respectivamente.”, conta Camões.
 

Paulo Camões é a personificação do espírito carioca. Cantor, compositor, produtor e DJ, ele traz em seu currículo dois trabalhos lançados: “Cupim” e “Anilina”, que falam sobre amor e cotidiano em canções que combinam violão de nylon à batida eletrônica. A vocação pela experimentação fez o cantor homenagear Jards Macalé, com a canção “Negra Melodia”, de 1977, em um edit recém-lançado. A nova versão da música traz as influências do reggae e inclui novos elementos como a black music setentista.

Ouça a versão de “Não Enche”: