“A Vida de um Rio Morto (Monumento ao Rio Doce)”

Carlos Nejar lança obra poética e destaca as consequências da tragédia de Mariana

CapaO descaso com a tragédia na cidade de Mariana causou a morte do Rio Doce, que vai de Minas Gerais ao Espírito Santo. O desastre ambiental é retratado na obra de Carlos Nejar, “A Vida de um Rio Morto – Monumento ao Rio Doce”, lançado pela Ibis Libris Editora. A noite de autógrafos acontecerá no próximo dia 30/06, quinta-feira, na Livraria Travessa do Shopping Leblon, às 19h. O lançamento contará com a exibição do documentário “Carlos Nejar: Dom Quixote dos Pampas”, de Wander Lourenço. O filme conta a trajetória do autor.

No livro, que é “Monumento ao Rio Doce”, Carlos Nejar destaca ao longo de seu poema as principais sequelas deixadas pela catástrofe de Mariana, em 2015. A ruptura da Barragem do Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, levou ferro, manganês e alumínio ao Rio Doce, atingindo vidas, cidades, casas e vegetação.

O livro apresenta ilustrações de Pablo Picasso e o clamor por justiça. E a consciência que não se aparta da poesia, como testemunho deste tempo.

E o autor expõe a dor imposta, a dor de um rio que carece de ter um monumento de palavras, épico como o dos antigos romanos aos heróis. Externar a dor de um povo que se viu mais pobre com a morte de peixes e animais.

“Esta obra é o retrato do país com a metáfora do barro ou a corrupção que rói as instituições.  Com dísticos, o que não é comum na nossa literatura. A força do poema me absorveu e é mais forte do que eu”, comenta Nejar.

Para compor a obra, o autor levou aproximadamente três meses. Segundo Nejar, alguns meses de febre e explosão, escrevendo e sendo escrito, como se a gravasse na pedra. Porque o verso não se mede, o verso é luz.

Gaúcho, de Porto Alegre, Carlos Nejar já morou no Rio de Janeiro e em Guarapari, no Espírito Santo. Hoje, o autor reside em Vitória, na Praia do Canto, perto do mar, que sempre o acompanhou na infância. “É o primeiro memorial poético da alma do Rio Doce, rio hoje morto”- para Diego Mendes Sousa. Ou segundo Oscar Gama Filho, nesta “ Odisseia reinventada, não se trata mais de um homem, o Ulisses, perdido nas mazelas e mistérios do oceano, mas de um Rio destruído pela ganância, pelo descaso e pela irresponsável incúria dos homens.”

Depoimentos

Nejar ocupa uma posição consolidada e, sob vários aspectos, à contracorrente de suas tendências mais ostensivas. Verbo porta-voz dos ventos, dos abalos sísmicos, que se alça ao tom profético e místico.
ANTÔNIO CARLOS SECCHIN

A poesia épica de Nejar inova no sentido de que não somente identifica o herói em pessoa, porém, mais do que isso, identifica esse conjunto com o próprio povo.                              
ANTÔNIO HOHFELDT

Triunvirato poético brasileiro: Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo e Carlos Nejar, que, com seu poder lingüístico e sua força poética representam na atualidade o espírito do continente no continente, a musicalidade e a profundidade pensadora do Brasil que, muito antes de chegar a ser político e econômico, já se fez poder literário do mundo de hoje.    
GÜNTHER W. LORENZ

Sobre o autor                                                                                          
Carlos Nejar nasceu em Porto Alegre, RS, em 1939. Atualmente, reside em Vitória, no Espírito Santo. Procurador de Justiça aposentado. Pertence à Academia Brasileira de Letras, da qual foi, em 2000, Secretário-Geral e Presidente em exercício. Pertence à Academia Brasileira de Filosofia, ao Pen Clube do Brasil . Recebeu a mais alta condecoração do RS, a Comenda Ponche Verde e, de Minas Gerais, a Grande Medalha da Inconfidência, em 2010. Recebeu, ainda, a Comenda do Mérito Aeronáutico, no Rio de Janeiro, em 2011, com a Comenda Domingos Martins, da Câmara dos Deputados de Vitória. Em 2015, recebeu a Comenda Vasco Fernandes Coutinho, do governo do Espírito Santo. Traduzido para várias línguas, tem sido estudado em universidades tanto no Brasil quanto no Exterior. Publicou História da Literatura Brasileira, agora na 3ª edição atualizada. Recebendo o Prêmio neste ano, da Academia Brasileira de Filologia, do Rio. Também é importante ficcionista, com inúmeros romances publicados, como “Riopampa , ou o moinho das Tribulações”,galardoado com o “Prêmio Machado” de Assis”, no ano de 2001, pela Fundação da Biblioteca Nacional. Considerado um dos 37 escritores-chave do século, entre 300 autores memoráveis, no período entre 1890 e 1990, segundo o crítico suíço Gustav Siebenmann (Poesia y poéticas del siglo XX en la América Hispânica y el Brasil, Gredos, Biblioteca Românica Hispânica, Madrid, 1997). Em 2015, saiu a coleção em 14 volumes de livros de bolso, da poesia esgotada, denominada O Chapéu das Estações, pela Editora Unisul e Escrituras.

Ficha Técnica
A vida de um rio morto: monumento ao Rio Doce
Carlos Nejar
Nº de páginas: 176.
ISBN: 9788578232627
Editora: Ibis Libris
Valor: R$ 37.

Serviço
Lançamento:
 30 de Junho de 2016
Horário: 19h
Local: Livraria da Travessa
Shopping Leblon
Av. Afrânio de Melo Franco, 290, Loja 205A – 2º piso

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