Para comemorar os 25 anos de existência, a Cia Limite 151 estreia a montagem de Vaidades e Tolices, peça que reúne dois textos curtos de Anton Tchekhov pouco encenados no Brasil: O Urso e O Pedido de Casamento.  Com direção de Sidnei Cruz, o espetáculo estreia dia 9 de junho, no Teatro Eva Herz, no centro do Rio. Continuando os festejos, no segundo semestre, a Cia vai levar aos palcos O Casamento Suspeitoso, clássico de um dos maiores autores brasileiros, Ariano Suassuna, responsável por dois grandes sucessos do repertório da Limite 151, O Santo e A Porca e Auto da Compadecida.

O Urso e O Pedido de Casamento são duas peças curtas que tem como traço comum o impagável humor com que são construídas. Duas comédias de costumes cheias de ação e de jogos de linguagem que giram em torno da sedução amorosa por parte de viúvas e senhoritas que visam fisgar um marido.

Tchekhov escreveu oito peças com apenas um ato. Dentre elas destacam-se O Urso (1888) e O Pedido de Casamento (1889), que entrelaçamos nessa montagem e demos o nome de Vaidades & Tolices. Nossa montagem acentua a comicidade das peças provocando o jogo interpretativo por meio da dinamização da relação com os objetos de cena, sem descuidar da folia verbal do autor. A partir de situações corriqueiras as personagens são inesperadamente envolvidas em crescente contendas que revelam seus temperamentos contraditórios e pontos de vistas inusitados, a ponto de ofenderem-se mutuamente, chegando ao esgotamento físico e à ameaça mortal. Instantaneamente a sala de visitas transforma-se num palco de luta, num ringue verbal e paradoxalmente, como acontece no mais inofensivo vaudeville, ao final da disputa, a atmosfera se acomoda numa trégua de felicidade provisória”, explica o diretor Sidnei Cruz.

ANTON TCHEKHOV tornou-se conhecido como dramaturgo e contista. Escreveu dramas e comédias que se consagram nos palcos do mundo e estabeleceram padrões para a dramaturgia contemporânea. Seus contos breves revolucionaram as formas narrativas da época e propiciaram modelos para a prosa do século XX. Essas peças curtas de um ato são menos conhecidas do público brasileiro. Todas constituem pequenas obras-primas de alto valor literário, com as marcas típicas da poética tchekhoviana; a brevidade, a economia dos procedimentos, a linguagem despojada, a ironia, o humor e o aprofundamento psicológico das personagens.

No teatro tchekhoviano a palavra engendra a ideia, e não contrário. O próprio Tchekhov diz que “basta alguma palavra surpreendente, algum nome incisivo, e o argumento virá por si.” Como um bom médico e pesquisador de campo, Tchekhov disseca as palavras do seu corpo narrativo, estudando por partes as articulações, o encadeamento e os saltos. Segundo Maiakovski, a obsessão rítmica, os estalos e os coloridos das frases fazem de Tchekhov um potente artista verbal”, destaca o diretor.

SINOPSE:

A comédia “O Urso”, do escritor Anton Tchekhov, conta a história de uma viúva e um credor que são envolvidos por uma trama que revela a exaltação humana e a sensibilidade nervosa, numa hilariante crítica ao comportamento de homens e mulheres, brincando com a sempre controversa e atual “guerra dos sexos”, ao mesmo tempo em que expõe as mazelas de uma sociedade rígida e repressiva.

No fundo uma viagem ao inconsciente da personagem Popova, que contrapõe o moralmente correto com os seus verdadeiros desejos mais íntimos, ou seja, amar outro homem que não o seu falecido marido.

O Pedido de Casamento relata a tentativa de um pedido de casamento tomada a cargo por Ivan Vassiliyitch, um homem hipocondríaco de 35 anos que se vê numa idade crítica para desposar Natalia Stepanovna, sua vizinha e filha do septuagenário Stepan Stepanovitch.

Ivan Vassiliyitch tenta, então, pedir a mão da filha de Stepan em casamento, para grande felicidade deste. É com grande efusividade que Natalia é chamada à presença de Ivan, sem que, no entanto, saiba a razão da visita do seu vizinho. Mas nem tudo é simples. Quando Ivan tenta justificar o motivo da sua presença, surge um mal-entendido: ao fazer o seu discurso introdutório, Ivan Vassiliyitch afirma pertencerem-lhe os Prados de Valloviy, ao que Natalia contrapõe, defendendo que estes são propriedade sua e de seu pai, Stepan.

Este desentendimento é o mote para a descolagem de toda a peça. Por meio de gritos e irónicas acusações, vai sendo discutida a pertença dos prados. As personagens põem em jogo a sua própria integridade moral, agredindo-se mutuamente através de acusações insignificantes.

FICHA TÉCNICA 
DIREÇÃO GERAL: SIDNEI CRUZ
CENÁRIO E FIGURINOS: COLMAR DINIZ
MÚSICAS E DIREÇÃO MUSICAL: WAGNER CAMPOS
ILUMINAÇÃO: ROGÉRIO WILTGEN
PROGRAMAÇÃO VISUAL: JOÃO GUEDES
FOTOS: GUGA MELGAR
PRODUÇÃO COMERCIAL: HELIO ZACCHI E AGNES XAVIER
PRODUÇÃO EXECUTIVA: VALÉRIA MEIRELLES
DIVULGAÇÃO: ANA GAIO
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: EDMUNDO LIPPI

ELENCO

“O URSO”
MARCELO ESCOREL – GRIGÓRI SMIRNOV        
FLÁVIA FAFIÃES – ELIENA POPOVA
EDMUNDO LIPPI – LUKÁ

“O PEDIDO DE CASAMENTO”
RAFAEL CANEDO – IVAN LOMOV
ISABELLA DIONÍSIO – NATÁLIA STEPANOVNA 
EDMUNDO LIPPI – SPTEPAN TCHUBÚKO   

SERVIÇO:

Temporada de 09 de junho a 06 de agosto
Local: TEATRO EVA HERZ – R. Sen. Dantas, 45 – Centro – Rio de Janeiro/RJ
Bilheteria: Tel.: (21) 3916-2600
Horário – 3ª a Sábado às 19,30 h
Ingressos – 3ª e 4ª feira (R$ 40,00) e 5ª a Sábado – R$ 50,00
Classificação Etária – Livre
Duração – 80 minutos
Lotação: 152 lugares