Última semana de Nora na Sede das Cias

Pesquisa cênica transformada em espetáculo é baseada em texto de Henrik Ibsen e aborda o papel da mulher na sociedade

De 02 a 16 de maio a Sede das Cias recebe o projeto Nora, que é patrocinado pela Prefeitura do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura. Com direção de Diana Herzog, a apresentação tem como ponto de partida a personagem Nora de Casa de Bonecas, peça teatral do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. Para compor a pesquisa cênica, a equipe do projeto foi as ruas do Rio para ouvir histórias reais de diferentes mulheres. Esse resultado é revelado no palco, numa pesquisa de linguagem que parte do teatral para o documental, uma dramaturgia que mistura ficção com documento, um doc-fiction.

Esse trabalho parte do teatro para rua, de uma personagem para mulheres. É um trabalho que chega nas vozes coletadas na rua, e nas vozes das atrizes através da voz da Nora – um dos grandes símbolos feministas na história do teatro. “Nosso objetivo é entender como ‘Nora’ continua presente nos dias de hoje. E de que maneira ela como símbolo é atual e necessária, para que mulheres continuem a ganhar voz numa sociedade ainda patriarcal. Por isso o trabalho da pesquisa de campo, de ir para a rua ouvir mulheres é essencial. Entendemos que o próprio ato da fala para a mulher é em si transgressor.” Afirma Diana.

A personagem de Ibsen despontou à época como uma transgressora ao optar por deixar casa, marido e filhos após anos de dedicação à família. Ela decide seguir sua vida em busca de uma prioridade: si mesma. Símbolo do feminismo, que começava a tomar corpo na Europa, Nora subverteu padrões de comportamento considerados ideais para a mulher do final do século XIX.

“Quando encenada pela primeira vez, em 1879, Casa de Bonecas provocou polêmica por questionar a função e valor da mulher na sociedade. Nora é a personificação e desconstrução destes papeis. Ela se tornou um símbolo feminista – mulher não mais como um papel social, como mãe, como esposa, e sim como pessoa, indivíduo. Passados mais de 100 anos da estreia da peça, ela segue transgressora”, declara a diretora.

Para compor o projeto Nora, Diana utilizou além do texto original de Ibsen, uma outra  versão contemporânea do autor para última cena de Eleanor Marx (filha de Karl Marx) e Israel Zangwill para a mesma obra, intitulada “A Doll’s House Repaired” “Casa de Bonecas Consertada, “Casa de Bonecas é um dos textos mais continuados da história. O autor finaliza com reticências. A personagem bate à porta e sai”, explica.

Valéria Martins comanda a produção criativa do projeto, que conta com Duda Maia na direção de movimento, além iluminação de Luiz André Alvim e cenário e figurino de Elisa Faulhaber. No elenco da peça estão jovens e talentosas atrizes, que se revezam no papel de Nora. São elas: Joana Lerner, que integra a Cia. Pequena Orquestra desde 2008 e atuou em novelas como Senhora do destino, Tempos Modernos e Fina Estampa; Priscila Assum, que protagonizou na TV série As Canalhas (GNT), participou de novelas como Passione e Tapas e Beijos e atuou no espetáculo Sonhos de um Sedutor; Natasha Melman, que participou de montagens como Arcamann,Nem sei mais como tudo começou, A Casa de Bernarda Alba e Alice no país das maravilhas; Renata Ravani, que participou do Festival de Teatro do Rio de Janeiro com a peça premiada Fando e Lis e fez parte do elenco do musical Pop Kamikaze; e Lilia Wodraschka, que já atuou nas peças: Malandrices, Abracadabra, Nirvana e A Bruxinha que era boa.

O projeto tem patrocínio da Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e o apoio da Base Dinâmica, Unirio, In House, Prana, Água Donna Natureza, Café 3 Corações e Sede das Cias.

Sobre o projeto Nora
Nora é fruto do trabalho de conclusão do curso de Teoria do Teatro de Diana Herzog, que se desdobrou em um blog, um canal do youtube e ferramenta de mídias sociais, que se tornaram um espaço relevante de discussão e disseminação de conceitos sobre questões de gênero e feminismo. O projeto é a construção e o resultado de uma pesquisa teórica, de campo e por fim, cênica. Para a pesquisa teórica foram realizadas 4 palestras de livre acesso sobre a construção dos conceitos feminino e masculino e compreensão das estruturas do patriarcado. Na pesquisa de campo, a equipe foi às ruas do Rio de Janeiro e ouviu relatos de mulheres de diferentes faixas etárias. Finalizando a pesquisa cênica, foi ministrado um workshop sobre o universo feminino, a partir do tripé sexualidade-maternidade-envelhecimento para a equipe do projeto.

Blog: http://projetonora.com/
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCjNDjMWkTxgkE8X_xGYDs9w
Facebook: https://www.facebook.com/Noraprojetonora/?fref=ts

Sobre a diretora geral e coordenadora de pesquisa
Diana Herzog é atriz, pesquisadora formada em Teoria do Teatro pela Uni-Rio. Dentre seus trabalhos como atriz estão: A Bruxinha que Era Boa, dir. Cacá Mourthé Teatro Tablado, 2014/2015; Tempo Real (2013-2014), dir. Leandro Romano; Maroquinhas Fru-Fru (2012), dir. José Lavigne; As Preciosas Ridículas (2011), Cia. Limite 151; Tem Bola na Cola (2011), dir. Fernando Berditchevsky; Advocacia Segundo os Irmãos Marx (2008), dir. Bernardo Jablonsky; Passo a Passo no Paço Imperial (2004) e O Rapto das Cebolinhas (2005), dir. Cacá Mourthé; Os Melhores Anos de Nossas Vidas (2002), dir. Domingos Oliveira. Foi professora assistente de crianças e adolescentes em 2009-2013 no Teatro Tablado. Foi aluna bolsista da Enfermaria do Riso, prog. de extensão da Uni-Rio liderado por Ana Achcar. É integrante ativa do Brecha Coletivo desde 2010.

Sobre a produção criativa
Valéria Martins atua na área cultural há 32 anos com foco em artes cênicas e visuais. Foi diretora artística, de produção, figurinista e empresária da Intrépida Trupe por mais de 20 anos. Atualmente segue sua consolidada carreira em linguagens híbridas, de movimento e projetos multidisciplinares. Desde 2009 Valéria vem desenvolvendo uma pesquisa bem sucedida que consiste em unir a evolução corporal e performática a obras de arte. Projeto Coleções (2009), Coleções em campo (2012), Zona de Lançamento ( 2014 ) e drama.mov ( 2015 ) foram os resultados dessa evolução com obras de Guga Ferraz, Raul Mourão, José Spaniol, Marta Jourdan, Claudia Hersz e Pedro Bernardes. Os espetáculos-instalações foram vistos por mais de 30 mil pessoas, em locais de grande valor cultural como; Palácio Gustavo Capanema- RJ, Instituto Inhotim – MG, Campo de Santana – RJ, Palácio de Cristal – RJ, Parque Lage – RJ, Quadrienal de Praga 2011 (Prêmio Triga de Ouro).

O elenco

Joana Lerner: Formada em Interpretação pela Uni-Rio. Integra a Cia. Pequena Orquestra desde 2008. No teatro atuou nas peças Madrigal em Processo (2009), da Pequena Orquestra; Quase para sempre (2009), dir. Roberto Souza; Ponto de Fuga (2010), em que fez assist. de direção de Rodrigo Nogueira; Patagônia (2011), dir. Xando Graça; Rebeldes-sobre a raiva (2012), dir. Rodrigo Nogueira; Dentro, ocupação do Teatro Ipanema pela Pequena Orquestra (2012 a 2015), dir. Michel Blois; Hoje é ontem também, dir. Lola Arias; Peça romântica para um teatro fechado, dir. Thiago Rodrigues; O que você vai ver, dir. Inez Vianna. No cinema estreou Madrigal em Filmagem, com roteiro de Rodrigo Nogueira e direção do Argentino Pablo Ramos Grad, dentro do Festival Dois Pontos, em 2015. Na TV atuou em Agora é que são elas (2004), dir. Roberto Talma; Senhora do destino (2005), dir. Wolf Maya; Tempos Modernos (2010), dir. Zé Luis Villamarim; Fina Estampa (2011), dir. Wolf Maya; Meus Dias de Rock 2014), série do Canal Brasil.

Priscila Assum: Atriz com vasta experiência em teatro, TV e cinema. Premiada nos principais Festivais do Brasil por sua atuação no longa-metragem Como Nascem os Anjos, de Murilo Salles. Recentemente atuou nos longas Rio, eu te amo, versão brasileira dos sucessos New York, I love you e Paris Jet ame, e a comédia Os homens são de marte e é pra lá que eu vou. No teatro trabalhou com nomes como Gianfrancesco Guarnieri em peças como Eles não usam Black-tie, e com o autor e diretor contemporâneo Mário Bortolotto. Ganhou prêmio por sua atuação no Festival Tápias de Esquetes em 2006. Em TV protagonizou a série As Canalhas, em 2013, e participou de novelas como Passione (2010) e Tapas e Beijos (2012), ambas na Rede Globo. Recentemente, no teatro, atuou em Sonhos de um Sedutor (2015), dir. Ernesto Piccolo, e no cinema, no longa A Menina Índigo, dir, Wagner de Assis, com estreia prevista para este ano.

Natasha Melman: Atriz, formada pela CAL em 2011, onde participou da montagem “Nem sei mais quando tudo começou”, dirigida por Marcelo Moratto, com direção corporal de Duda Maia. Cursou em 2013 um intensivo em View Points, em Nova York, com a SITI Company. Estuda palhaçaria desde 2012, quando entrou para o Programa Enfermaria do Riso. Atualmente esta cursando Teoria do Teatro na Uni-Rio. Atuou nas montagens “Arcamann” (2011), direção Flávia Toledo; “Nem sei mais como tudo começou” (2011), direção Marcelo Moratto; participações no “Clube da Cena” (2010/2011); “A Casa de Bernarda Alba” (2010), direção de Ole Erdmann; “Alice no país das maravilhas” (2010), direção de Paulo Afonso Lima; “O desconhecido país de onde nenhum viajante retorna”, direção de Celina Sodré.

Renata Ravani: Atriz formada pela CAL, atualmente cursando a faculdade de teatro da Uni-Rio. Cursou até a metade da Faculdade de Dança Angel Vianna. Estudou com Symone Strobel, Flávio Colatrello, Hamilton Vaz Pereira, Hamilton Oliveira. Participou do Festival de Teatro do Rio de Janeiro com a peça premiada “Fando e Lis’’, direção Symone Strobel. Em 2012 fez parte do elenco do musical Pop Kamikaze, direção Marcos Nauer. Em 2013 estava no elenco da peça Incoerências com a direção de Wendell Bendelack.

Lilia Wodraschka: Jovem atriz, graduando-se na Faculdade de Teatro Cândido Mendes e formada pela escola de teatro O Tablado, em interpretação. Já atuou nas peças “MALANDRICES”, direção de Thais Balloni (O Tablado, 2008); ABRACADABRA”, texto de Eduardo Rios e direção de Cacá Mourthé (O Tablado, 2011); “NIRVANA”, texto de Daniel Belmonte, direção de Pedro Kosovski e Marco André Nunes (O Tablado, 2013); “A BRUXINHA QUE ERA BOA”, com direção de Cacá Mourthé (O Tablado, 2014). Fez a assistência de direção para Thais Balloni (2014). Estudou teatro com Thais Balloni (2008), Cacá Mourthé (2010/2011), Hamilton Vaz Pereira (2011), Pedro Kosovski e Marco André Nunes (2012/2013), Thierry Trémouroux (2011), Samir Murad (2011). Marcia Fiani (2014) e Marcio Libar (2014). Estudou também Fundamentação de artes visuais no EAV (2014).

FICHA TÉCNICA
Direção/pesquisadora – Diana Herzog
Produção criativa/pesquisadora – Valéria Martins
Atrizes/pesquisadoras – Joana Lerner, Lilia Wodraschka Priscila Assum, Natasha Melman e Renata Ravani
Direção de Movimento/pesquisadora – Duda Maia
Iluminação – Luiz André Alvim
Cenário e Figurino – Elisa Faulhaber
Assistência de direção/pesquisadores – Maíra Kestenberg

SERVIÇO

Teatro – Projeto Nora

De 02 a 16 de maio
Horário: De sexta a segunda às 20h
Local: Sede das Cias
Endereço: Rua Manoel Carneiro 10, Lapa, Rio de Janeiro – RJ
Duração: 1h
Gênero: ficção documental
Classificação etária: 12 anos
Preço ingresso: R$30 inteira e R$15 meia
Endereço: R. Manuel Carneiro, 12 – Escadaria Selarón – Lapa
Telefone: (21) 2137-1271 (bilheteria aberta a partir das 19h)
Estacionamento perto da Sede: Rio Antigo Park – Rua Teotônio Regatas, s/n.o (ao lado da Sala Cecília Meireles)

DEIXE UM COMENTÁRIO