To the Moon: inesquecível

To The moon

Existem filmes  e livros os quais não pode-se morrer sem ler/assistir. Há também games nessa categoria, e o jogo “To the Moon” (ir à Lua)  está incluído nesse hall de clássicos. Contado com uma história lindíssima e trilha sonora arrebatadora. Só há uma palavra para descrever o jogo: inesquecível.

Embora essa resenha esteja “um pouquinho” atrasado, pois o jogo foi lançado em 2011, é obrigação desse veículo escrever sobre essa obra prima, que ganhou inúmeros prêmios e recebeu críticas positivas de diversos sites especializados. O estilo do jogo é de RPG (Role Playing Games) e foi desenvolvido pela empresa Freebird, que conta com apenas 4 pessoas.

“To the Moon” conta a história de dois doutores, Watts e Eva, que fazem parte de uma empresa responsável por implantar novas memórias em seus pacientes. Geralmente as pessoas passam a vida pensando no “que aconteceria se” fizessem escolhas diferentes na vida. A empresa, chamada genialmente de “Sigmund Corp” faz com que esses indivíduos ganhem novas memórias baseadas em algum sonho ou desejo que possuem. O problema é que a memória implantada não pode coexistir com a real, e causaria um choque de realidade com o mundo real, já que são memórias falsas. Então esse procedimento só é utilizado com pessoas no leito de morte, como uma “recompensa” no final da vida.

Os protagonistas são contratados por um senhor chamado Johnny, que possuía um sonho: ir à lua. Simplesmente isso. É um homem idoso, doente e sozinho, no leito de morte, contando apenas com sua governanta Lily e os dois filhos pequenos dela. A partir desse ponto começa a jornada de Watts e Eva através da memória de Johnny, começando de forma retroativa, ou seja, revivendo momentos da memória mais recente até a mais antiga, para poder estimular seu inconsciente a realizar aquele sonho que não conseguiu realizar em vida. E precisam fazer isso antes que ele faleça.

A beleza do jogo começa nesse ponto, pois por trás desse sonho incomum há uma história profunda e comovente. Não há como mencionar sem spoilers, o que seria um crime com a experiência do player, mas é provável que muitos irão ficar com água nos olhos ao assistir as escolhas de um homem que não teve uma vida fácil, e irão se sensibilizar e fazer o máximo para que ele consiga realizar seu sonho. Vale a pena ir até os cantos mais obscuros de sua memória e entender o que levou ele a ter essa vontade.

Os protagonistas possuem ótima interpretação e carisma; Watts é um homem que possui uma personalidade inicialmente vista como boba, fazendo piadinhas infames sobre tudo, mas aos poucos vai demonstrando seu lado humano. Já a doutora Eva é a mais racional e procura cumprir sempre o que foi acordado entre o paciente e a empresa, buscando soluções que agradem a todos. Os diálogos entre os dois são muito bem escritos e alguns momentos hilários irão quebrar o ritmo dramático do jogo, de forma prazerosa e sutil. Os antenados em cultura pop vão perceber rapidamente as inúmeras referências a várias obras cinematográficas.

Em termos de jogabilidade e mecânicas, o jogo basicamente remonta a era clássica dos RPG’s de Super Nintendo, com gráficos 2d e personagens no estilo SD (Super Deformed). Há uma semelhança de cenários e animação de personagens com o clássico Chrono Trigger, da Square Soft. Você basicamente anda pelas memórias e vai coletando esferas, contidas em itens, pessoas ou lugares que o paciente visitou; após recolher cinco esferas, é necessário achar um item chamado “memento”, que irá possuir um quebra cabeças no estilo “monte a imagem” e após resolvido, irá ativar o inconsciente da pessoa e enviar os doutores à partes mais antigas de sua memória.

A jogabilidade é um pouco travada, porém não atrapalha, já que o jogo não requer uma execução precisa de comandos; é basicamente uma narrativa interativa com alguns quebra cabeças a serem resolvidos. Denegrir o jogo por causa dos controles seria como falar que um livro é ruim devido a má arte de sua capa, não há sentido. A trilha sonora é maravilhosa e com certeza dá um retoque de excelência ao game.  As músicas são compostas de emoção e só de ouvi-las já comove o jogador. Realmente foi um trabalho majestoso dos compositores.

Embora seja um jogo RPG de curta duração,  “To the Moon” é um clássico, sem dúvidas. Produzido por uma equipe pequena e com muito esforço, demonstra como a força de vontade e talento podem construir uma obra prima, que com certeza será lembrada por muitos anos. Não foi preciso nenhum toolkit complicado ou milhões de dólares para criar um jogo que toca profundamente as emoções dos jogadores envolvidos.

Ficha Técnica:

Título: To the Moon
Ano: 2011
Desenvolvedores: Freebird Studios (Kan Gao, Jessia M. Vázquez, James Q. Zhang, Gabriela A.)
Plataformas: Windows
Preço: U$ 9.99 – Disponível no Steam, GOG e Humble Store.

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