Theatro Municipal realizar Serse, primeira atração da Academia de Ópera Bidu Sayão

Título de estreia da Série Ópera de Câmara em Concerto, a obra de Haendel será apresentada por solistas da Academia e músicos da Orquestra Sinfônica da UFRJ, com regência de Priscila Bomfim

Academia de Ópera Bidu Sayão (foto: Júlia Rónai)

Fundada no segundo semestre de 2015, como espaço de formação para jovens artistas líricos no repertório operístico, a Academia de Ópera Bidu Sayão mostra ao público seu primeiro fruto. A instituição pertencente à Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro, vinculada à Secretaria de Estado de Cultura (SEC), apresentará no dia 13 de maio, às 20h, e no dia 15, às 17h, a ópera Serse, de Georg Friedrich Haendel, marcando a estreia da série Ópera de Câmara em Concerto. As récitas terão como solistas Beatriz Simões, no papel-título, Lara Cavalcanti e Cíntia Graton (revezando-se como Arsamene), Rafaela Fernandes (Amastre), Michele Menezes (Romilda),Luisa Suarez (Atalanta), Flávio Mello (Elviro), Cícero Pires e Patrick Oliveira (alternando-se como Ariodate) e contarão com a participação dos músicos da Orquestra Sinfônica da UFRJ, com Direção Musical e Regência da Maestrina Priscila Bomfim.

Academia de Ópera Bidu Sayão (foto:  Júlia Rónai)
Academia de Ópera Bidu Sayão (foto: Júlia Rónai)

A Academia de Ópera Bidu Sayão está sob a coordenação do tenor Eduardo Alvares. A pianista e regente Priscila Bomfim é a maestrina preparadora, o bailarino João Wlamir é o responsável pela preparação e expressão corporal e Bruno Furlanetto, chefe da Divisão de Ópera, pelos estudos de história da ópera. Para 2016, além deSerse, de Haendel, estão previstos na temporada da série Ópera de Câmara em Concerto outros três títulos de diferentes épocas e estilos: Savitri, de Gustav Holst,Dido e Enéas, de Purcell e a inédita O Boi e o Burro a Caminho de Belém, ópera inédita para o público infantil criada com base no texto de Maria Clara Machado, encomendada pelo Theatro Municipal ao compositor Tim Rescala.

“A Academia de Ópera insere-se no rol das ações de educação e responsabilidade social do Theatro Municipal, que incluem a Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, além da promoção regular de ensaios abertos a alunos de escolas de música e projetos sociais, visitas guiadas e cursos sobre ópera, música e ballet para a comunidade”, afirmaJoão Guilherme Ripper, Presidente da Fundação Teatro Municipal.

Diretor Artístico do Theatro Municipal, o Maestro André Cardoso destaca: “Muitos dos grandes teatros de ópera do mundo recebem cantores em fase de profissionalização através da organização de academias ou estúdios de ópera a eles vinculados. Tal expediente é utilizado para dar ao jovem profissional o treinamento específico no que diz respeito ao estudo de repertório e tradições interpretativas. Ao criar sua Academia de Ópera dando a ela o nome de Bidu Sayão, o Theatro Municipal não só homenageia a grande artista como também a torna uma referência para os jovens cantores líricos brasileiros. Bidu Sayão foi a maior cantora lírica brasileira, cuja carreira internacional a levou aos mais importantes palcos do mundo, com especial destaque para o Metropolitan de Nova York, onde foi uma das mais aclamadas sopranos de sua geração”.

Maestrina Priscila Bomfim (foto: Divulgação)
Maestrina Priscila Bomfim (foto: Divulgação)

Especialmente voltada para a qualificação profissional de cantores, a Academia de Ópera Bidu Sayão funciona em sistema de residência artística de até dois anos de estudos vocais, cênicos e musicais. As atividades desenvolvidas incluem aulas, masterclasses, estudo de repertório, ensaios e concertos, com trabalho focado na expressão musical e dramática. Os alunos participam das produções da temporada do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, assim como de espetáculos especialmente produzidos com finalidades artísticas e pedagógicas, realizados com piano ou orquestra.

“Fizemos uma seleção entre mais de uma centena de candidatos, seleção difícil, devido ao alto nível da qualidade das vozes. Muitos talentos naturais, vozes belíssimas, e dentro desse universo, depois de muita deliberação, escolhemos dezesseis candidatos, que já tinham alguma base e conhecimento para enfrentar a difícil e às vezes pesada rotina de uma escola de ópera. Rotina essa que consiste em aulas de interpretação, de voz, de expressão corporal, de estilo e também na aprendizagem de novos papéis, permitindo aos alunos começarem a formar um repertório adequado às suas características vocais, eventuais limitações, ampliando as facilidades naturais de cada um”, diz Eduardo Alvares, Coordenador da Academia de Ópera Bidu Sayão.

Sobre a ópera Serse
Estreada em Londres em 15 de abril de 1738, a ópera Serse, de Haendel, teve seu libreto adaptado de um original de Silvio Stampiglia e se passa na antiga Pérsia, por volta do ano de 480 A.C. A complexa trama se desenvolve ao longo de três atos.

Serse, rei da Pérsia, prepara com seu irmão Arsamene a invasão de Atenas. Numa hora de descanso agradece a um plátano a sombra que ele lhe dá. Mas os dois irmãos disputam o amor de Romilda, filha de Ariodate. Romilda prefere Arsamene, mas Serse está determinado em casar com ela custe o que custar, e para tanto expulsa o irmão da corte. Serse diz a Ariodate – pai de Romilda e Atalanta – que, como recompensa sobre sua vitoria sobre os Mouros, ele ganhará um genro de sangue real. Enquanto isto Amastre, Princesa de Susa, disfarçada de soldado, vem à procura de Serse, de quem ela está noiva. Complicações são causadas pelas trapalhadas de Elviro, criado de Arsamene, que deve entregar uma carta de Arsamene para Romilda. Atalanta, irmã de Romilda, complica a situação declarando apaixonada por Arsamene e inventando falsidades para afastar os dois amantes. Romilda a adverte de não tentar roubar Arsamene dela.

O segundo e o terceiro ato giram em torno da carta de amor escrita por Arsamene para Romilda, causando uma série de confusões já que ela cai nas mãos de todos os personagens exceto para quem é dirigida. Amastre resolve a confusão com uma carta de explicações para Serse. Lendo-a, o arrependido rei anuncia que Amastre será sua noiva. Romilda e Arsamene, felizes, celebram seu próprio casamento.

“Em Serse, o compositor surpreende-nos com elementos de humor, os mesmos que surpreenderam também o público e críticos da época, bem como com a introdução de árias que fugiam da habitual forma Da Capo. É justamente essa quebra de paradigmas, feita pelo próprio compositor, que mantém a montagem de Serse dinâmica e atual. Um dos desafios na preparação da obra foi transpor a linha do tempo e do estilo barroco, para que a inspiração da música de Haendel – com suas árias de virtuosismo e bravura, ou de simples e absoluto lirismo – se tornasse real e próxima dos nossos ouvidos e sentimentos. Em contraponto, primamos por contar a história com clareza nos recitativos, ainda que numa língua estrangeira”, comenta Priscila Bomfim, diretora musical e regente de Serse e Maestrina Preparadora da Academia de Ópera Bidu Sayão.

Sobre o coordenador da Academia, Eduardo Alvares
O tenor carioca Eduardo Alvares estudou no Rio, em Roma e depois em Viena. Estreou em Linz, também na Áustria, no papel de D. José, em Carmen, de Bizet, aos 22 anos de idade. No ano seguinte, cantou D. Carlo, de Verdi, na ópera do mesmo nome, sob a regência de Christof von Dohnanny, em Frankfurt. Em seguida, apresentou-se nos grandes papéis do repertório operístico em Munique, Dusseldorf, Veneza, Viena e Londres, entre outros teatros europeus. Cantou ainda em Sydney, Melbourne e Brisbane, na Austrália. Foi artista convidado em relevantes festivais como os de Salzburgo, Viena, Dubrovnik, Spoletto e Amsterdam. Em 1998, estreou nos EUA como Radamés, em Aída, de Verdi. É hoje um dos mais renomados cantores líricos brasileiros, com destacada atuação internacional. Possui extenso repertório tanto em ópera quanto em concerto, como solista de orquestras do porte da Filarmônica e da Sinfônica de Viena, Sinfônica de Munique, Philharmonia Orchestra de Londres, Filarmônica de Hamburgo e Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara, entre outras – de Weber a Stravinsky, de Wagner a Mahler, de Beethoven a Puccini, Alban Berg e Mozart. Atuou com regentes como Leonard Bernstein, Ricardo Muti, Wolfgang Sawalisch, Kurt Mazur etc. Já foi dirigido por importantes nomes como Palitsch, Zeffirelli, Scalisky/Svoboda, Gianni Ratto, Sérgio Britto, José Renato, Tizuka Yamasaki e Ana Carolina, no Brasil e no exterior. Foi convidado por Peter Brook para participar da sua montagem de Carmen, em Paris. Como diretor cênico dirigiu, no Theatro Municipal RJ, Salome, de Wilde e Strauss, e O Cientista, em que assinou a direção, a concepção e o roteiro; no Teatro Villa-Lobos de Brasília,Tosca, de Puccini; incluindo produções nos Teatros Santa Izabel do Recife, José de Alencar de Fortaleza e Castro Alves de Salvador. Concebeu e dirigiu uma montagem ao ar livre da ópera Carmen, em Brasília. Foi Diretor Artístico, por duas vezes, do Theatro Municipal do Rio. Tem a honra de ser o único brasileiro, ao lado de Bidu Sayão, a ter um verbete no mais prestigioso dos dicionários de música, o Groves. Foi um dos solistas do Concerto de Gala durante a abertura dos Jogos Olímpicos de Munique.

Sobre a diretora musical e regente, Priscila Bomfim
Nascida em Braga, Portugal, Priscila Bomfim é Mestre em piano pela UFRJ e, desde 2000, pianista do Theatro Municipal RJ, onde atua como Maestrina Preparadora da Academia de Ópera Bidu Sayão. Aperfeiçoou-se na área da regência e colaboração ao piano tanto no Brasil quanto em países como EUA, Suíça e Itália. Participou de Cursos e Festivais de Música, no Brasil e no exterior, assim como de masterclasses com os Maestros Daisuke Soga (Japão) Umberto Finazzi (Saluzzo/Italia) e Riccardo Muti (Ravena/Italia). Como pianista, apresentou-se em concerto nas mais importantes Salas de Concerto do Brasil, em diversas cidades do Chile e da Itália, no Carnegie Hall de NY, no Opera Kalmeralna da Varsóvia/Polônia e em Lugano/Suíça. Obteve várias premiações em concursos de piano e música de câmara e estreou diversas obras em edições de música contemporânea. Em breve, irá apresentar em primeira audição no Brasil o Concerto para piano e orquestra de cordas, a ela dedicado, do compositor italiano Armando Ghidoni. Assinou a direção musical em 2010 das óperas Une Education Manquée, The Telephone e Hansel und Gretel, no Projeto Ópera no Bolso/RJ. Dirigiu também a ópera Domitila (J. G. Ripper), em turnê por diversos estados Brasil. Em 2012, na Série Ópera & Repertório, da OSB, atuou como maestrina preparadora dos cantores solistas em Il Re Pastore, Orfeo, Griselda, Il Pirata, Ariadne auf Naxos e La Fille Du Regiment. Em 2013, ainda com a OSB, preparou o Coro em Il Turco in Italia, The Rake’s Progress e Medèe. Mais recentemente, em produções da Sala Cecília Meireles (RJ), preparou solistas das óperas O perigo da arte (Tim Rescala) e Renaud. Como regente, esteve à frente da Orquestra Juvenil da UFRJ (RJ), Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro (OSJRJ) e da Orquestra do Festival Internacional de Música Scala (MG). No Theatro Municipal do Rio coordenou o Projeto Ópera do Meio-Dia, durante o ano de 2015. Recentemente, assumiu a direção musical e curadoria do programa Partituras, da TV Brasil.

SERVIÇO

SERSE
Ópera em três atos de Georg Friedrich Haendel
Libreto adaptado do original de Silvio Stampiglia

Solistas da Academia de Ópera Bidu Sayão

Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Solistas:

Serse – Beatriz Simões, mezzo-soprano

Arsamene – Lara Cavalcanti e Cintia Graton, mezzo-sopranos

Amastre – Rafaela Fernandes, mezzo-soprano

Romilda – Michele Menezes, soprano

Atalanta – Luisa Suarez, soprano

Elviro – Flávio Mello, barítono

Ariodate – Cícero Pires e Patrick Oliveira, baixos

Direção Musical e Regência – Priscila Bomfim

Coordenação e Orientação Vocal –  Eduardo Alvares

Preparação Cênica – João Wlamir

Narração – José Rescala

Cenografia – Renê Salazar

 

Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Praça Floriano s/n° – Centro

Dia 13 de maio de 2016, às 20h
Dia 15 de maio de 2016, às 17h 

Preços:

  • Frisas e Camarotes – R$ 240,00
  • Plateia e Balcão Nobre – R$ 40,00
  • Balcão Superior e Galeria – R$ 20,00

Desconto de 50% para estudantes e idosos

Vendas na Bilheteria, no site Ingresso.com

ou por telefone (21) 4003-2330

Capacidade – 2.227 lugares

Classificação etária – Livre

Duração – 120 minutos, com intervalo

Informações – (21) 2332-9191