Theatro Municipal estreia ópera “Orfeu e Eurídice”

Obra de Gluck será realizada pelo Coro, a Orquestra Sinfônica do TM e solistas com a Concepção, Encenação e Iluminação de Caetano Vilela e Direção Musical e Regência de Abel Rocha

Ópera Orfeu e Eurídice 2016 - Denise de Feitas - Orfeu  (foto: Júlia Rónai)
Ópera Orfeu e Eurídice 2016 – Denise de Feitas – Orfeu (foto: Júlia Rónai)

Considerada emblemática e revolucionária tanto na forma como no estilo, desde sua estreia no Hoftheater de Viena, em 1762, a ópera Orfeu e Eurídice, será a próxima atração da temporada lírica da Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro, vinculada à Secretaria de Estado de Cultura (SEC), nos dias 7, 9 e 12 de julho, às 20h, e no dia 10 de julho, às 17h. Apresentada pela SICPA Brasil Tintas e Sistemas de Segurança, a obra do compositor alemão Christoph Willibald Gluck (1714-1787) e do libretista italiano Ranieri de Calzabigi (1714-1795) será executada pelo Coro e pela Orquestra Sinfônica do TM e terá como solistas convidadas a mezzo-soprano Denise de Freitas, no papel de Orfeu, e a soprano Lina Mendes, interpretando Eurídice. A soprano Luisa Suarez, integrante da Academia de Ópera Bidu Sayão, do Theatro Municipal, dará vida ao personagem Amor. Esta montagem contará ainda com a participação de bailarinos do Corpo de Baile do Theatro Municipal e de alunos da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa. A nova produção do TMRJ terá Cenografia de Duda Arruk, Figurino de Cássio Brasil, Coreografia de Tânia Nardini, Concepção,Encenação e Iluminação de Caetano Vilela e Direção Musical e Regência de Abel Rocha.

No Brasil, Orfeu e Eurídice estreou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em agosto de 1924, com Gabriella Besanzoni (1888-1962), cantando Orfeu. Segundo oChefe da Divisão de Ópera do TMRJ, Bruno Furlanetto, esta extraordinária contralto ítalo-brasileira retornou à cena no mesmo papel em temporadas de 1927, 1928 e 1935. A obra foi montada pela última vez no TMRJ em 1987, com o personagem Orfeu interpretado pela búlgara Petra Malakova, revezando-se com a uruguaia Graciela Lassner e com a brasileira Siléa Stopatto. Uma curiosidade: nessa mais recente montagem, a soprano Carol McDavit interpretou o Amor, mesmo papel que sua filha Luisa Suarez faz na produção atual, 29 anos depois. Em 92 anos, desde sua primeira encenação neste palco, Orfeu e Eurídice teve um total de 34 representações.

Ópera Orfeu e Eurídice 2016 - Lina Mendes - Eurídice - low (foto: Júlia Rónai)
Ópera Orfeu e Eurídice 2016 – Lina Mendes – Eurídice – low (foto: Júlia Rónai)

Em texto encomendado pelo TM para a produção, o musicólogo Luiz Paulo Sampaio, doutor nesta disciplina pela Université de Montreal, conta que o mito de Orfeu e Eurídice inspirou inúmeros compositores e está na origem da própria ópera, na L’Euridice (1600) de Jacopo Peri, na Euridice (1602) de Giulio Caccini e no L’Orfeo (1607) de Claudio Monteverdi. Ainda no século XVII temos La Morte d’Orfeo (1619) de Stefano Landi, Orfeo (1647) de Luigi Rossi, Orfeo (1672) de Antonio Sartorio e La Descente d’Orphée aux Enfers (1686) de Marc-Antoine Charpentier. Nos séculos seguintes o mito inspirou composições de Telemann (Orpheus – 1726) e Jacques Offenbach (Orphée aux Enfers – 1858), chegando ao século XX em composições de Ernst Krenek (Orpheus und Eurydike – 1921), Gian Francesco Malipiero(L’Orfeide – 1925) e Harrison Birtwistle (The Mask of Orpheus – 1986). Mas, de acordo com o especialista, nenhuma das versões anteriormente citadas conseguiu assumir o lugar de destaque ocupado pela ópera criada em 1762 por Christoph Willibald Gluck para o libreto de Ranieri de Calzabigi.

Ópera Orfeu e Eurídice 2016 - Luisa Suarez (foto:  Júlia Rónai)
Ópera Orfeu e Eurídice 2016 – Luisa Suarez (foto: Júlia Rónai)

“Orfeu, como poeta e músico, reúne em uma única personagem as duas matérias-primas fundamentais da ópera. Seu amor por Eurídice e os perigos que enfrentou para resgatá-la são também ingredientes básicos para uma boa história. Talvez por isso tenha inspirado tantos compositores ao longo dos últimos 400 anos. Ausente do palco do Theatro Municipal desde 1987, Orfeu e Eurídice de Gluck retorna agora na proposta do diretor Caetano Vilela sob a direção musical do maestro Abel Rocha que, a partir da versão vienense original, incluiu também o trio do terceiro ato da versão feita para Paris”, afirma o Diretor Artístico do Theatro Municipal, o Maestro André Cardoso.

Responsável pela concepção, encenação e iluminação da montagem, Caetano Vilela comenta: “Minha concepção humaniza os personagens de Orfeu e Eurídice. Não explico o ‘mito da arte’ que Orfeu representa porque ele já é explícito e está representado em dezenas de montagens. Quero falar sobre a quebra e a perda das relações como se fosse uma fábula. É duro, mas pode ser poético. Na minha concepção, com a morte de Eurídice, o Sol é encoberto na Terra, formando um grande eclipse que toma conta de dois atos da ópera, enquanto dura a busca de Orfeu pelos caminhos do limbo do Inferno. Apresento um Orfeu guerreiro que usa a sua lira como se fosse um Arco, atirando ‘flechas de música’ para enfrentar as Fúrias. O eclipse só termina e a vida refloresce com a volta de Eurídice para a Terra”.

Sinopse

ATO I

Num bosque, rodeado por pastores e amigos, encontra-se o túmulo de Eurídice, morta por uma picada de serpente, poucos dias após seu casamento com Orfeo, o divino cantor-poeta que, com sua arte, amansa as feras e até comove os seres inanimados. Todos estão ali para uma cerimônia fúnebre enquanto Orfeu não faz mais do que repetir o nome de sua amada desaparecida. Ficando sozinho, Orfeu pede à natureza que seja testemunha de seu luto e de sua dor, mas só o Eco responde aos seus chamados por Eurídice. Em seguida, ele se revolta contra a sua sorte, invectiva as divindades subterrâneas e decide ir até os Infernos para buscar sua esposa de volta. Amor aparece e lhe diz que Júpiter, comovido por sua dor, lhe permite que desça ao reino dos mortos e tente abrandar seus cruéis guardiões. Mas há uma condição: ele não poderá lançar um único olhar a ela até saírem do país das sombras. E mais: ele não pode revelar à sua mulher que foram os deuses que impuseram esta cláusula. Se não o fizer, ela morrerá novamente. Ele aceita o trato e parte.

ATO II

Numa atemorizante caverna, Orfeu avança, enquanto Fúrias e Espectros tentam amedrontá-lo, incitando contra ele o monstruoso cão Cérbero. Armado somente de sua lira ele canta os seus tormentos e, pouco a pouco, as terríveis sombras se acalmam e, encantadas pelos sons mágicos, cedem-lhe a passagem. Orfeu entra nos Infernos. Ali ele chega aos Campos Elíseos, morada das Sombras Felizes, onde os Virtuosos descansam na calma do esquecimento da vida terrestre. A princípio fica encantado com a beleza do local, mas logo começa sua procura por Eurídice. Ela chega trazida pelas Sombras Felizes. Sem contemplá-la, Orfeu pega sua mão para guiá-la de volta ao mundo dos vivos.

ATO III

Orfeu avança, sempre levando Eurídice pela mão. De início feliz, ela, aos poucos, se inquieta de não ganhar um olhar de seu esposo. Às suas perguntas, cada vez mais ansiosas, ele não sabe, e não pode, responder. Cheia de cólera Eurídice se recusa segui-lo sem que ele lhe dê uma explicação. Depois, num movimento brusco, ela diz ter saudade do esquecimento feliz do qual foi tirada. Orfeu não pode mais se conter e se volta para consolá-la. Ela morre na sua primeira mirada. Orfeu se precipita sobre o corpo inanimado e canta seu desespero e sua recusa de uma vida de solidão sem Eurídice. Decide matar-se para segui-la entre as sombras. Amor intervém a tempo para impedi-lo de matar-se e lhe anuncia o fim de suas provas. Ele não precisa mais demonstrar sua fidelidade e sofrer para sua glória. Reanima Eurídice e reúne o casal. A última cena se passa num templo. Amor e seu séquito recebem as homenagens de Orfeu e Eurídice, acompanhados de todos os seus amigos que celebram, com um alegre hino, o triunfo do deus sobre todos os corações.

Sobre as solistas

Denise de Freitas, mezzo-soprano – Orfeu

Com voz de grande extensão e timbre escuro, Denise tem conquistado o público e a crítica com suas atuações no drama e na comédia. No Municipal do Rio cantou Madama Butterfly em 2014 e A Valquíria em 2013, ano em que estreou em Il Trovatore, no Teatro da Paz, e O Ouro do Reno, no Municipal de SP, onde, em 2012, brilhou em O Crepúsculo dos Deuses, como Waltraute. Por três vezes, recebeu o Prêmio Carlos Gomes como ‘Melhor Solista Feminina’ – em 2004; em 2009, por suas interpretações emSamson et Dalila e Ariadne auf Naxos; e em 2011, por A Valquíria e L’enfant et les sortilèges (Municipal de SP), Nabucco (Municipal do Rio), e Les Dialogues des Carmélites (Festival Amazonas de Ópera). Recentemente, apresentou-se em concertos com a ópera Yerma, de Villa-Lobos, em Berlim, Paris e Lisboa. Seu repertório operístico inclui mais de 20 títulos. Como concertista, foi solista de obras como Alexander Nevsky, El Amor Brujo, Das Lied von der Erde, Kindertotenlieder e Des Knaben Wunderhorn. Em 2003, recebeu o prestigioso Prêmio APCA pelo CD Lembrança de Amor, dedicado a Osvaldo Lacerda. Teve como orientadora a cantora Lenice Prioli e se aperfeiçoou com Catherine Green e Patricia McCaffrey em NY e com Sylvia Sass na França.

Lina Mendes, soprano – Eurídice

Recebeu, em 2014, o prêmio da Revista Concerto na categoria Jovem Talento pelo júri popular. Ainda este ano, integrou o Centre de Perfeccionament Plácido Domingo, na Espanha. Foi Gilda em Rigoletto (Verdi), Blonde em O Rapto do Serralho (Mozart), Marzeline em Fidelio (Beethoven), Oscar em Um Baile de Máscaras (Verdi), Cunegunde em Candide (Berstein), Nannetta em Falstaff (Verdi), Micaela em Carmen (Bizet). Solou em Carmina Burana (Orff), A Criação (Haydn) e em O Messias (Haendel). Apresentou-se sob a regência de Jamil Maluf, Abel Rocha, Alejo Perez, Isaac Karabtchevsky, John Neschling, Silvio Viegas, Ricardo Bologna, Carlos Spierer, Alan Guingal, Marin Alsop, Federico Maria Sardellie, e sob a direção cênica de Andre Heller-Lopez, Fernando Bicudo, Jorge Takla, Stefano Poda, Davide Livermore, nos principais teatros e salas de concertos do Brasil. No Palau de lês Arts de Valencia, na Espanha, em 2015, fez seu début como Musetta em La Bohème (Puccini), e, mais recentemente, como Ilia em Idomeneo (Mozart), sob a regência de Fabio Biondi.

Luisa Suarez, soprano – Amor

Aluna integrante da Academia de Ópera Bidu Sayão do Theatro Municipal do Rio de Janeiro teve papel destacado na primeira montagem da Academia, a ópera Serse de Haendel. Fez sua estreia no Theatro Municipal na ópera O Menino Maluquinho, de Ernani Aguiar, e participou também da ópera Pygmalion de Rameau no Centro Cultural Banco do Brasil-RJ, onde interpretou a Estátua. Atuou como solista no concerto Natal das Mulheres com a Orquestra Sinfônica da Bahia, e, no Rio de Janeiro, cantou em recitais realizados no Istituto Italiano di Cultura, Museu Nacional de Belas Artes, Espaço BNDES, Teatro Maison de France, Teatro João Caetano, Finep, Midrash e Festival Vale do Café. Já se apresentou com o Coro Sinfônico do Rio de Janeiro e o grupo de câmara Calíope. Graduou-se, com distinção, no Bacharelado em Artes Dramáticas pela Universidade de Toronto (Canadá) e atualmente cursa o Bacharelado em Canto na Escola de Música da UFRJ.

Sobre os integrantes da Ficha Técnica

Duda Arruk – Cenografia

Arquiteta formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, inicia sua atividade artística em 1994 com o curso de Cenografia do CPT e, em 1995, trabalha na organização dos arquivos na Fundação Flávio Império. Desde então desenvolve sólida carreira como cenógrafa em produções de teatro, óperas, musicais, shows e exposições. Em teatro e musicais realizou a cenografia de espetáculos dirigidos por Debora Dubois, Nelson Baskerville, Marcia Abujamra, Francisco Medeiros, Jorge Takla e Jose Possi Neto. Para o Festival de Ópera do Theatro da Paz realizou a concepção de cenografia para as óperas Salomé (2012), direção Mauro Wrona; O Navio Fantasma (2013), direção Caetano Vilela; e Otello (2014), direção Mauro Wrona. Recebeu o Prêmio APCA 2003 de melhor cenografia pelo espetáculo Guerra na Casa do João, Prêmio FEMSA 2005 de melhor cenografia pelo espetáculo Gata Borralheira, Prêmio APCA 2010 de melhor direção de arte pelo espetáculo Quem tem medo de Curupira?, Prêmio CENYM 2014 de melhor direção de arte pelo musical Louco Por Você.

Cássio Brasil– Figurino

Começou sua trajetória nas artes em cima dos palcos como ator, em Sorocaba, mas foi na direção e criação de figurinos e cenários que se destacou como um dos mais expressivos profissionais dessas áreas. Trabalhou com Jô Soares e Bete Coelho como assistente de direção. Recebeu indicação, em 2009, ao Prêmio Carlos Gomes na categoria ‘Melhor Figurino’ pelas óperas Le Villi, direção de João Malatian, e  Amélia ao Ballo, direção de Lívia Sabag, ambas realizadas no Theatro Municipal de SP, e em 2010, ao Prêmio Robert da Academia Dinamarquesa de Cinema.   Foi agraciado duas vezes com o renomado Prêmio Shell em montagens teatrais dirigidas por Jô Soares  – Frankensteins (2002) e Ricardo III (2006). Trabalha nas mais importantes casas de espetáculos e  com os mais respeitados diretores  e companhias de Teatro, Dança, Ópera e Cinema. Dentre seus principais trabalhos estão Linha de Passe  de Walter Salles e Daniela Thomas; Hamlet, com Thiago Lacerda, direção Ron Daniels;Ricardo III, com Marco Ricca, Denise Fraga e Glória Menezes, direção de Jô Soares.

Tânia Nardini – Coreógrafia

Diretora, coreógrafa, atriz e bailarina. Cofundadora e codiretora do grupo de dança Bandança. Diretora artística da Catsapá, primeira Escola de Musicais no Rio de Janeiro. Principais trabalhos: O Burguês Ridículo, A Dona da História, Uma Noite na Lua, Cambaio, A Máquina, Quem Tem Medo de Virgínia Wolff ?, O Médico e o Monstro, De Rosto Colado, Os Sete Brotinhos, Na Cola do Sapateado, Na Festa de Bebete; Cemitério dos Vivos, Os Contos de Hoffman, Candide, A Viúva Alegre. Diretora de Rent, diretora residente de A Bela e a Fera, Chicago, o Musical e Fantasma da Ópera. Diretora associada e Coreógrafa de My Fair Lady, West Side Story, O Rei e Eu e Evita. Coreógrafa deO Grande Circo Místico e Raia 30 anos. Diretora e Coreógrafa residente de Priscilla – A Rainha do Deserto. Diretora e Coreógrafa de Nuvem de Lágrimas, o Musical. Desde 2007 é contratada pela CLP-NY como Diretora Associada para montagens de Chicago e The Musical na Coreia, Japão, Argentina, Rússia, Alemanha e Reino Unido.

Maestro Titular do Coro do TM – Jésus Figueiredo

Bacharel em Regência Orquestral, em Órgão de Tubos e Mestre em Acústica Musical pela Escola de Música da UFRJ, onde também foi Professor Substituto de Regência Orquestral. É Maestro Titular do Coro do Theatro Municipal RJ, onde trabalha desde 1999 atuando também com a Orquestra Sinfônica na preparação e regência de concertos, óperas e balés. Em 2010, ganhou o Primeiro Lugar em Regência de Ópera na 4ª Edição do Concurso Nacional da Ópera de San Juan, na Argentina. Já regeu diversas orquestras como a de Câmara do Amazonas, a Sinfônica de Minas Gerais, a Filarmônica do Ceará, a Sinfônica de Barra Mansa, a Acadêmica do Teatro Colón de Buenos Aires, a da Universidade Nacional de Cuyo (Argentina), a da Ópera de San Juan (Argentina), a Sinfônica da UFRJ, a Sinfônica Nacional da UFF, a Sinfônica Brasileira e a Sinfônica do Theatro Municipal RJ. Em 2013 assumiu a Direção Musical do Coro da Associação de Canto Coral.

Caetano Vilela – Concepção, Encenação e Iluminação

Ganhou destaque no mundo da ópera, com a realização dezenas de produções em importantes teatros no Brasil e no exterior.Dentre as óperas que dirigiu, destacam–se A Queda da Casa de Usher de Phillip Glass, Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk de Shostakovich, Ariadne em Naxos de Richard Strauss, Os Troianos de Berlioz e a estreia no Brasil da ópera Ça Ira de Roger Waters, compositor e fundador do Pink Floyd.Iluminou o musical The Sound of Music, sob a direção de Emilio Sagi, para a temporada 2009–2010, no Théâtre du Châtelet, em Paris. Em 2013, ano do bicentenário de Richard Wagner, iluminou Tannhäuser, sob a regência de Gustavo Dudamel, para a temporada de ópera em Bogotá, e dirigiu e iluminou, para o Festival de Ópera do Theatro da Paz, a ópera O Navio Fantasma, destaque na crítica especializada como uma das melhores produções do ano. Ganhou o Prêmio Shell de Iluminação em 2011 pelo espetáculo Dueto para Um, foi indicado novamente em 2014 pela iluminação de Assim é (se lhe parece) e, em 2015, por Dias de Vinho e Rosas, direção de Fabio Assunção.

Em 2014 dirige novamente para o Festival de Ópera do Theatro da Paz a estreia no Brasil de Mefistofele de Arrigo Boito. Em 2015 dirige e ilumina para o Theatro Municipal de São Paulo um programa duplo com as óperas Um Homem Só, de Camargo Guarnieri, e Ainadamar, de Oswaldo Golijov. Volta a contribuir para a temporada lírica colombiana iluminando uma produção de Werther na cidade de Bogotá. Foi selecionado, junto com outros artistas brasileiros, para representar o Brasil na Quadrienal de Praga (Performance Design and Space), exposição mundial de criadores da área teatral que aconteceu em julho-2015 na Tchecoslováquia.Neste ano de 2016 iluminou em São Paulo as peças As Benevolentes, monólogo com Thiago Fragoso dirigido por Ulysses Cruz, e Rainhas do Orinoco, dirigida por Gabriel Villela.Dirige pela primeira vez no Theatro Municipal do Rio de Janeiro a ópera Orfeu e Eurídice. Neste mesmo teatro iluminou importantes produções como Tannhäuser dirigido por Werner Herzog, La Sonnambula dirigida por Aidan Lang e Nabucco por Iacov Hillel, entre outras.Em setembro dirige para o Festival de Ópera do Teatro da Paz uma nova produção deTurandot. Em outubro assina a iluminação de Elektra, direção de Lívia Sabag, para o Theatro Municipal de São Paulo.

Abel Rocha – Direção Musical e Regência

Regente titular da OSSA – Orquestra Sinfônica de Santo André, desde março de 2014, e coordenador da Fábrica de Óperas do IA Unesp, projeto pioneiro em ópera Studio. Foi diretor artístico do Teatro Municipal de São Paulo e regente titular da Orquestra Sinfônica Municipal nas temporadas de 2011 e 2012, em que recebeu o Grande Prêmio Concerto 2012 pela programação realizada. Abel Rocha é um especialista em ópera, mas sua posição de destaque no cenário brasileiro se deve a uma presença versátil e diversificada, tanto no repertório sinfônico quanto na direção musical de espetáculos cênicos, como balés, peças de teatro, e de diversos shows e musicais. Entre 2004 e 2009, à frente da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, como diretor artístico e regente titular, empreendeu um profundo trabalho de reestruturação artística e administrativa. Em sua atividade como regente orquestral já dirigiu todas as mais importantes orquestras nas temporadas sinfônicas brasileiras.

Com intensa atuação no universo operístico, foi o responsável pela regência e direção musical de títulos dos mais renomados compositores do gênero, do barroco de Monteverdi (Il combattimento di Tancredi e Clorinda, L’Orfeo e Il ballo delle ingrate) à modernidade de Schönberg (Erwartung) e Debussy (Pelléas et Mélisande), passando por Händel (Alcina), Purcell (Dido and Aeneas), Mozart (Le nozze de Figaro e Die Zauberflöte), Rossini (Il barbiere di Siviglia), Donizetti (Il campanello di note e L’elisir d’amore), Ricci (La serva e l’ussero), Verdi (La traviata), Bizet (Carmen) e Puccini (Gianni Schicchi, Madama Butterfly e La Bohème ), Leoncavallo (I pagliacci), Poulenc (La voix humaine) e Menotti (The Telephone). Encomendou e realizou as estreias mundiais de títulos brasileiros como Anjo Negro, de João Guilherme Ripper, Brasil outros 500, de Toquinho e Millôr Fernandes, e A Tempestade de Ronaldo Miranda, tendo trabalhado ainda como diretor de voz e maestro residente da Cia. Brasileira de Ópera. Além da carreira artística, Abel Rocha atua regularmente como professor e regente em diversos festivais de música. Doutor em música pela Unicamp, atualmente é professor de regência e ópera do Instituto de Artes da Unesp.

SERVIÇO

ORFEU E EURÍDICE – Ópera em três atos (Versão de Viena – 1762)
CORO E ORQUESTRA SINFÔNICA DO THEATRO MUNICIPAL

Música – Christoph Willibald Gluck
Libreto – Ranieri de Calzabigi

Concepção, Encenação e Iluminação – Caetano Vilela
Direção Musical e Regência – Abel Rocha

Elenco:
Denise de Freitas, mezzo-soprano – Orfeu
Lina Mendes, soprano – Eurídice
Luisa Suarez*, soprano – Amor

*Integrante da Academia de Ópera Bidu Sayão, do Theatro Municipal

Cenografia – Duda Arruk
Figurino – Cássio Brasil
Coreografia – Tânia Nardini

Coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Maestro Titular – Jésus Figueiredo

Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Praça Floriano s/n° – Centro

Dias 7, 9 e 12 de julho de 2016, às 20h
Dia 10 de julho de 2016, às 17h

Participação especial:
Bailarinos do Corpo de Baile do Theatro Municipal
Diretoras Artísticas – Ana Botafogo e Cecília Kerche
Alunos da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa
Direção – Maria Luisa Noronha

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