Theatro Municipal do RIo apresenta ópera Lo Schiavo

Obra de Carlos Gomes será realizada pelo Ballet, Coro, Orquestra Sinfônica do TM e solistas convidados com Direção de Pier Francesco Maestrini e Regência de Roberto Duarte

Considerada uma das melhores produções de Carlos Gomes, a ópera Lo Schiavo foi escrita após a Abolição da Escravatura no Brasil, em 1888, e dedicada à Princesa Isabel. Esta obra com música inspiradíssima, em que se destaca famoso interlúdio orquestral Alvorada, será a próxima atração da temporada lírica da Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro, vinculada à Secretaria de Estado de Cultura (SEC), nos dias 21, 25 e 27 de outubro, às 20 horas e no dia 23 de outubro, às 17 horas. Apresentada pela SICPA Brasil Tintas e Sistemas de Segurança, a obra tem libreto do italiano Rodolfo Paravicini, escrito com base no argumento de Alfredo d’Escragnolle Taunay, o Visconde de Taunay. Esta quarta ópera encenada na Temporada de 2016 será executada pelo Ballet, Coro e Orquestra Sinfônica do TM e terá como solistas convidados para os papéis centrais as sopranos Adriane Queiroz (Ilara) e Cláudia Azevedo (Condessa de Boissy), o baixo-barítono Rodolfo Giuliani (Iberê), o tenor Fernando Portari (Américo), o baixo Saulo Javan (Conde Rodrigo) e o barítono Leonardo Páscoa (Gianfera). Esta montagem contará ainda com a participação especial da primeira bailarina Karen Mesquita à frente do Corpo de Baile do Theatro Municipal e de alunos da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa. A nova produção do TMRJ terá Cenografia de Juan Guillermo Nova, Figurino de Alberto Spiazzi, Coreografia de João Wlamir, Iluminação de Fábio Retti, Direção Cênica de Pier Francesco Maestrini e Direção Musical e Regência de Roberto Duarte.

Na tarde da estreia da ópera Lo Schiavo, dia 21 de outubro, a Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro e a Academia Brasileira de Música realizarão o Colóquio Carlos Gomes 180 Anos, a partir das 14 horas, com entrada franca, na Sala Mário Tavares, no Prédio Anexo do Theatro Municipal. Os trabalhos começam com a apresentação do Projeto Carlos Gomes, que conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e tem como missão trazer à luz a obra do compositor neste ano que marca duplamente seu nascimento e morte. O principal objetivo do projeto é a elaboração do Catálogo das Obras de Antônio Carlos Gomes, em formato eletrônico, que reunirá pela primeira vez, de forma sistemática, informações dispersas em diferentes fontes e acervos. Na sequência,pesquisadores de diversas instituições apresentarão conferências versando sobre diferentes aspectos da vida e obra do compositor. A Mesa 1, às 14h30, terá como mediador André Cardoso, Diretor Artístico do TM, e contará com os conferencistas Lutero Rodrigues (UNESP e ABM), Marcos Virmond (USC – Baurú) e Maria Alice Volpe (UFRJ e ABM). Já a Mesa 2, às 16h30, será mediada por Maria Alice Volpe e terá conferências de Mário Alexandre Dantas Barbosa (UFRJ), Lenita Waldige Nogueira (UNICAMP e MCG) e Maurício Vicente Ferreira Júnior (MIP).

“Nada melhor do que aproveitarmos o ano em que coincidem as homenagens pelos 180 anos de nascimento e 120 de falecimento de Carlos Gomes para reafirmar não só sua importância artística para o Brasil e a Itália, como também para ressaltar a qualidade de sua obra. Em tal contexto, investir em uma nova produção de Lo Schiavoassume uma relevância ainda maior, pois pela primeira vez será utilizada integralmente a nova edição preparada pelo maestro Roberto Duarte para a Funarte”, observaAndré Cardoso, Diretor Artístico do TM.

No Brasil, a penúltima ópera de Carlos Gomes estreou no Imperial Theatro D. Pedro II em 27 de setembro de 1889, 49 dias antes da Proclamação da República. Segundo o Chefe da Divisão de Ópera do TMRJ, Bruno Furlanetto, depois do estrondoso sucesso da estreia, Lo Schiavo desapareceu dos cartazes do Rio, a não ser por uma solitária aparição, no Theatro Lyrico (novo nome do Imperial Theatro D. Pedro II) em 1894. Esta ópera somente foi reapresentada no TMRJ em 1917 para se firmar como a segunda ópera de Carlos Gomes mais representada no Theatro: 21 temporadas com 49 representações, que atingirão o número de 53 nesta sua 22ª temporada. Somente na sua quinta temporada foi ela cantada por um elenco inteiramente nacional (1938). Até ali só os elencos estrangeiros, que compunham as temporadas de ópera do Municipal, a cantaram.

Em texto encomendado pelo TM para esta produção, o musicólogo Marcos da Cunha Lopes Virmond afirma que a gênese de Lo Schiavo é ao mesmo tempo nebulosa e ambígua. Nela estão envolvidos, Alfredo d’Escragnolle Taunay, o apoio do abolicionismo do engenheiro André Rebouças, o libretista italiano Rodolfo Paravicini e as obras Confederação dos Tamoios (1857), de Domingos José Gonçalves de Magalhães e o drama de Alexandre Dumas Filho Les Danicheff (1876). “Lo Schiavosurge pelo interesse de Taunay e Gomes e remonta uma provável conversa no Hotel de France, no Rio de Janeiro, em 8 de novembro de 1880. Em 1877, Gomes havia refutado um libreto de Taunay, Moema, pois afirmara não desejar assunto indígena – Já no Guarany há bugres em número suficiente, dizia o compositor. Mas Gomes deseja insistentemente um libreto de Taunay. Enquanto Gomes sobe ao quarto para arrumar suas malas, Taunay rabisca um enredo em quatro atos que será a linha mestra do Lo Schiavo que hoje conhecemos”, comenta Marcos Virmond.

Resumo da Ópera

ATO I

Junto ao Rio Paraíba, em 1567, capangas e escravos, na fazenda do Conde Rodrigo, comentam que se prepara mais um casamento sem amor. O feitor Gianfera, açoitando-os, faz com que voltem ao trabalho. O Conde pergunta ao feitor se entre os escravos há um dos rebeldes Tamoios. Sim, chama-se Iberê. O Conde manda apressar o casamento entre Iberê e a índia Ilara, uma cria da casa, pois dela se apaixonou Américo, seu filho. Resolveu afastá-lo de Ilara enviando-o à Guanabara para juntar-se aos portugueses a fim cumprir com suas obrigações de soldado e acabar com este amor, pois nobres não se casam com escravas.

Aparece Ilara, tentando fugir da vigilância de Gianfera, quando Iberê é trazido pelo feitor para ser açoitado. Chega Américo que o manda soltar. Indagado, conta ao jovem a história de seu cativeiro, ajoelha-se e beija-lhe a mão, prometendo gratidão e fidelidade eterna. Gianfera sai para relatar ao Conde o ocorrido. Ilara e as mulheres agradecem ao filho do Conde. Todos se retiram quando o Conde chega para ver o acontecido. O Conde reprova o filho por esta nova rebelião. E lhe impõe ir lutar ao lado dos seus. Américo não quer partir por causa de Ilara, mas o Conde lhe diz que na Guanabara encontrará a Condessa de Boissy, escolhida para ser sua esposa. Ilara, escondida, se encontra com Américo e ambos juram amor eterno. Ilara têm um pressentimento de que um futuro maligno está por chegar. Américo afirma que a defenderá de todos, inclusive de seu pai. Parte. Gianfera se precipita sobre Ilara e outros, trazendo Iberê, os juntam à força. O casamento entre os dois é realizado.

ATO II

Américo chega à residência da Condessa de Boissy, em Niterói, para cumprimentá-la. A condessa está apaixonada por Américo, mas durante a conversa este lhe dá a perceber que já ama alguém, o que decepciona e irrita a Condessa, que tenta descobrir quem será a dama. Américo, sozinho, resolve pedir ao pai a mão de Ilara. Segue-se uma série de danças. A Condessa informa que, sendo francesa, detesta a escravidão e, portanto, comprou alguns escravos para dar-lhes a liberdade. Entre os libertos estão Ilara e Iberê. Américo se surpreende ao saber que estão casados. Para espanto geral, Américo insulta Iberê e, quando este vai explicar a situação, o Conde força-o a calar-se. Américo obriga Ilara a confirmar que é esposa de Iberê e, na sua afirmativa, tenta matar o índio, sendo impedido pelo Conde, que já havia feito o casal fugir.

Confusão geral enquanto a Condessa ironiza que sua rival seja uma escrava.

Ato III

Floresta em Jacarepaguá. Ilara, sozinha, lembra o seu amor, a quem nunca esquece. Aparece Iberê lamentando o desprezo que Ilara tem por ele, que tanto a ama. Ele lhe dá a entender que seu respeito por ela tem limite e Ilara lembra a gratidão que ele deve a Américo. Ferido em sua sensibilidade de homem e amante ele a ameaça com seu punhal. Iberê fica só e pensa em vingança contra os estrangeiros. Ouve-se ao longe o som da inúbia, a trompa guerreira dos Aimorés.  Ao segundo soar deste som, que para ele fala de liberdade, compreende que há uma revolta no campo Tamoio. Pouco a pouco os chefes de várias tribos aparecem para oferecer-lhe o comando do combate aos estrangeiros, que será seguido da destruição da fazenda do Conde. Ilara, atraída pelos cantos guerreiros, aparece e se intera do que está acontecendo. Resolve ir até a fazenda para encontrar um meio para salvar o seu amado. Ao perceberem a aproximação da tropa portuguesa, os índios se reúnem para se juntar aos franceses e o ato termina em clima de guerra e vingança.

Ato IV

Acampamento doa Tamoios na Baía da Guanabara. À noite os índios comentam que se julgam traídos por Iberê, que não está fazendo a guerra à maneira dos guerreiros, certamente por causa de Ilara. Iberê, ficando só, diz que tem tudo exceto o amor de Ilara e tudo trocaria por ele. Aos poucos nasce o dia e Ilara, armada como guerreira, vendo a esquadra portuguesa, reafirma, uma vez mais, o seu amor. Chega Iberê, que é novamente repelido por Ilara. Irrompem os Tamoios, que capturaram Américo. Iberê ordena que todos saiam, pois quer interrogar sozinho o prisioneiro. Os guerreiros ameaçam Iberê de morte, caso ele liberte Américo. Este insulta o índio dizendo-lhe que, apesar dos trajes de chefe, ele é só um escravo ingrato. Américo pergunta: “Quem te salvou da desonra?”. Iberê responde ter sido Américo e novamente lhe agradece. Quando vai esbofeteá-lo por ter-lhe roubado a amada aparece Ilara, que lhe conta a verdade. Ela ainda o ama e mantem-se pura. Viveram como irmãos. Iberê toma a mão de Ilara e a entrega a Américo para que ela seja sua mulher. Os índios vêm chegando. Iberê dá fuga ao casal e arranca suas insígnias de guerreiro. Os guerreiros, querendo vingança, chamam Iberê de traidor e o matam*.

(*) Na versão original do libreto Iberê se apunhala, tirando a própria vida.

Os solistas dos papéis centrais

Adriane Queiroz Soprano, Ilara

Realiza seu trabalho musical na Europa há mais de uma década, principalmente na Alemanha, onde integra o ensemble solista da Ópera de Berlim, Staatsoper. Iniciou seus estudos no Conservatório Carlos Gomes, em Belém-PA, diplomando-se na Universidade Vienense de Artes. Cantou na Volksoper de Viena papéis em Der Mann von Mancha,A Flauta Mágica e L’Elisir d’Amore, além de Carmina Burana no Musikverein. Atuou sob a regência de Daniel Barenboim, Kent Nagano e Rene Jacobs, entre outros. Participou do Festival de Salzburg em A Bela Helena, de R. Strauss. Cantou com a Filarmônica de Berlim a 8ª. Sinfonia de Mahler com Pierre Boulez, gravada pela Gramophone alemã.  No ano Mozart, interpretou Don Giovanni no Theater an der Wien. Sua Zerlina recebeu ótimas críticas no NY Times. Fez Donna Anna em Weimar e fechou a trilogia feminina no Municipal de São Paulo como Elvira, direção de Maestrini. Cantou Rosalinde em O Morcego em Stuttgart e na Semperoper Dresden. Este ano debutou como Jenny emMahagony, de K. Weill, sob a direção de Wayne Marshall, em Berlim.

Rodolfo Giugliani Barítono, Iberê

Não faltam elogios ao sólido trabalho do barítono Rodolfo Giugliani. Em 1999, durante uma apresentação da La Traviata (Verdi), Rodolfo recebeu excelente crítica da revista internacional Opéra International de Paris. Tem-se destacado nos principais teatros do Brasil e do exterior, cantando os papéis de Scarpia (Tosca), Tonio (I Pagliacci), Alfio (Cavalleria Rusticana), Sharpless (Madama Butterfly), Gianni Schicchi (Gianni Schicchi), Gerard (Andrea Chénier), Rigoletto (Rigoletto), Cristóvão Colombo (Oratório Colombo), Enrico (Lucia di Lammermoor) e Nabuccodonosor (Nabucco). Em trabalhos mais recentes, tem destaque seu Iberê (Lo Schiavo, Gomes), no Festival Amazonas de Ópera. Participou do centenário do Theatro Municipal de SP, apresentando Rigoletto, com direção cênica de F. Hirsch e regência de A. Rocha. Apresentou-se na Espanha, no Palau de La Musica Catalana e no Teatro Municipal de Santiago do Chile, no papel de Ezio (Attila). Obteve o 1º lugar nos Concursos Aldo Baldin, Internacional de Canto Bidu Sayão, Internacional de Canto Maria Callas e Internacional de Canto Jaume Aragall, na Espanha.

Fernando Portari Tenor, Américo

Tenor premiado, de sólida carreira internacional, têm destaque suas  apresentações no renomado Alla Scala de Milão – interpretando, de Gounod,  os papéis-título de  Faustoe de Romeo et Juliette –  e na Staats Oper de Berlim – cantando Manon de Massenet ao  lado de  Anna Netrebko, sob a direção do maestro Daniel Barenboim. Cantou nos teatros La Fenice de Veneza, São Carlos de Lisboa, na Deutsche Oper de Berlim, na Ópera de Roma, Moscou, Tóquio, Helsinki e Varsóvia. Atuou ainda em Anna Bolena com Mariella Devia, no teatro Massimo de Palermo, e em La Traviata, na Ópera de Hamburgo e em Colônia. Apresentou-se em La Bohème, em Berlim e Sevilha, e representouWerther no Teatro Bellini de Catânia e em La Coruña. Em 2011, debutou Na ópera de Genebra, estreou como Henri em Les Vêpres Siciliennes de Verdi e, no Teatro Liceo de Barcelona, no papel-título de Fausto. DVDs – Teatro La Fenice: La Rondine (Produção de Graham Vick, direção de Carlo Rizzi), Il Crociato in Eggito (Produção de Pier Luigi Pizzi).

Saulo Javan Baixo, Conde Rodrigo

Reconhecido pela crítica como um dos grandes artistas de ópera do Brasil, tem se apresentado nas principais casas de concerto do país como Sala São Paulo, Theatro Municipal de São Paulo, Teatro São Pedro, Teatro da Paz, Teatro Tobias Barreto, Teatro Santa Isabel etc. Recentemente, gravou a Sinfonia Ameríndia (Villa-Lobos) com a OSESP e interpretou Leporello (Don Giovanni) e Benoît (La Bohème) no Municipal de São Paulo, Pe. José (Magdalena, de Villa-Lobos), Bonzo (O Rouxinol), Ramphis (Aida), Dulcamara (L´Elisir d´Amore), Don Pasquale, Simone (Gianni Schicchi), Salomé (R. Strauss) e Petite Messe Solennelle (Rossini). Integrou o elenco da CIA Brasileira de Ópera e cantou Bozo na estreia da ópera Dulcinéia e Trancoso (Eli-Eri). Outras performances incluem Salieri (Mozart & Salieri), O Homem dos Crocodilos (Arrigo Barnabé), O Franco Atirador (Weber), As Bodas de Figaro (Mozart), Escamillo (Carmen) e Tremonisha (Joplin). Em 2002, venceu o Concurso de Canto Villa-Lobos (Araçatuba).

Cláudia Azevedo Soprano, Condessa de Boissy

Seu début europeu ocorreu em 2006, no aclamado Rossini Opera Festival de Pesaro, interpretando Corinna em Il Viaggio a Reims, com a Orchestra del Teatro Comunale di Bologna. No mesmo ano estreia em Der Freischütz de Weber em Valladolid, Espanha, e apresenta-se em recital para os “Amics del Gran Teatro del Liceu”, em Barcelona. Estreia em NY em 2011 em Mitridate, re di Ponto, de Mozart, com enorme sucesso junto ao público e a crítica especializada. Vencedora dos concursos Audiciones Jovenes Voces Líricas del Teatro Colón (2008), Concurso Internacional de Canto Aldo Baldin (2008) e Terceiro Prêmio Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão (2005), atua regularmente nas temporadas das principais orquestras brasileiras como solista convidada, executando  Carmina Burana (Orff), Missa de Santa Cecília (José Maurício Nunes Garcia), A Criação e Missa in Tempore Belli (Haydn), Gloria (Vivaldi), Cantata 51Cantata do CaféCantata 110 e Cantata 208  (Bach), Nona Sinfonia e Fantasia Choral  (Beethoven), Lobgesan (Mendelsohn), e as óperas CarmenL’Elisir d’AmoreDer Schauspiledirektor Le Nozze di Figaro.

Leonardo Pascoa Barítono, Conde Rodrigo

Iniciou aos seis anos os estudos de piano com sua mãe e, aos 17, descoberto por seu pai, o baixo Manuel Páscoa, decidiu-se pelo canto. Formado pela UFRJ, há 22 anos integra o quadro artístico do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde foi orientado pelo barítono José Roque. Sua estreia ocorreu em 1999, interpretando Iberê e Gianfera da ópera Lo Schiavo, de Carlos Gomes, na famosa turnê brasileira da Companhia Ópera Brasil. A partir de então passou a receber convites para óperas, operetas e concertos como Aida, La Traviata, Rigoletto, Un Ballo in Maschera, Turandot, La Bohème, Tosca, Carmen, Il Guarany, Pagliacci, Cavalleria Rusticana, La Fille du Régiment, Un Turco in Italia, L’Amour des Trois Oranges, L’Oro non compra Amore, Renaud, Phaedra and Hipollitus, Die Fledermauss, Candide, Carmina Burana, 9ª Sinfonia, levadas nos principais teatros de óperas e concertos do país e ainda ao ar livre, com orquestras de renome e sob as importantes batutas de Duarte, Karabtchevisky, Barbato, Malheiro e Viegas e direções de Maestrini, Sonja Frisel e Heller-Lopes, entre outros.

Sobre o Diretor Cênico – Pier Francesco Maestrini

Nascido em Florença, o diretor italiano Pier Francesco Maestrini começou sua carreira em Tóquio, no teatro Bunkamura Orchard Hall, em 1993, com a obra- prima de Rossini,O Barbeiro de Sevilha. Desde então, até hoje, estreou mais de 100 produções nos mais prestigiosos teatros italianos e do mundo, variando do repertório barroco ao verismo italiano. Em 2016, abriu a temporada do Teatro Lírico de Cagliari com a ópera de Respighi, La Campana Sommersa. O entusiasmo com que foi recebida levou a companhia New York City Opera a programar esta produção para março de 2017. Neste mesmo verão de 2016, levou à cena L’Elisir d’Amore, de Donizetti, no teatro Firenze del Maggio Musicale, em montagem que se repetirá durante três temporadas seguidas, até 2018. Hóspede fixo do teatro NCPA de Beijing, o principal teatro da Ásia, ainda este ano produziu uma Gala de Opereta e dirigiu a remontagem de O Barbeiro de Sevilha, que havia encenado em 2013. Nos anos anteriores, montou com o NCPA L’Elisir d’Amore(2015) e Don Pasquale (2014), que em dezembro subirá novamente ao palco. Em vista do sucesso alcançado em Verona, no ano passado, por sua direção de A Forza del Destino, de Verdi, a produção será remontada no teatro de Sófia, Bulgária, logo após a estreia de Lo Schiavo no Rio, e no Teatro Nacional de Tel Aviv, Israel, em maio de 2017. Esta produção, na realidade, já havia sido estreada com sucesso em Maribor, Eslovênia, em 2011, e levada para Liège, Bélgica, em 2013.

Em 2015 cumpre destacar a produção revolucionária de O Barbeiro de Sevilha para a Companhia Brasileira de Ópera – primeiro exemplo de integração entre ópera e desenho animado, onde os cantores tinham sua origem nos desenhos e com eles interagiam, em perfeito entrosamento com a orquestra – que obteve muitos reconhecimentos, várias remontagens em Maribor, e será levada também para a NY City Opera em 2017. Entre 2011 e 2015, Maestrini dirigiu, em Maribor, La Forza del Destino, L’Elisir d’Amore, Aida,Italiana in Algeri, La Fanciulla del West e o Barbeiro. Recentemente, no Brasil, assinou Don Giovanni, Cavalleria Rusticana & Jupira no Theatro Municipal de São Paulo,Rigoletto e La Bohème no Municipal do Rio e Manon Lescaut no Teatro Amazonas de Manaus. Seus projetos futuros incluem nova produção de Il Viaggio a Reims de Rossini, em Verona e nos teatros alemães de Kiel e Lübeck, e de Tosca, no Teatro de Tours na França; e a remontagem de Turandot, encenada em Cagliari em 2014, e de La Bohèmeem Maribor, encenada em Verona em 2014.

Diretor Musical e Regente – Roberto Duarte

Um dos mais requisitados regentes brasileiros, com larga experiência também na Europa, fez seus estudos no Rio de Janeiro (UFRJ), aperfeiçoando-se mais tarde na Itália e na Alemanha com bolsa especial do DAAD. Sua carreira Internacional começou ao receber o Prêmio ‘Serge Koussevitzky no Concurso Internacional de Regência do Festival Villa-Lobos em 1975. Entre as principais orquestras que tem dirigido fora do Brasil estão: Tonhalle Orchester Zürich, Ungarische Philharmonie, Orchestre de la Radio Suisse Romande,  Slovak Symphony Orchestra,  Moscow Chamber Orchestra, Tchaikowsky Symphony Orchestra Moscow, Bruckner Sinfonie Orchester Linz, Akron Symphony Orchestra, Orchestra, Sinfonica di Bari, Orchestra  Sinfonica  Abruzzese,  entre outras. Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1981–1994), da Orquestra Sinfônica do Paraná (1998-1999) e da Orquestra Unisinos, no Rio Grande do Sul (2003-2006), fundador e Diretor Musical da Orquestra do Theatro São Pedro, em São Paulo (2010-2012). Considerado um especialista na obra orquestral de Villa-Lobos, sob sua batuta foram gravados na Europa vários CDs para o selo Marco Polo com obras do mestre. No Brasil, muitos outros CDs foram dedicados a compositores brasileiros.

Duarte recebeu da Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA o prêmio de Melhor Regente do Ano de 1994 e 1997. Em 1996 recebeu do Governo Brasileiro, através da Funarte, o Prêmio Nacional da Música, como regente. Em 2001 e 2010, o Prêmio Carlos Gomes como regente e revisor. Da cidade de Campinas/SP, recebeu a Medalha Carlos Gomes. A sua edição de Il Guarany e de Lo Schiavo, de A. Carlos Gomes, para a Funarte, representam um marco no trabalho de revisão no Brasil. Foi professor de Regência e Prática de Orquestra na UFRJ. Ministrou masterclasses em vários estados brasileiros e também no Chile, Grécia, Suíça e Itália. Escreveu ainda os livros: Revisão das Obras Orquestrais de Villa-Lobos (UFF-RJ) e Villa-Lobos errou? (Algol-SP), além de textos para os livros Ópera à brasileira, organizado por J. L. Sampaio (Algol-SP), Mignone, organizado por Vasco Mariz (Funarte), e o capítulo A Música Brasileira para a História Universal da Música de K. Pahlen (Melhoramentos-SP). Aos 34 anos, Duarte fez parte do Conselho Estadual de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. É membro da Academia Brasileira de Música, da Academia Brasileira de Música e Letras e da Academia Nacional de Música.

SERVIÇO

LO SCHIAVOÓpera em quatro atos (1889)
Ballet, Coro e Orquestra Sinfônica do TMRJ
Música – Antônio Carlos Gomes (1836-1896)
Libreto – Rodolfo Paravicini (a partir de enredo de Alfredo D’Escragnolle Taunay)
Direção cênica – Pier Francesco Maestrini
Direção musical e regência – Roberto Duarte

Solistas dos papéis centrais:
Ilara – Adriane Queiroz, soprano
Iberê – Rodolfo Giuliani, baixo-barítono
Américo – Fernando Portari, tenor
Conde Rodrigo – Saulo Javan, baixo
Condessa de Boissy – Cláudia Azevedo, soprano
Gianfera – Leonardo Páscoa, barítono

Também no elenco:
Lion – Flávio Mello, barítono*
Goitacá – Pedro Olivero, baixo
Guaruco – Ricardo Tuttmann, tenor
Tupinambá – Ciro D’Araújo, barítono
Tapacoá – Pedro Gattuso, tenor
Carijó – Geilson Santos, tenor
Caiapó – Weber Duarte, tenor
Arary – Celso Mariano, tenor
Botocudo – Elizeu Batista, tenor
Selvagens – Luiz Furiati (tenor), Ilem Vargas (tenor),

                   Fábio Belizallo (tenor) e Luís Gustavo Farina (baixo)

(*) Integrante da Academia de Ópera Bidu Sayão 

Participação Especial – Karen Mesquita, Primeira Bailarina do BTM, atuando à frente de integrantes do Corpo de Baile e de alunos da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa

Cenários Juan Guillermo Nova
Figurinos Alberto Spiazzi
Iluminação Fábio Retti
Maestro do Coro Jésus Figueiredo
Coreografia João Wlamir

Assistente de coreografia Mônica Barbosa
Maestros internos Edvan Moraes e Thiago Santos
Pianista correpetidor Ramon Theobald 

Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Praça Floriano, s/nº – Centro 
Dias 21, 25 e 27 de outubro, às 20 horas
Dia 23 de outubro, às 17 horas

Preços:

  • Frisas e camarotes – R$ 600,00
  • Plateia e balcão nobre – R$ 100,00
  • Balcão superior – R$ 72,00
  • Galeria – R$ 36,00

Desconto de 50% para estudantes e idosos 
Vendas na Bilheteria, no site Ingresso.com
ou por telefone 21 4003-2330
Capacidade – 2.227 lugares
Classificação etária – Livre
Duração – 230 minutos, com um intervalo
Informações – (21) 2332-9191 

SERVIÇO

COLÓQUIO CARLOS GOMES 180 ANOS

Sala Mário Tavares – Prédio Anexo do Theatro Municipal
Avenida Almirante Barroso, nº 14 / 15 Centro 
Dia 21 de outubro, a partir das 14h
Capacidade 159 lugares 
ENTRADA FRANCA

14h Abertura e apresentação do Projeto Carlos Gomes

14h30 Mesa 1
Moderador: André Cardoso (ABM / FTM)

Conferencistas:

Lutero Rodrigues (UNESP e ABM) – Do Guarany à Fosca: um notável progresso. 

Marcos Virmond (USC – Baurú) – Morena e Lo Schiavo: paralelos no ocaso de Gomes.

Maria Alice Volpe (UFRJ e ABM) – Paisagem na música romântica brasileira: o paradigma Carlos Gomes. 

Intervalo (20 minutos)

16h30 Mesa 2
Moderador: Maria Alice Volpe (UFRJ e ABM)

Conferencistas:
Mário Alexandre Dantas Barbosa (UFRJ) – Os concertos em comemoração ao passamento de Carlos Gomes em Belém do Pará, fins do séc. XIX e início do séc. XX. 

Lenita Waldige Nogueira (UNICAMP e MCG) – Joanna de Flandres: história e enredo da segunda ópera de Carlos Gomes. 

Maurício Vicente Ferreira Júnior (MIP) – Programa Memória do Mundo da UNESCO: dossiê “Carlos Gomes: compositor de dois mundos”.