Fundada no segundo semestre de 2015, como espaço de formação para jovens artistas líricos no repertório operístico, a Academia de Ópera Bidu Sayão se configura como uma das novidades da vida musical do Rio. A instituição pertencente à Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro, vinculada à Secretaria de Estado de Cultura (SEC), apresentará a ópera Savitri, do compositor inglês Gustav Holst, na série Ópera de Câmara em Concerto no dia 19 agosto, às 20h, e no dia 21 de agosto, às 17h. Apresentadas pelaSICPA Tintas e Sistemas de Segurança, as récitas terão como solistas a mezzo-soprano Vívian Delfini, no papel-título, o tenor Leonardo Feitosa interpretando o personagem Satyavan e o barítono Flávio Mellorepresentando a Morte. Como a ópera tem apenas um ato, o programa será aberto por um repertório deCanções Francesas apresentadas por outros integrantes da Academia de Ópera Bidu Sayão, mostrando ao público o ecletismo vocal e estilístico dos seus cantores.

Aliás, a formação instrumental de Savitri inspirou esta complementação com obras vocais de câmara de compositores franceses do mesmo período da ópera de Holst. Teremos nesta abertura a soprano Luiza Limacantando Le Rossignol et la Rose e a mezzo-soprano Cintia Graton intepretando Violons dans le Soir, ambas composições de Camille Saint-Saëns. O programa segue com a mezzo-soprano Lara Cavalcantiapresentando Chanson Perpétuelle op.37, de Ernest Chausson; a soprano Tatiana Nogueira levandoTrois Poèmes de Stéphane Mallarmé, de Maurice Ravel; e o baixo Leonardo Thieze encerra a primeira parte com duas obras de Francis Poulenc:

Rapsodie Nègre e Le Bestiaire ou Cortège d’Orphée. As apresentações contarão com a participação de músicos da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal e terão regência de Thiago Santos.

A Academia de Ópera Bidu Sayão está sob a coordenação do tenor Eduardo Alvares. A pianista Priscila Bomfim é a maestrina preparadora, o bailarino João Wlamir é o responsável pela preparação e expressão corporal e Bruno Furlanetto, chefe da Divisão de Ópera, pelos estudos de história da ópera. Além da óperaSerse, de Haendel, apresentada em maio, estão previstos para 2016 na temporada da série Ópera de Câmara em Concerto outros dois títulos de diferentes épocas e estilos: Dido e Enéas, de Purcell e a inédita O Boi e o Burro a Caminho de Belém, ópera para o público infantil criada com base no texto deMaria Clara Machado, encomendada pelo Theatro Municipal ao compositor Tim Rescala.

“Em 1883 foi publicada a primeira tradução inglesa do Mahabharata e, certamente, através dela Holst teve acesso aos textos que transformou no libreto de Savitri. Ao contrário de sua obra mais conhecida, a suíte orquestral Os Planetas op.32, para a qual lança mão de uma orquestra gigantesca, em Savitri podemos observar a economia de meios e a concisão, onde um pequeno grupo instrumental de doze músicos acompanha três solistas e o coro feminino em pouco mais de trinta minutos de duração”, comenta o Maestro André Cardoso, Diretor Artístico do Theatro Municipal”.

Especialmente voltada para a qualificação profissional de cantores, a Academia de Ópera Bidu Sayão funcionaem sistema de residência artística de até dois anos de estudos vocais, cênicos e musicais. As atividades desenvolvidas incluem aulas, masterclasses, estudo de repertório, ensaios e concertos, com trabalho focado na expressão musical e dramática. Os alunos participam das produções da temporada do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, assim como de espetáculos especialmente produzidos com finalidades artísticas e pedagógicas, realizados com piano ou orquestra.

“Na ópera Savitri, o papel-título, apesar da brevidade da duração da ópera, é um tour de force para o meio-soprano. Um papel ao mesmo tempo dramático e com cores líricas e cantábiles dignos, em alguns momentos, do melhor estilo das heroínas puccinianas. O tamanho reduzido da orquestra e os trinta e cinco minutos de música permitem que uma voz mais jovem se encarregue do difícil papel. O papel da Morte exige, por sua vez, um barítono quase verdiano, pela tessitura e poder das melodias e, também, pela força dramática do texto e da música. O papel do tenor, Sathyavan, é para um tenor lírico com corpo na tradição germânica, pela tessitura e pela escrita que usa muito o meio da voz, como, aliás, também Britten o fará futuramente em suas óperas. O coro feminino cria uma atmosfera mágica e diáfana, remetendo-nos a um ambiente longínquo e mágico”, observa Eduardo Alvares, Coordenador da Academia de Ópera Bidu Sayão.

Sobre a ópera Savitri
Escrita em 1908 e estreada em 1916, a ópera é consequência do fascínio que a literatura sânscrita e o espiritualismo e filosofia hindus exerceram sobre o compositor, que já havia escrito anteriormente a óperaSita, baseada em histórias do Ramayana, poesia épica atribuída ao sábio hindu Valkimi.  Da mesma época são os Hinos sobre o Rig Veda op.26, coleção de peças corais escrita a partir do mais antigo texto da literatura hindu. Savitri é baseada em episódio do Mahabharata, o monumental poema épico escrito em sânscrito atribuído a Krishna. Não esqueçamos que a sociedade inglesa era relativamente familiarizada com a cultura indiana, já que o Império Britânico mantinha relações comerciais com a Índia desde o século XVII e transformou o país em uma de suas colônias.

Resumo da Ópera
Uma floresta, à noite. Numa longa introdução desacompanhada (não há uma abertura), a Morte avisa à Savitri que veio buscar seu marido, o lenhador Satyavan. Quando Satyavan chega em casa, depois de um dia de trabalho, ele canta a respeito da irrealidade (Maya – ilusão) do mundo natural. Mas Savitri lhe diz que agora ela vê, além de Maya, “o coração de cada árvore”. Quando a Morte se aproxima, Satyavan cai ao chão morto. A princípio, Savitri tenta proteger seu marido. Mas, depois, ela dá as boas-vindas à Morte e a convida a ficar. A morte, em retribuição, oferece a ela cumprir um seu desejo. Ela pede a Vida. Quando a Morte prontamente lhe dá o que ela já possui, ela lhe faz notar que para ela “a vida de uma mulher, é, também,  a de esposa, a de mãe”, o que implica, também, a vida de Satyavan. Derrotada, a Morte sai imediatamente e Satyavan revive. Quando marido e mulher vão embora, ouve-se a Morte cantar a liberação de Savitri da ilusão, “pois mesmo a Morte é Maya”. No final, ouve-se a voz de Savitri cantando sozinha.

“Tenho certeza de que o trabalho vocal, cênico e musical desenvolvido durante a preparação deste espetáculo com Canções Francesas e a ópera de câmara Savitri, de Holst, foi mais uma vez de grande valia e aprendizado para todos os participantes. É um programa que torna totalmente possível a apresentação dos jovens solistas que têm se preparado com afinco e dedicação desde o início das atividades da Academia”, comenta Priscila Bomfim, Pianista e Maestrina Preparadora da Academia de Ópera Bidu Sayão.

Sobre o regente, Thiago Santos
Thiago Santos foi o primeiro brasileiro premiado com a bolsa de estudos Leverhulme Arts Scholar para cursar mestrado em regência orquestral no Royal Northern College of Music, na Inglaterra. Através de intercâmbio promovido pelo RNCM, entre 2014 e 2016, atuou como maestro assistente das orquestras BBC Philharmonic e Royal Liverpool Philharmonic, colaborando com renomados maestros como Juanjo Mena, Vasily Petrenko, Yan Pascal Tortelier e Ton Koopman. No Brasil, Thiago já dirigiu a Filarmônica de Minas Gerais, Sinfônica de Porto Alegre, Sinfônica de São José dos Campos e Sinfônica da UFRJ, entre outras. Na Inglaterra, também trabalhou com a Stockport Symphony, Nottingham Philharmonic e Manchester Camerata. Ainda na Europa, regeu a Buhoslav Martinu Philhamonie (República Tcheca) e U Artist Festival Orchestra (Ucrânia). Venceu o Concurso para Jovens Regentes da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (2011) e, em 2015, foi um dos dez semifinalistas na Antal Dorati Competition, na Hungria, competição que reuniu mais de 120 regentes de diversos países. Recentemente, foi selecionado para colaborar com membros da Mahler Chamber Orchestra regendo masterclasses orquestrais para jovens músicos na Inglaterra.

Seu vasto repertório compreende música sinfônica, coral e ópera, do barroco à música contemporânea. Já dirigiu estreias mundiais de várias obras no Brasil e no exterior. No campo da ópera, colaborou com produções de Così fan tutte Le Nozze di Figaro. Defensor da música brasileira, Thiago ainda é um estudioso da obra de José Maurício Nunes Garcia e de Francisco Braga. Também colabora com a Academia Brasileira de Música em edições de obras de Villa-Lobos, Henrique Oswald, Mário Tavares e Ernani Aguiar. Cursou bacharelado e mestrado em regência na Escola de Música da UFRJ com André Cardoso. Outros mentores no Brasil e no exterior foram Sir Mark Elder, Giancarlo Guerrero, Juanjo Mena, Marin Alsop, Fábio Mechetti, Ronald Zollman, Donald Schleicher e Guillermo Scarabino.

SERVIÇO

SÉRIE ÓPERA DE CÂMARA EM CONCERTO

SAVITRI
Composição e Libreto de Gustav Holst

Solistas da Academia de Ópera Bidu Sayão
Músicos da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal

Piano Priscila Bomfim

Regência Thiago Santos

Programa:

CANÇÕES FRANCESAS

Camille Saint-Saëns – Le Rossignol et la Rose – Luiza Lima, soprano

Camille Saint-Saëns – Violons dans le soir – Cintia Graton, mezzo-soprano

Ernest Chausson – Chanson Perpétuelle – Lara Cavalcanti, mezzo-soprano

Maurice Ravel – Trois Poèmes de Stéphane Mallarmé – Tatiana Nogueira, soprano

Francis Poulenc – Le Bestiaire ou Cortège d’Orphée e Rapsodie Nègre – Leonardo Thieze, baixo

SAVITRI

Savitri – Vívian Delfini, soprano

Satyavan – Leonardo Feitosa, tenor

Morte – Flávio Mello, barítono

Músicos da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal

Flautas Eugênio Ranevsky e Rubem Schuenck

Corne-inglês Janaina Perroto

Clarinete e Clarone Igor Carvalho e Ricardo Ferreira

Fagote Carlos Henrique Bertão

Violinos Ayran Nicodemo, Angelo Dell’Orto, Ruda Issa e Maressa Carneiro

Violas Daniel Albuquerque e João Senna

Violoncelos Pablo Uzeda e Cláudia Grosso

Contrabaixo José Luiz de Souza

Coordenação e Orientação Vocal –  Eduardo Alvares

Preparação Cênica – João Wlamir

Cenografia – Renê Salazar

Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Praça Floriano s/n° – Centro

Dia 19 de agosto de 2016, às 20h
Dia 21 de agosto de 2016, às 17h

Preços:

  • Frisas e Camarotes – R$ 240,00
  • Plateia e Balcão Nobre – R$ 40,00
  • Balcão Superior e Galeria – R$ 20,00 

Desconto de 50% para estudantes e idosos

Vendas na Bilheteria, no site Ingresso.com

ou por telefone (21) 4003-2330

Capacidade – 2.227 lugares

Classificação etária – Livre

Duração – 90 minutos, com intervalo

Informações – (21) 2332-9191

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