A história do teatro mineiro se confunde com a trajetória da atriz Teuda Bara, uma das fundadoras do Grupo Galpão, que aos 75 anos de idade completa 40 de carreira, e apresenta no projeto Teatro em Movimento, dentro da Mostra Minas, o espetáculo DOIDA, inspirado na obra de Carlos Drummond de Andrade, com dramaturgia de João Santos e direção de Inês Peixoto, tb integrante do Galpão. “O teatro definiu a minha vida. Em 75, quando ainda era amadora, um diretor amigo, Adir Assunção, começou a me chamar de Theda Bara, brincando com a atriz americana do cinema mudo. A partir daí nunca mais fui Teuda Magalhães Fernandes” confessa a atriz. “Doida é um ensaio poético a partir do conto A DOIDA, de Drummond, mas também sobre loucura, mulher, infância e Minas Gerais”, detalha João Santos, autor da peça e do livro “Teuda Bara: Comunista demais para ser Chacrete”, que será lançado em 12 de setembro, na sessão fechada para convidados da peça. DOIDA estará em cartaz nos dias 13 e 14 de setembro, às 20h, no OI FUTURO, do Flamengo. Este projeto foi contemplado pela lei ICMS de Minas Gerais através do patrocínio da OI.

“Toda cidade tem seus doidos. Quase toda família tem um. Doida é uma visita do espírito de Minas à loucura”, observa Teuda, que pela primeira vez divide o palco com o filho mais novo, o ator e músico Admar Fernandes, também responsável pela trilha. Baseado no conto de Carlos Drummond, com dramaturgia e pesquisa de João Santos, o espetáculo conta a história de uma “DOIDA”, que tinha seu casebre, durante todas as manhãs apedrejado por meninos que desciam a rua para tomar banho no riacho e pegar passarinhos. Uma brincadeira que proporcionava risos e satisfação. Assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela casinha, miravam as vidraças e lascavam uma pedra.

“Mergulhamos na obra de Drummond para construção de Doida. O texto ainda saúda célebres personalidades reais como Stela do Patrocínio, Arthur Bispo do Rosário e os internos da colônia de Barbacena, chegando até Elvis Presley”, detalha Inês Peixoto, atriz e integrante do Grupo Galpão, desde 1992. Com quatro décadas de carreira, Teuda Bara é uma das fundadoras do Galpão, que completou 33 anos. Com o grupo, a atriz viajou por todo Brasil e também apresentou espetáculos em 25 países. Em 2005, Ropbert Lepage pediu que a produção de “KÀ”, do Cirque du Soleil, localizasse  Teuda Bara para os testes de uma ama, a mulher que cuida dos gêmeos, herdeiros de um reino encantado.” Fiquei dois anos e meio morando nos Estados Unidos. Fazia dois shows por dia e 10 por semana. Fiquei com saudades do teatro e voltei para o meu Galpão e para minha Minas Gerais”.

“O teatro, sendo um agente de transformação social, é capaz de atuar como um difusor de ideias e de cultura”, afirma Tatyana Rubim, idealizadora do Teatro em Movimento, inicialmente criado com o objetivo de descentralizar o acesso ás grandes montagens do eixo Rio-São Paulo, promovendo a circulação dos mesmos para Belo Horizonte. Com o tempo, passou a atuar em outros Estados e outras cidades, contabilizando 176 montagens, que somam mais de 595 apresentações, envolvendo cerca de 600 artistas, em 14 cidades, 28 teatros e público superior a 380 mil pessoas. Uma iniciativa que possibilita a formação de um espectador mais crítico e de um público mais preparado e habituado a lotar as salas de teatro.

Serviço- “Doida”
Teatro Oi Futuro- Flamengo
Rua Dois de Dezembro, 63
Telefone: (21) 31313060
Dias: 13 e 14 de setembro
Horários: Terç e qua 20h
Ingressos: R$ 30,00
Classificação: 14 anos

Ficha Técnica
Direção: Inês Peixoto
Dramaturgia: João Santos
Concepção de Cenário e Adereços: Daniel Ducato e Inês Peixoto
Figurino: Paulo André
Iluminação: Rodrigo Marçal
Trilha Sonora e Operação: Admar Fernandes
Produção: Rubim Produções
Confecção de Cenário e Adereços: Daniel Ducato, Helvecio Izabel

DEIXE UM COMENTÁRIO